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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Certeza do "Não-Ser"
O que me incomoda não é a incerteza do Amanhã.
A Incerteza faz parte do Amanhã.
E isso é bom!
Que graça tem um grão com a certeza da flor?
O que me incomoda é essa certeza do "Não-Ser".
É esse antecipado saber.
Esse caminhar despreocupado para o "Não".
Eu me convenci que podia.
E me convenci que queria.
Só que, agora, diante do encanto,
diante de tanto,
percebo o que vai ser.
E isso não vai ser bom.
Porque, hoje, está bom demais!
Então, eu te conto:
Eu gosto, sim, do incerto.
O incerto me instiga.
Mas "incerto" não é certeza do "Não".
É possibilidade do "Sempre".
Se, para estar do teu lado,
é preciso caminhar para o "Não",
então, digo eu o "Não!".
Guardo o encanto,
interrompo o toque,
recolho o riso.
Te beijo e me vou.
Para um amanhã de possibilidades.
Porque te gosto.
Mas também ME gosto!
E eu
cuido de mim.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mergulhada no Efêmero
Quando dei por mim
estava
despida de ontem
nua de amanhã
mergulhada no efêmero
E achei bom.
Você me diz
sonho
E me olha
como se eu fosse
me dissipar
em brumas
Eu acho graça
E até acho que gosto
de ser sonho
Está bem, confesso.
É que eu gosto de sonhos.
E, de vez em quando,
eu me dissipo mesmo
e, depois,
me refaço
inteira
ou inteiramente nova
Então
você só precisa
me sonhar de novo
amanhã
e depois de amanhã
Porque eu
acredito em sonhos
E já me acostumei
a viver os meus!
Dezembro de 2010
Quando dei por mim
estava
despida de ontem
nua de amanhã
mergulhada no efêmero
E achei bom.
Você me diz
sonho
E me olha
como se eu fosse
me dissipar
em brumas
Eu acho graça
E até acho que gosto
de ser sonho
Está bem, confesso.
É que eu gosto de sonhos.
E, de vez em quando,
eu me dissipo mesmo
e, depois,
me refaço
inteira
ou inteiramente nova
Então
você só precisa
me sonhar de novo
amanhã
e depois de amanhã
Porque eu
acredito em sonhos
E já me acostumei
a viver os meus!
Dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Redescoberta
Dezembro de 2010
Colchão, lençol e travesseiros
acomodei-me sob o céu.
Sentimento exato
de quando tinha dez anos
e minha mãe me permitia
dormir no quintal.
Olhos poetas
vasculham céu sem estrela
aprendendo nuances da noite.
Barulho de vento brincando com folha
em ventilador sem hélice.
Conversa e risada ao longe
em novela do cotidiano.
acomodei-me sob o céu.
Sentimento exato
de quando tinha dez anos
e minha mãe me permitia
dormir no quintal.
Olhos poetas
vasculham céu sem estrela
aprendendo nuances da noite.
Barulho de vento brincando com folha
em ventilador sem hélice.
Conversa e risada ao longe
em novela do cotidiano.
Ruídos
da vida embalando sono.
Vento morno
sopra pele sob lençol fino
e emaranha cacho de cabelo
em preguiçoso cafuné.
Em redescoberta de ar
que não é condicionado,
levo dentro de mim
ar livre!
Vento morno
sopra pele sob lençol fino
e emaranha cacho de cabelo
em preguiçoso cafuné.
Em redescoberta de ar
que não é condicionado,
levo dentro de mim
ar livre!
domingo, 5 de dezembro de 2010
Quase Verão
Calor horrível
de céu nublado para sempre
que não chove nem deixa de chover
Calor que entranha
em poro e pele
e dá vontade de chuveiro frio
de meia em meia hora
Calor que
embota pensamento
desacelera respiração
entorpece vontade
Dá uma vontade de nada
Pálpebra pesada na face suada
Raio de ar condicionado quebrado!
Dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
Amanhã também
A burguesia não se importa com o outro.
O operário não se importa com o outro.
Meu Deus, quem é que se importa?
O ser humano é que não desapega do umbigo.
Todo mundo é bom.
Todo mundo quer bem.
Ninguém nunca fez mal.
Será que alguém fez bem?
Acorda, levanta, trabalha.
Café da manhã, almoço e janta.
Jornal Nacional.
Boa noite, meu bem.
E amanhã também.
Acorda, levanta, procura emprego.
Arroz com feijão, graças a Deus.
Jornal Nacional.
Boa noite, meu bem.
E amanhã também.
Na Urca,
o aposentado não vê
que tem fome na esquina.
Na Tijuca,
a dona de casa não vê
que tem fome na esquina.
Em Realengo,
o trabalhador não vê
que tem fome na esquina.
O ser humano é que não desapega do umbigo.
Todo mundo é bom.
Todo mundo quer bem.
Ninguém nunca fez mal.
Será que alguém fez bem?
E, enquanto
boas intenções enchem o Inferno,
nas esquinas transitam
nossas crianças.
Há fome na esquina.
E não é só de pão.
Não dá no Jornal Nacional.
Boa noite, meu bem.
E amanhã
também?
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
O Livro e Eu
Por favor,
não arrumem
os meus livros.
É assim mesmo
que gosto deles
Espalhados pela casa
Tem dia
que me provocam
Não posso sentar
quieta na varanda
sem que Adélia
Lucinda
ou Clarice
fiquem puxando assunto!
Tem dia
que me consolam
Veríssimo
espera comigo
ferver a água do café
E Drummond
me vela o sono
Por favor
não desmarquem
os meus livros!
É assim mesmo
que gosto deles
Com dobrinhas nas páginas
Não se escandalize
Não, não são dobrinhas apenas...
São declarações de amor
Se eu fosse um livro
ia querer dobrinhas!
E anotações!
São como rugas
Sinal de que viveram
Sinal de que alguém
algum dia
se apaixonou por ele
chorou com ele
riu com ele
Então
que fiquemos assim
meu livro e eu
espalhados pela casa
e fazendo questão
de cada uma
de nossas rugas!
Novembro de 2010
Por favor,
não arrumem
os meus livros.
É assim mesmo
que gosto deles
Espalhados pela casa
Tem dia
que me provocam
Não posso sentar
quieta na varanda
sem que Adélia
Lucinda
ou Clarice
fiquem puxando assunto!
Tem dia
que me consolam
Veríssimo
espera comigo
ferver a água do café
E Drummond
me vela o sono
Por favor
não desmarquem
os meus livros!
É assim mesmo
que gosto deles
Com dobrinhas nas páginas
Não se escandalize
Não, não são dobrinhas apenas...
São declarações de amor
Se eu fosse um livro
ia querer dobrinhas!
E anotações!
São como rugas
Sinal de que viveram
Sinal de que alguém
algum dia
se apaixonou por ele
chorou com ele
riu com ele
Então
que fiquemos assim
meu livro e eu
espalhados pela casa
e fazendo questão
de cada uma
de nossas rugas!
Novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
E essa história me veio inteira na memória...
Quando eu tinha 12 anos, indo para a escola, um menino de rua cruzou comigo e me deu um olhar de raiva e um tapa. O tapa doeu. O olhar doeu. Nunca ninguém havia me odiado antes.
Minha mãe me contou que a raiva do menino não era de mim. Era de todo mundo. E que o tapa não era em mim. Era na vida. Eu não entendi bem o que eu tinha com isso, já que não me batizaram “Vida” e eu nunca havia machucado ninguém. Minha mãe me disse que um dia eu entenderia o menino e aceitaria os motivos dele.
Eu cresci. Entendi o menino. Os motivos...? Entender não é aceitar.
Novembro de 2010
O nome dela é Ana Júlia
Confesso que o que me chamou a atenção nela foi o laço no cabelo. Um laço pequeno, cor de rosa choque, enfeitando o cabelo curtinho e penteado. Olhos risonhos no rosto sério, como se estar triste fosse tarefa árdua e recomendada.
“Tia, me dá um dinheiro prá eu comprar leite pro meu irmão?”
O bebê no colo da menina dormia serenamente, alheio ao tumulto em frente à galeteria onde eu esperava a minha vez de comprar frango para o almoço de domingo.
Pousei os olhos na menina . Não tinha mais de 12 anos. Pensei se o bebê era filho ou irmão. Reparei na roupa limpa e arrumadinha. E no laço cor de rosa.
Perguntei num sussurro, como quem se aproxima de passarinho que pousa perto de manhazinha: “Ele é seu irmão, menina?”
A menina assentiu com a cabeça.
“Cadê a sua mãe?”
O dedo indica a esquina. “Tá ali com os meus irmãos.”
“Vocês são quantos?”
“Oito.”
“Você é a mais velha?”
“Não. Tem dois grandões.”
“Olha, dinheiro eu não te dou, não. Mas, se você quiser, eu te compro um frango. Você quer?”
O sorriso se abriu deixando, enfim, o rosto combinar com os olhos.
“Quero! Aí eu arrumo um guaraná e já dá prá gente almoçar.”
“Então, espera que eu compro o frango prá você.”
A menina esperou do meu lado, brincando com o bebê, agora acordado, como se fosse uma boneca. Conversava com ele alguma coisa que só os dois escutavam. E pareciam se entender bem.
“Olha só como ele entende, Tia.... Ju.. Ju...”
O neném arregalava os olhos quando ela o chamava pelo nome.
“Qual o seu nome, menina?”
“Ana Júlia.”
“Bonito nome.”
“Obrigada!”
Achei a menina educadinha.
“Você tá na escola, Ana Júlia?”
Negou com a cabeça... “Eu não tenho registro.”
Chegou a minha vez. Pedi os frangos. O meu e o da Ana Júlia. Comprei os refrigerantes. O meu diet, o dela normal. Pedi para embrulhar separado e entreguei o dela.
“Escuta, Ana Júlia, deixa eu te dizer uma coisa. Na escola você não tem só estudo, você tem merenda. Eles te dão almoço e lanche. Se um dia você passar em frente a uma escola, entra e procura a diretora. Conta para ela que você quer estudar e não tem registro. Ela vai te ajudar, tá? Toma. Este é seu”. Entreguei o almoço a ela.
“Obrigada, Tia.”
O “obrigada” era pelo frango. Eu queria que fosse pelo conselho. Queria que fosse porque eu olhei para ela como “Ana Júlia”, não como um número. Mas era pelo frango. Não tinha como ser por outra coisa além do frango. Que menino ou menina, de qualquer lugar, pensa em estudar ou em conversar quando está com fome?
Pensei na estatística oficial: mais de 95% das crianças brasileiras nas escolas. Está bem! 95% das crianças registradas. Como saber das milhares que transitam pelas ruas e simplesmente não têm registro. Estão fora das estatísticas.
O nome dela é Ana Júlia. E ela não é um número.
Novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Espanto
Fazer varanda.
Soltar olho no azul.
Desenhar dia.
Assistir passarinho.
Te parece sem sentido?
A mim, faz todo.
Amigos de ocasião.
Abraços protocolares.
Não ver menino em sinal.
Chorar em novela das oito.
Te parece normal?
A mim, não.
Escolher sorvete pela cor.
Sentir verso me olhando.
Jogar conversa dentro.
Soltar pensamento.
Te parecem metáforas?
Para mim, fato.
Bala perdida.
Homofobia.
Morto de fome.
Menino de rua.
Sem teto.
Te parece normal?
Em mim, dói.
Soltar olho no azul.
Desenhar dia.
Assistir passarinho.
Te parece sem sentido?
A mim, faz todo.
Amigos de ocasião.
Abraços protocolares.
Não ver menino em sinal.
Chorar em novela das oito.
Te parece normal?
A mim, não.
Escolher sorvete pela cor.
Sentir verso me olhando.
Jogar conversa dentro.
Soltar pensamento.
Te parecem metáforas?
Para mim, fato.
Bala perdida.
Homofobia.
Morto de fome.
Menino de rua.
Sem teto.
Te parece normal?
Em mim, dói.
E acha mesmo
que o teu olhar horrorizado,
em frente à tela,
convence?
Que
me vale o horror ao fato,que o teu olhar horrorizado,
em frente à tela,
convence?
se não gera ato.
Então, não me olha em espanto
só porque danço de olhos fechados.
Meus olhos poetas,
há muito,
me abriram o peito
e me descruzaram os braços.
Experimenta você
desfranzir sobrancelhas.
Só para começar!
(Flávia Côrtes – Novembro de 2010)
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sábado, 20 de novembro de 2010
E agora?
Eu tentei viver com você
no agora.
Fixei olhos no efêmero
e deixei
o amanhã desfocar.
E foi
tanta cor,
tanto riso,
tanta arte,
tanto querer...
que o que era bom me fez bem.
Não fui eu quem levantou o meu olhar.
Foi você
quem segurou o meu rosto
em holofote
para o amanhã
e me disse:
"Olha!"
E agora...?
Flávia Côrtes - Novembro de 2010
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Apaixonada
E a moça
que gosta de palavras
só sabe
que lia um Drummond,
nesta manhã,
quando se apaixonou
completamente
Apaixonada.
Completamente apaixonada.
Intensamente apaixonada.
Eternamente apaixonada.
A moça que gosta de palavras
se pergunta:
Completamente apaixonada.
Intensamente apaixonada.
Eternamente apaixonada.
A moça que gosta de palavras
se pergunta:
Por que será que
paixão
combina tanto
com tal terminação?
Céticos levantarão sobrancelhas:
Mente?
Poetas entenderão.
Apaixonada,
completa a mente,
intensa a mente,
eterna a mente.
combina tanto
com tal terminação?
Céticos levantarão sobrancelhas:
Mente?
Poetas entenderão.
Apaixonada,
completa a mente,
intensa a mente,
eterna a mente.
só sabe
que lia um Drummond,
nesta manhã,
quando se apaixonou
completamente
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
De olhos abertos
Quando me deixei ir para você,
me prometi tomar cuidado
e mergulhar de olhos abertos.
Foi de olhos abertos que eu te aprendi.
Primeiro eu vi um homem que me olha em muitos olhares.
Olhos que me riem e se riem.
Olhos que me olham poeta e me sabem mulher.
Olhos que me contam quando insiste em não me dizer.
Depois eu vi um homem que planeja o seu sonho.
Um homem que transforma a vida em arte
e faz da arte oportunidade.
E eu te aprendi
entre poemas e músicas,
entre cafés e silêncios,
entre cigarros introspectivos - ou não.
E te aprendendo eu vi
que só me responde quando eu não te pergunto,
que o tato é o que menos te seduz,
que cria como quem respira
e que só café te acorda.
E foi assim que eu te gostei.
Gosto da tua sede.
Uma sede que não alucina,
impulsiona.
Gosto da tua gana.
Uma gana que não desarvora,
objetiva.
Gosto dos teus silêncios.
Porque eu também tenho os meus.
Gosto do teu cheiro.
Um cheiro que é de homem
e que também é de abraço.
Pois é.
Foi de olhos abertos que eu mergulhei.
E eu que me prometi
cuidado.
Flávia Côrtes - Novembro de 2010)
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domingo, 14 de novembro de 2010
O domingo que nós não fomos
Eu não te convidei a desenhar domingo.
Meio porque sabia que não viria
Meio porque te queria,
dessa vez,
senhor do lápis.
Ah, amor, será que você não vê
que tenho olhos poetas?
Nasci com olho que olha prá dentro.
Então, te digo um poema
te beijo
e te deixo
Então, me visto um poema
me beijo
e me deixo
E me vou
em cores
Em mágico domingo,
levo eu o lápis.
Novembro de 2010
Eu não te convidei a desenhar domingo.
Meio porque sabia que não viria
Meio porque te queria,
dessa vez,
senhor do lápis.
Ah, amor, será que você não vê
que tenho olhos poetas?
Nasci com olho que olha prá dentro.
Então, te digo um poema
te beijo
e te deixo
Então, me visto um poema
me beijo
e me deixo
E me vou
em cores
Em mágico domingo,
levo eu o lápis.
Novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Poema para um Poema Raso
Hoje
meu verso olhou para mim
Era belo o verso
Estampou-se
em meus olhos poetas
mudo
lindo
e nu
Poeta aplicada,
ofereci-lhe agrados.
Sedutora em minhas melhores metáforas,
divertida em minhas metonímias,
cortejei o meu verso.
implicante e belo verso
sem querer vestir palavra
Exagerada,
ameacei deixá-lo
com agressivas hipérboles.
Redundei-me em apelos,
esgotei-me em pleonasmos!
teimoso e belo verso
sem querer vestir palavra
Estava a ponto de deixá-lo,
quando me mostrou,
no fundo da retina...
uma imagem linda
de uma poça d'água
refletindo um rosto
enquanto a luz do sol
transpassava
translúcida
água
Tola e vaidosa poeta!
Novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Borboletas Idas
Magia dissipada,
vontade se esvai.
E se temos riso,
e se temos arte,
e se temos carinho,
a ti chamaria
amigo.
Será que temos?
(Flávia Côrtes - Outubro de 2010)
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domingo, 31 de outubro de 2010
Pedidos ao Vento
Você chegou
sem me contar que vinha
Entrou em meu mundo
como quem sabia
E eu me vi
te dizendo os versos
E eu te vi
soltando as rédeas
das tuas palavras
Me alçou pela mão
até uma nuvem-lenço
E me olhou por dentro
me adivinhando
sussurros d’alma
E me mostrou o seu mundo
estranhamente igual
e, por isso mesmo,
não estranho
Me convidou a entrar
Como não entrar?
Seria como pedir ao vento
para não ventar
Outubro de 2010
Você chegou
sem me contar que vinha
Entrou em meu mundo
como quem sabia
E eu me vi
te dizendo os versos
E eu te vi
soltando as rédeas
das tuas palavras
Me alçou pela mão
até uma nuvem-lenço
E me olhou por dentro
me adivinhando
sussurros d’alma
E me mostrou o seu mundo
estranhamente igual
e, por isso mesmo,
não estranho
Me convidou a entrar
Como não entrar?
Seria como pedir ao vento
para não ventar
Outubro de 2010
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