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terça-feira, 23 de novembro de 2010


E essa história me veio inteira na memória...

Quando eu tinha 12 anos, indo para a escola, um menino de rua cruzou comigo e me deu um olhar de raiva e um tapa. O tapa doeu. O olhar doeu. Nunca ninguém havia me odiado antes.

Minha mãe me contou que a raiva do menino não era de mim. Era de todo mundo. E que o tapa não era em mim. Era na vida. Eu não entendi bem o que eu tinha com isso, já que não me batizaram “Vida” e eu nunca havia machucado ninguém. Minha mãe me disse que um dia eu entenderia o menino e aceitaria os motivos dele.

Eu cresci. Entendi o menino. Os motivos...? Entender não é aceitar.

Novembro de 2010

Um comentário:

André disse...

Admirável a sabedoria da sua mãe, Flávia, admirável. Ela lhe ensinou a compreender e a tolerar coisas que, às vêzes, nos ferem e que, à primeira vista, não sabemos a causa. Os motivos de um tal gesto talvez que não se rsumam a ser um apenas, nem dois, mas vários. Todavia uma coisa é certa: é inaceitável que situações assim se perpetuem em um país com veleidades de ser um dia uma potência de prosperidade. E que a sociedade civil não deve ficar sempre à mercê do descaso do poder costituído pro ela mesma. Sempre foi hora de agir, mas agente deixa paramais atrde. Sempre. Infelizmente.

Muito oportuno e enriquecedor seu texto, Flavinha. Meus parabéns mesmo!!! espero que ele leve as pessoas a refletirem mais. Um grande beijo. André