Arquivo do blog

domingo, 31 de outubro de 2010

Pedidos ao Vento

Você chegou
sem me contar que vinha
Entrou em meu mundo
como quem sabia

E eu me vi
te dizendo os versos

E eu te vi
soltando as rédeas
das tuas palavras

Me alçou pela mão
até uma nuvem-lenço

E me olhou por dentro
me adivinhando
sussurros d’alma

E me mostrou o seu mundo

estranhamente igual
e, por isso mesmo,
não estranho

Me convidou a entrar

Como não entrar?
Seria como pedir ao vento
para não ventar

Outubro de 2010

Um comentário:

André disse...

Betty, lendo e relendo este seu texto foi que percebi que, de tão musical que é, ele se inseriria perfeitamente num contexto de letra de canção. (Vc não tem o telefone do Edu Lobo? *rs) O texto é claro, saboroso e com as plurissemias conhecidas de mim ("estranhamente igual e, por isso mesmo, não estranho") O terceto final é de antologia. Você em um dos seus melhores momentos. Perfeito! beijos.