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terça-feira, 24 de maio de 2011


A dualidade não me incomoda...
Na verdade, gosto.
Hoje, pelo menos, gosto.


Texto da Série - Devaneio pela Palavra

Flávia Côrtes -  Fevereiro de 2012
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Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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domingo, 22 de maio de 2011

Eu sei

Não me pergunta se eu te amo
A pergunta não é mais esta
Isso sempre foi certeza

Me pergunta se eu te quero
Não quero
Isso agora é certeza

Teu "não sei"
Virou certeza em mim

Maio de 2011



Confissão

Apesar
da tua roupa
ainda espalhada pela casa

e da tua presença
ainda espalhada em mim,

estou te recolhendo.

Uma hora, vai virar poema.

Por hora,
só
dói.

(Flávia Côrtes - Maio 2011)

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sábado, 14 de maio de 2011

Estranha Noite

E, de repente,
Enquanto eu te contava
De sonhos trazidos
Ao real,

Você me falava
Do que não sou
Capaz

Logo a mim
Que habituei-me
A não saber do impossível

Eu não sei bem
Como

o moço
Que me falava
De janelas

Uma noite
Coloriu de amarelo
Um desenho que era
Todo azul

Vem, amor,
Vem ver o desenho
Que agora é
Todo verde

Eu espero

Maio de 2011
O melhor lugar

O melhor lugar
Do mundo
Para esta poltrona
É aqui

Aqui
Onde a luz do dia
Me deixa ver
Que a página deste Drummond
É verde

É verde
E combina
Com a cor do meu vestido

Não me deixa esquecer, amor
O melhor lugar do mundo
É aqui

Maio de 2011
Yasmim

E você me levava
Em mágica viagem
De música
E cores

Ao alcance
De um toque
Descortinava
Um mundo

Um vôo
Na ponta dos dedos

E foi assim
Que uma noite
Se fez em mil

E foi assim
Que te vi

Aladdin
Em mim

Maio de 2011
Dispnéia

Porque se não me dou um tempo
para respirar o mundo

Eu sufoco

Maio de 2011
Despertar

Ela já estava acordada
Ou quase

A respiração ainda na mesma cadência do sono
E as pálpebras fechadas
mantinham a manhã do lado de fora

A consciência sonolenta
Fazia
Prazeroso o momento

A textura gelada do travesseiro sob os pés
O peso macio do edredom enrodilhado no corpo
O ronronar suave do ar condicionado sussurrando
Um verso

E o dia se vestiu de domingo
Para acordar
A poeta

Maio de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011



Apneia

E, mesmo quando eu estou
inteira em mim mesma,
conhece o caminho.

Sabedor das minhas marés,
mergulha em mar cristalino,
me descobre em calmaria,
me encontra em madrepérola,
me inspira
e submerge comigo.

Escondida em tua mão,
me faz presente
em nós dois.


(Flávia Côrtes - Abril de 2011)

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terça-feira, 29 de março de 2011

Filha do Vento

De olhos fechados
na varanda
me faço folha
ao vento

e o frescor
me invade
me leva
me toma
por dentro
e por fora

ruídos do dia
voam comigo
folhagem crepita
na ventania
que emaranha
os cabelos
e desembaraça
as entranhas

De olhos fechados
ao vento
me faço vela
à varanda

E a brisa
me infla
me solta
me move
me leva
por dentro
e prá fora

Suspiros do dia
viajam comigo
risadas
silêncios
murmúrios
sussurros

De olhos fechados
ao vento
me faço
varanda

Filha do vento
Flutuo ventania

Março 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011


Encaixe

Se quem pensou improvável
soubesse,
saberia inevitável.

Na figura do côncavo
e do convexo,
contrastes
se somam
e se integram.

E a tua luz
combina
as minhas sombras.

E o meu azul
espelha
o teu celeste.

E maciez suspira
na aspereza delicada
das mãos.
Provavelmente evitável.
Possivelmente improvável.
Completamente possível.

Irresistível.


(Flávia Côrtes - Março de 2011)
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quinta-feira, 17 de março de 2011


Peço-te

Descobri
Que não posso mais
Ter você em volta
Todo dia

Amo-te
E por isso peço-te
Vá

Peço-te
Com a certeza dos que amam
E se sabem amados
Vá

E ao te pedir
Já me dói tua ausência
Já anseio a tua
Chegada

Preciso que se vá
Para que possas chegar
De novo

Preciso que se vá
para que eu possa
te encontrar
De novo

Preciso que se vá
para que eu possa
me encontrar
De novo

Amo-te
E por isso peço-te
Vá

Volta prá mim

Março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011


Ilusionismo

A poesia mostrando
uma lua semi
escondida atrás de uma nuvem,
fazendo de conta que é cheia...

uma nuvem fingindo de montanha

Março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Jardim
Entre arbustos de muitos
verdes,
o caminho serpenteava
tardes

Março fazia
a copa baixa das Alamandas
pontilhar confetes amarelos
no chão.

O riso solto das crianças
dobrava cristalino
no ar.

E eu
espreguiçava
poentes.

Março de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011


Transformação

A palavra muda
a pessoa

Mesmo que você não queira
a palavra entra em você

Te invade ouvidos

Te percorre

Neurônio
Peito
Pensamento

E aí
Quando você percebe
Já leva dentro de si
Um pouquinho do outro

Agora mesmo
Nesse verso
Nesse poema

Percebe que me leva
um pouco?

Pois é
Vou contigo agora

Fevereiro de 2011

Independente

Eu não quero só que você
me queira
Quero que você goste
de me querer

Preciso que você me queira na sua vida.
Inteira.
E não apenas
o meu verso.

Quero ser teu amor
Menos que isso não me basta

Não quero ser teu vício
Tua dependência

Se sou seu vício
Então me diz

Que droga eu sou?!

Dezembro de 2010


Autoanálise

Não escrevo em autofagia.
Apenas em fagia mesmo.

Pela minha palavra,
devoro o mundo.

E meio que não me reconheço
se não transbordo
Poesia.



(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2011)
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Não fica triste

Não estou triste.
A palavra não é essa.

O que você sente
quando alguém que você gosta
age com você com total falta de zelo?

Decepção? Não.
Não sou tão crédula
a ponto de alguém conseguir me decepcionar.

Tristeza? Não.
Não sou tão boazinha assim...

Eu fico puta mesmo.

Dezembro de 2010

domingo, 20 de fevereiro de 2011


Linda e Lenta Manhã

O domingo trouxe
uma manhã clara
e quase fresca
de verão

Dessas manhãs tão lindas
e lentas
que simplesmente
não se vão

Sabe essas manhãs
que não correm
escorrem?

Dessas que se deixam
dentro do dia
inteiro?

Pois é.
Já vai prá mais de cinco
horas
e eu estou aqui
numa manhã linda e lenta
de domingo
conversando de tudos e de nadas
lagarteando varandas

Vai ser um por do sol lindo
o desta manhã!

Fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Deixo de Ser um Pouco

Manhã perfeita
de domingo
para desaprender
as coisas
com Manoel de Barros

E eu
que sempre
me soube

me deixo aqui
com Manoel
brincando de desnomear
as coisas
desbotando pensamento
até encontrar
o que era
antes do nome nomear

E me amanheço passarinhos

Fevereiro de 2011