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terça-feira, 29 de março de 2011

Filha do Vento

De olhos fechados
na varanda
me faço folha
ao vento

e o frescor
me invade
me leva
me toma
por dentro
e por fora

ruídos do dia
voam comigo
folhagem crepita
na ventania
que emaranha
os cabelos
e desembaraça
as entranhas

De olhos fechados
ao vento
me faço vela
à varanda

E a brisa
me infla
me solta
me move
me leva
por dentro
e prá fora

Suspiros do dia
viajam comigo
risadas
silêncios
murmúrios
sussurros

De olhos fechados
ao vento
me faço
varanda

Filha do vento
Flutuo ventania

Março 2011

Um comentário:

André disse...

Flavita,

malgrado o aspecto aéreo, mercuriano, virginiano, desses teus tão saborosos versos, eu sinto neles uma sutílima aragem de sensualidade. Esse desembaraçar e emaranhar de uns e outros, essa idéia constante de algo que esvoaça, que adeja, crepitar de folhas em turbilhão... sei lá, me parece uma coisa de zéfira, de azouga, de elfa que viaja numa perna de vento...

Filha do vento, tu flutuas poesia!

Beijos eólios, quase transparentes,

André