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segunda-feira, 20 de junho de 2011


Poema à Fidelidade

As pessoas
não são fiéis

Elas são felizes.

(Junho de 2011)

quarta-feira, 15 de junho de 2011


Poema para Quem não Perguntou

Se você tivesse me perguntado
Eu tinha te dito
Para não vir

Tinha te contado
Que estou em recesso
Feriado prolongado planejado

Mas você
Me aparece assim
Sem avisar

E eu agora, aqui,
Sem saber

Se te deixo entrar
E te peço para me esperar
Ou se te levo comigo

Ah, vai,
não me olha
com esses olhos de quem já sabe


Mania feia essa.
Sua mãe não te ensinou
A esperar convite?

Que bom.

Junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011


Cadê o encanto que estava aqui?


Antes do desapaixonar,
há o desencantar.

Junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011


Desperta

Acordar para mim
É lentidão

O corpo vem para o dia
Muito antes da mente
Chegar

É um momento
Em que sou muito mais
Sensação
Do que pensamento

Talvez por isso
Veja o verso tão melhor
Nessa hora

Eu me amanheço.

Junho de 2011

domingo, 5 de junho de 2011


Olhos de Ver

É que o meu olho
Alcança
Onde vive o
Teu sonho


Junho de 2011

Poeme-se!

Desenha
com o corpo
o poema

Gira
Com a rima
Na ponta dos dedos

Inspira
Respira
Transpira

Diz o verso
Desde o estômago

Deixa
Te percorrer

Poeme-se!

Junho de 2011

Textual

Minha poesia me garante
Que meus vazios
Nunca sejam lisos

Oco para mim
Vira tronco de árvore
E tem textura

Então, me deixo aqui
Redescobrindo o centro
Da cama

Porque meus sós
Um dia já me levaram
A pedra

Mas, hoje,
Só me levam
A passarinhos


Junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pingos

Explica mais nada, não
Meus "is" estão super bem
Sem os pingos

Já tem, nessa história,
Pingo demais
Para pouco "i"

Acredite
Nunca fiz questão de pingos
Prefiro que me inundem
Nunca me detive em poças
Me encantam corredeiras

Então, a esta altura,
Respingos?
Precisa, não

Maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011



Cosmopolita

Como toda mulher,
trago em mim
todas as mulheres
do mundo.

Ora te olho
com olhos de gueixa
e acato.

Ora te rio
e desarmo.

De nova-iorquina desencanada
a heroína mexicana
em minutos.

Prática,
exagerada.

Mulher.


(Flávia Côrtes - Maio de 2011)
www.poetaflaviacortes.com.br


Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.



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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Mexicana

Está bem.
Isso está, sim,
um tantinho exagerado.

Da próxima vez que acordar assim
preparo nachos.

Devaneio pela Palavra
Maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011


A dualidade não me incomoda...
Na verdade, gosto.
Hoje, pelo menos, gosto.


Texto da Série - Devaneio pela Palavra

Flávia Côrtes -  Fevereiro de 2012
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domingo, 22 de maio de 2011

Eu sei

Não me pergunta se eu te amo
A pergunta não é mais esta
Isso sempre foi certeza

Me pergunta se eu te quero
Não quero
Isso agora é certeza

Teu "não sei"
Virou certeza em mim

Maio de 2011



Confissão

Apesar
da tua roupa
ainda espalhada pela casa

e da tua presença
ainda espalhada em mim,

estou te recolhendo.

Uma hora, vai virar poema.

Por hora,
só
dói.

(Flávia Côrtes - Maio 2011)

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sábado, 14 de maio de 2011

Estranha Noite

E, de repente,
Enquanto eu te contava
De sonhos trazidos
Ao real,

Você me falava
Do que não sou
Capaz

Logo a mim
Que habituei-me
A não saber do impossível

Eu não sei bem
Como

o moço
Que me falava
De janelas

Uma noite
Coloriu de amarelo
Um desenho que era
Todo azul

Vem, amor,
Vem ver o desenho
Que agora é
Todo verde

Eu espero

Maio de 2011
O melhor lugar

O melhor lugar
Do mundo
Para esta poltrona
É aqui

Aqui
Onde a luz do dia
Me deixa ver
Que a página deste Drummond
É verde

É verde
E combina
Com a cor do meu vestido

Não me deixa esquecer, amor
O melhor lugar do mundo
É aqui

Maio de 2011
Yasmim

E você me levava
Em mágica viagem
De música
E cores

Ao alcance
De um toque
Descortinava
Um mundo

Um vôo
Na ponta dos dedos

E foi assim
Que uma noite
Se fez em mil

E foi assim
Que te vi

Aladdin
Em mim

Maio de 2011
Dispnéia

Porque se não me dou um tempo
para respirar o mundo

Eu sufoco

Maio de 2011
Despertar

Ela já estava acordada
Ou quase

A respiração ainda na mesma cadência do sono
E as pálpebras fechadas
mantinham a manhã do lado de fora

A consciência sonolenta
Fazia
Prazeroso o momento

A textura gelada do travesseiro sob os pés
O peso macio do edredom enrodilhado no corpo
O ronronar suave do ar condicionado sussurrando
Um verso

E o dia se vestiu de domingo
Para acordar
A poeta

Maio de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011



Apneia

E, mesmo quando eu estou
inteira em mim mesma,
conhece o caminho.

Sabedor das minhas marés,
mergulha em mar cristalino,
me descobre em calmaria,
me encontra em madrepérola,
me inspira
e submerge comigo.

Escondida em tua mão,
me faz presente
em nós dois.


(Flávia Côrtes - Abril de 2011)

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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terça-feira, 29 de março de 2011

Filha do Vento

De olhos fechados
na varanda
me faço folha
ao vento

e o frescor
me invade
me leva
me toma
por dentro
e por fora

ruídos do dia
voam comigo
folhagem crepita
na ventania
que emaranha
os cabelos
e desembaraça
as entranhas

De olhos fechados
ao vento
me faço vela
à varanda

E a brisa
me infla
me solta
me move
me leva
por dentro
e prá fora

Suspiros do dia
viajam comigo
risadas
silêncios
murmúrios
sussurros

De olhos fechados
ao vento
me faço
varanda

Filha do vento
Flutuo ventania

Março 2011