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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E como fica a questão do dinheiro?
Uma crônica da série “Ele diz... ela diz...”


Bem, pessoal, e se o assunto é dinheiro, está estabelecida a polêmica.

O assunto se divide em dois, na verdade.

1) Se o cara ganhar menos? Como fica o namoro? Aliás, há namoro?
2) Quem é que paga a conta afinal de contas?

Tenho amigas feministas xiitas que se ofendem até se o sujeito fizer menção de pagar um café. E há outras que não colocam as sandálias de tirinhas para fora de casa se tiverem que levar na carteira mais do que o batom e o celular.

Também é informação de domínio público que os homens se incomodam absurdamente de sair com mulheres que ganhem mais do que eles. Isso acontece até mesmo com aqueles que, por convicção ou pão-durismo, fazem questão de dividir os centavos no final do encontro.

Quanto à conta:

No primeiro encontro, sem dúvida, a conta é do homem. E contas de motéis, sempre. As demais, depende muito. Se ele ganha menos ou a mesma coisa que eu, vou me sentir mal em deixar que pague tudo sempre. Certamente, vou intercalar nos encontros, ao receber a conta, a frase "esta é por minha conta, está bem?" (odeio aquela coisa de ficar dividindo conta no final da noite). Se ele ganha muito mais, não me incomodo que pague, se fizer questão. Embora ache desnecessário, sei que há homens que não gostam de ter a conta paga pela mulher. Então, tudo bem.

Agora, vamos ao assunto que acredito ser mais polêmico: E se o homem ganha muito menos que a mulher? Alguma chance disso funcionar?


Quando comecei a escrever essa série de crônicas fiz uma pesquisa com amigas minhas e fiquei completamente surpresa com as respostas.

Em conversa objetiva entre amigas, descobri que as mulheres avaliam, sim, a condição financeira do homem. O que ouvi, na maioria dos casos, foram relatos de que, se for só para transar, isso não é importante. Agora, quando o assunto é namorar, a maioria pesa isso, sim. Dizem que namoram para construir alguma coisa e que não iam querer ficar sustentando ninguém.

Confesso que estou pasma até agora com os relatos que ouvi. Nunca tinha pensado que ouviria coisas desse tipo de pessoas carinhosas, inteligentes, independentes e modernas.

Para mim, não faz muita diferença a questão social propriamente dita. Eu preciso admirar a pessoa. Preciso sentir que posso me amparar nele. Não financeiramente. Eu ganho o suficiente para pagar as minhas contas. Não me importo que o cara pague, se isso o incomoda, mas não preciso que pague, na verdade.
Explico melhor. Preciso que seja um homem seguro. Isso está muito mais no tom de voz, no olhar, no gesto, naquilo que ele diz e faz. Mais que os atos, é o jeito como isso é feito. Atenção e gentileza cativam.

Eu já resolvo tanta coisa o dia inteiro. Já decido a vida de tanta gente... trabalho, amigos, família... é muito bom poder deixar que alguém seja o mais forte um pouquinho. Mesmo sabendo que não precisa. A gente não faz as coisas realmente boas porque precisa.

E eu não estou falando que o homem precise resolver nada para mim. Só é bom estar do lado de alguém que eu saiba que, se precisasse, resolveria. E que resolveria tão bem ou melhor do que eu.

Resolver o que? Sei lá. Estou falando de atitude. Não de problemas.

O problema é que homens ficam inseguros quando ganham menos que as mulheres. E pode anotar: homens ficam irritados quando se sentem inseguros.

Você vai notar um tom de voz irritado com coisas absolutamente corriqueiras.

E os reflexos vão da insegurança mesmo... ciúmes dos amigos, do trabalho, dos decotes... até à irritação pura e simples. Irrita porque você está trabalhando no domingo, irrita porque te ligam às onze da noite, irrita porque você sugeriu irem ver aquele show no domingo e comentou que a entrada é franca... e é claro que eu sei que não é isso que o está irritando. É a coisa toda.

Aí, já sei o que vai acontecer. Pode escrever aí: ele vai ficar incomodado em muito pouco tempo. Acredite. Incomodado de me ver gastando dinheiro. E eu gasto. Não tenho filhos, moro sozinha... por que não gastaria?

E o incômodo dele vai virar irritação. E isso vai me irritar também. Pronto. Tem jeito de dar certo?

Ah, pode ser também que ele simplesmente tome uma atitude de homem... e suma!

Então, a questão, para mim, não passa pelo tanto que ele ganha, entende? Mas pelo quanto isso impacta nele.

Sabe, é algo que eu nunca vou entender... o quanto essa coisa do dinheiro incomoda aos homens.

É tão irracional isso. E tão pouco criativo!

O Rio de Janeiro tem centenas de lugares interessantes que custam praticamente nada. Primeiros e segundos encontros não são problema. Qualquer mulher acharia encantador ser levada para ver o por do sol no Arpoador, por exemplo. Eu e você sabemos que 95% (estou chutando) dos encontros não passam do primeiro mesmo, não é?

E, se passar do segundo encontro... bem, namorar é muito mais barato que não namorar.

Namorados dormem um na casa do outro. Não precisam, necessariamente, ir a um motel. Namorados podem assistir vídeos, em casa, comendo pipoca de microondas... não precisam ir sempre ao cinema.
Namorados podem dançar juntinhos na varanda... não precisam, necessariamente, fazer isso numa danceteria.
Namorados podem cozinhar juntos conversando na cozinha... não precisam ir sempre a restaurantes.
Namorados podem se deitar na grama do aterro do flamengo e ficar em silêncio vendo as nuvens.
Namorados podem ficar juntos dentro da piscina do prédio abraçados por horas, sentindo a tarde e rindo por bobagens.
Namorados podem... nossa... podem tanta coisa que não custa quase nada!


Enfim, eu não sou muito parâmetro para traçar perfis de relações. Sim, sim, claro que faz diferença se o cara não ganha absolutamente nenhum dinheiro e não se importa com isso... vive desempregado e enche os seus dias assistindo Seção da Tarde.

Só que a probabilidade dele ser um homem assim, se eu estou saindo com ele, é quase nenhuma! Sim, porque, se me interessei, certamente, vi nos olhos um algo de determinado, carinhoso e bem humorado... há poucas chances de ser uma pessoa acomodada.

Então, que diferença faz se eu ganhar mais do que ele?!?

Vamos combinar que eu não estou pretendendo me casar tão cedo, certo? Já dei essa satisfação à sociedade. Por mim, namoro para sempre o mesmo cara... Então, tenho outras coisas para pensar, quando estou com um homem, do que se ele vai ter como pagar a escola dos nossos 3 filhos... risos

Enfim, o que eu espero na vida nem sempre é o que as pessoas esperam. Também é assim com o que espero das relações.

Por hora, para esta crônica não ficar maior do que já está, vou resumir em uma frase: "quero alguém que me aceite e me transborde".

E isso passa muito, mas muuuuuito(!) longe de grana!



Outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quando e onde?

Pela manhã
Entre lençóis e travesseiros
parando a manhã em arrepio
quando o dia ainda nem começou

No meio da tarde
Entre uma reunião e um projeto
abrindo um hiato de carinho
na correria do dia

Não importa
Sempre um prazer
estar com você

Sem quando
sem onde

Só prazer
Só querer
Só bem-querer

Outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010



Sarau de Dois

A gente se reconheceu.

Mesma linguagem,
mesmos costumes,
mesmas vontades.

Nos fizemos gueto.
Um sarau de dois.

Antes que eu percebesse, me leu inteira.
Antes que eu pedisse, me mostrou seus eus.
Antes que eu esperasse, repatriou-se em mim.

Chegou como quem volta.
Então, te recebo como quem espera. 

Bem vindo de volta, poeta.


(Flávia Côrtes - Outubro de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010


E quando o amor floresce, mas não enraíza?


Paixão Flor de Liz alada
alçou vôo de mim
tal borboleta
recém-saída do casulo

E se, desde menina, eu sei
que não se toca
em asas de borboleta,
acha mesmo, colibri,
que te prenderia à flor?

Então, voa,
meu amor,
mas não me olhes
com esses olhos
de até quando

Precisa mesmo
saber até quando?
Se já sabemos tanto
os por quês?

É porque ainda estou com o teu gosto em mim
E porque são tantas e tão fortes as interseções

E porque vamos do lírico
ao com-ple-ta-men-te não lírico
em segundos

E porque temos a mesma linguagem
E toda essa vontade

E porque as coisas que não vão até o final não terminam

Por tudo isso
e tão mais
Sigamos até o final

Outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010


Uau!

Estou aqui sem saber o que dizer
É simplesmente lindo
E completamente inusitado
E absurdamente forte
E absolutamente encantador
Pronto... acho que já disse!

Setembro de 2010

O verso nasceu imediatamente após ler um texto da minha amiga Mirea chamado "De quando vou-me... (
http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/2534888 )

Eu acompanho a Rosa (Mirea) por aqui desde que entrei no Recanto. O verso dela é daqueles que a gente lê e não cansa de reler... e que fica dizendo em voz... de tão tão tão tão lindo.

Inspirou-me versos, querida. Beijos, Flávia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Demais... ou só muito?

Hoje tranqüilizei um amigo que acha que ando trabalhando demais.

Verdade que as últimas três semanas foram muito atribuladas mesmo. E olha que para eu achar que está muito atribulado... uau!

É que já trabalho umas 10 horas por dia normalmente. Então, pode imaginar como foram essas semanas.

Achei carinhosa a preocupação. Sempre me emocionam amigos que cuidam.

Escrevi dizendo que vou ficar bem. Isso tudo é só um projeto, com data para acabar. Portanto, logo, logo, a vida volta ao normal.

Ok... confesso! O meu “normal”, no trabalho, também é acelerado. Só que isso não é culpa do trabalho. É culpa minha mesmo. É que eu não sei fazer nada moderadamente. É tudo muito. Por benção ou sina, eu não sei, mas sempre muito.

O trabalho me desafia e me instiga. E, se tudo o que me impacta, eu acabo fazendo muito, não ia ser diferente com trabalho... não mesmo!

A preocupação do meu amigo era que eu não deixasse, por conta disso, de viver.

E, em retribuição ao carinho e zelo, contei a ele. E conto para você!

Eu posso trabalhar 10, 12 horas por dia, 6 dias por semana, mas nem por isso deixo de fazer "muito" todo o resto também...

...vez em quando varo noite lendo um livro de cabo a rabo.

...volta e meia viro madrugada dizendo poemas até o sol clarear a beirada da noite.

...a qualquer hora que um amigo me diga "vamos não-sei-aonde-fazer-não-sei-o-quê", eu vou!

...manhã ou outra, me deixo ouvindo música... até que a música não me encha só ouvidos... me percorra corpo todo e me leve com ela pela casa.

... se não me apaixono por nenhum rapaz... que rapaz apaixonante é coisa escassa em tempos virtuais, onde as pessoas querem “tc com vc”... ah, então meu verso apaixona sozinho mesmo, que é para eu não deixar nunca de lembrar do encanto que se leva no olhar.

... a qualquer minuto, meu pensamento pára o mundo para eu olhar nuvem, transbordar olho no azul, contemplar passarinho, assistir risada de criança... e me dá de presente um átimo de encanto no meio da correria.

Verdade que, nessas últimas três semanas, não deu prá fazer nada disso. Com as 15 horas de trabalho, todo dia, que o tal projeto consumiu, o sono venceu a magia.

Só que isso é só um projeto. E já vai passar. E eu, com só 10 horas de trabalho...? Ah, esse tantinho eu tiro de letra!

Com esse tantinho
a poeta
invade
a gestora
a qualquer hora
a qualquer tempo
me dando
o tanto de lúdico
que eu preciso
prá me manter
lúcida.

Setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Pensamento Solto

E se teu beijo
me arrepia a pele

E se teu lábio
me tira gemido

Teu verso
me solta
o pensamento

Que corre solto
Antes do gesto

Setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nem poema... nem despedida

Eu queria escrever um poema
de despedida.
Mas não sou boa nisso

Não, não...
Em poemas, até sou.

Sou é péssima
Em despedidas.

É que eu dou tchau
Viro as costas
E sigo a vida

Mas
para sempre
levo a pessoa comigo

Por dentro.

Você não tem noção
da quantidade de gente
que eu trago aqui comigo

Então, querido,
acha um cantinho
e se acomoda.

Aprecia a viagem.

Setembro de 2010

Quanto ao amor... ah, o amor... se a gente não se preocupa com o tamanho, a duração, a perenidade, a finalidade, o destino... e vive só o desatino, o instante, o átimo, o suspiro, o arrepio, a poesia, o riso, o cheiro, o gosto, o vôo... é menos amor por conta disso?

Devaneio pela Palavra
Setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Entrelinhas

na página revelada
verso e reflexo

no verso espelhado
um olhar no pensamento

sorrio sob o teu verso
respira sob a minha palavra

desembaraçados
em nossas linhas

ressoamos
em rimas internas

ecos de um
em poema do outro

Setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Poema para Roberta

Ah, minha amiga
que prazer te ver
fazer o que maisgosta

Dá gosto!

Nem sei se gosto mais
Das idéias deliciosas
Dos aromas de dar suspiro
Dos sabores que águam a boca

Ou de te ver
abrir esse seu sorriso
E brilhar esse teu olho
Quando inventa
Concebe
Escolhe
Cria
Cozinha
Decora
Serve
E
Simplesmente
Encanta!

Homenagem à minha amiga Roberta que cozinha divinamente.
Roberta é uma daquelas amigas que cuidam, dão foco, te amam e te aceitam.
http://fonsecadiners.blogspot.com/

Esboço de mulher despertando

Deitada meio de lado... pernas entrelaçadas em travesseiros escapam para fora do edredom que, nesta manhã, cobrem apenas coxas e ventre... O seio esquerdo ainda dorme, aninhado num travesseiro... o direito se mostra para a manhã em arrepio... e foi o bico rosado suspenso no ar que acordou a poeta... pensamento solto... mas não em versos!

Agosto de 2010
Desplanejando

Tão bom isso que está acontecendo
Estar com você
Conversar com você
Transar com você
Rir com você
Ficar abraçada com você
Fazer amor com você

Bom demais isso tudo

Esse deixar acontecer
Esse não combinar
Esse não planejar

Tá tão gostoso assim

Eu já resolvo tanta coisa na vida
Não quero resolver a gente
Não quero que a gente siga por resolução

Prefiro que a gente siga por sentir
sentir vontade
sentir saudade

Quero que a gente siga por querer
querer estar junto
querer o outro
querer beijo
querer dizer
querer estar

Não por resolver...

Parece estranho?
Não sei se é estranho
Só sei que te quero

Setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema para um Amor-Borboleta

Efêmero
Belo
Livre
Encantador

Não se prende um amor assim
Não se planeja um amor assim
Não se evita um amor assim

E eu, que sempre fui fascinada por borboletas,
abri as minhas janelas
e me deixei invadir
em panapaná amarelo
de paixão

Setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010


Sobre Cubos de Gelo e Borboletas

Sinceridade mesmo?
Hoje eu acordei
precisando
de verdade
de você
entre as minhas pernas

Sim, sim...
Claro que eu queria
O abraço
O cheiro
O gosto
O beijo
O riso
A poesia

Mas, querido, acredite
tem dias
que uma mulher
também precisa
simplesmente
de um orgasmo múltiplo
com o seu homem

Mas fica tranqüilo
Está tudo bem
Uma tarde de sono
Um bolo de chocolate
Meia hora dando risada com um amigo no telefone
E está tudo bem

Então, eu te conto
Ainda não tem
cubos de gelo
dando voltas
dentro do estômago

Mas tampouco borboletas

E, sabe, sinto falta das borboletas.

Setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


Laboratório de Mim Mesma


Por que me pergunta
o que sou
e como sou?

Acha mesmo
que sei?

Está bem
Claro que sei

Sei do ontem
Das quimeras
e das feras

Sei das batalhas
das muralhas
e das quedas

Sei dos vôos
dos risos
e dos amigos

Eu sei das flores
E sei dos amores

E eu sei do hoje

Do que gosto
E não gosto
Do que quero
E não quero

Eu sei céu
Sei poema
Sei lua
E sei teu beijo

Mas, olha
Não me decora

Não se fie
no que sou hoje
para aprender
de mim

Porque eu
faço laboratório
de mim mesma

me experimento
me provo
me testo
me descubro

E reinvento!

Setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Flagra


Não escrevo
para que saibam

Se fato
misturado
em verso

Se verso
adivinhado
em vontade

se conto
e quando conto
não conto

escondo
disfarço

entre palavras
entre linhas
transito nua

metáforas
em nevoeiro

mas, sabe,
já quase
acostumada
a te encontrar assim
me olhando

meio como quem chega sem ser ouvido
me encontra saída do banho
ainda secando o cabelo
com a toalha

e eu
finjo
que não te vejo

mas o corpo
confessa
em respiração e arrepio

e você
finge
que não sabe

mas sabe

que gosto
quando
me lê

Setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


O Silêncio tem eco
E o que ecoa

Silencia

(Devaneio pela Palavra - Agosto de 2010)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Leão ou Leãozinho?


E ele se fez fera
em selva
de pedra

Para não ser caça
caçador

Para não ser presa
predador

e foi assim
felino
que me prendeu os olhos

Será que percebe,
leãozinho,
que
do meu jeito
também eu
sou felina?

Agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Sobre borboletas e janelas


E a poeta entregou o lápis ao artista
E deixou que ele desenhasse o dia
E ele coloriu a tarde com riso e ritmo

Então, o artista deu a mão à poeta
E caminhou com ela pelo centro de sua história

Esboçou na noite os ecos que desenharam o homem
Mostrou a ela as suas sombras
Contou a ela de suas janelas

Então, a poeta deu a mão ao artista
E disse a ele mais do que versos

Sussurrou na noite os ecos que compuseram a mulher
Mostrou a ele as suas sombras
Contou a ele de suas batalhas

E o artista levou a poeta por um via de luz
Para dentro de sua vida

E desenhou borboletas dentro dela

Agosto de 2010