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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Me beija. Mas não me beija só com a tua boca. Me beija com o teu corpo. Me beija o pensamento. Me beija bem fundo. Tão profundo... até o mundo sumir devagarinho... até o pensamento desmanchar no tempo. Até que tudo seja só beijo e corpo.

Devaneios pela Palavra
Outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Poema para Paloma

Minha querida, especial e intensa amiga Paloma leva pela vida um nome de paz.

As mães são sábias... pressentem os destinos dos filhos...
E em atitude de amor e instinto
Presenteiam a estes com nomes... como se desejos maternos fossem.

Imaginaria essa mãe, no primeiro grito da menina, o quão visceral seriam todos os outros?
Já sentia essa mãe, quando a menina sugou no seu peito o primeiro leite, a força e a intensidade com que sorveria cada minuto da vida?

E a menina ganhou um nome branco... nome de ser que voa.
Abre suas asas, Paloma... voa.

Setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009



E quando não der para ser feliz o tempo todo?

Quando não der para ser feliz em todo o tempo,
seja feliz por uma tarde,
feliz pela manhã.

E, se não der para ser feliz por tanto tempo,
seja feliz por uma hora,
feliz por um momento,
feliz por um minuto,
feliz num pensamento.

E se não der para ser feliz
nesse minuto,
seja feliz por um segundo.

Que uma hora,
o segundo vira minuto,
 e o minuto vira hora,
até a hora virar manhã.
e a manhã encontrar a tarde.

E tudo ficar bem.
De novo.


(Flávia Côrtes - Setembro de 2009)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Quero deixar você me olhar.
Porque o seu olho precede o seu beijo.
E seu olhar isenta a palavra.

Seu olhar solta o meu pensamento no vento.
Solta também o seu, amor.

E ficamos aqui.
Nesta noite.
Sem dizer nada.
E dizendo tanto.

Setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009


O tempo para os amigos não é...

Já notaram que amigos de verdade
raramente se reencontram
falando em “quanto tempo”?

Se disserem algo,
dirão apenas "que saudade”.

É que o tempo, para os amigos,
não é o mesmo que acontece
para as outras pessoas.  

Para um amigo, dez anos viram 10 minutos em um reencontro.
E os anos magicamente se fundem em um único abraço.

Uma hora rindo com um amigo
faz mais feliz
do que muitas horas sorrindo
com outras pessoas.

Um momento mergulhado no abraço de um amigo
consola mais
do que um dia de condolências
de outras pessoas.

Um instante no olhar de um amigo 
conta mais
do que uma hora de palavras
para outras pessoas.

As horas conversando com um amigo
não acontecem
para entendimento.
Para isso, um olhar e um segundo bastariam.

E, é assim, que semanas sem notícias de um amigo
são dissolvidas no primeiro olhar.

Porque, diferente da paixão, que anseia e duvida, 
a amizade é um amor que entende e sabe. 

Setembro de 2009
Falando sobre os meus amigos...

Eu tenho algumas tribos. Alguns amigos de infância e da adolescência. Irmãos que viraram melhores amigos. Amigos que são uma família. Amigos que eram amigos de amigos... e que agora são meus. Alguns amigos da faculdade. Algumas poucas pessoas do trabalho. O pessoal da Poesia. E amizades que não fazem parte de grupo algum, gente que eu fui conhecendo pela vida.

São as minhas pessoas. É uma gente bem humorada, apaixonada, intensa e carinhosa. E com gostos, histórias de vida e disponibilidades as mais variadas.

Eu tenho amigos que conheço da vida toda. E a vida tem sido melhor por conta deles.

Tenho amigos que sabem rir. Já riram comigo, riram para mim, riram de mim e riram de si mesmos. São pessoas com quem eu quero rir todo o meu riso.

Tenho amigos que sabem brigar. Já brigaram por mim, brigaram comigo, brigaram com os meus demônios. São pessoas por quem e com quem eu enfrento qualquer dragão.

Tenho amigos que sabem o que fazer com silêncios. Já me respeitaram e já me invadiram. Mas sempre estiveram ali.

E tenho amigos que conheço há tão pouquinho tempo. E já sei que a vida vai ser melhor por conta deles. São amizades à primeira vista. Amigos com quem eu tenho tanto o que rir junto e chorar junto... Por eles o sentimento não é menor. Só mais novinho. Precisa de tempo.

Amizades são como amores, vão amadurecendo, enraizando, florescendo, a cada dia. E eu cultivo as minhas.

Agosto 2009
(Esse texto faz parte do grupo de crônicas que eu estou chamando de "Impressões sobre a Vida"... não sei se vou colocá-las no blog, ou se ficam na caixa... mas este, publico como um presente a todos os amigos que me acompanham por aqui.)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mágica e estranha a sina do poeta.
Ver o mundo virar palavra.
Deixar o olho fotografar a vida.
Digerir todo dia a si mesmo.

Sentir o ar se encher do sentimento mudo.
E esperar.

Esperar para ver se o verso veste palavra.
Esperar até as palavras rodearem devagarinho.

Até o texto vir inteiro e forte.
Até as palavras se esparramarem, cristalizadas, no papel.

E, enfim, ser igual a toda gente.

Agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Descompassos
Era época de falar de planos, projetos, valores
e cá estou eu a te contar de sonhos, suspiros e vontades.

Era época de te perguntar o que você faz, onde estudou, o que planeja
e cá estou eu te perguntando o que te encanta, instiga e desafia.

Era época de eu te falar do trabalho, da família, dos amigos
e eu me encontro te falando do que contenho e excedo.

Era tempo de eu querer saber onde mora, se tem um hobbie
e eu me encontro querendo saber o que tem esperado, suspirado, transpirado.

Era tempo de contar o que fiz ontem
e cá estou eu te contando do meu lugar do sonho e de como escolho livros.

Era tempo de saber o que vai fazer hoje
e eu me encontro querendo saber o que te faz feliz.

O tempo era de ser educada e simpática
e eu me vejo contando hábitos estranhos ao mundo,
te falo sobre poemas ditos na varanda,
mostro as metáforas que pulsam nas minhas palavras.

Mas o tempo
fundiu minuto em hora
no momento em que o espelho refletiu.

E a época
abriu o espaço
no instante em que nos reconhecemos.
Agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O lugar do sonho é aquele que fica impresso na retina no momento exato em que você olhou para ele. Basta um olhar e a imagem fica guardada na alma. E brinca de vez em quando com a sua vontade.

O legal é que o lugar do sonho pode mudar. Porque se você é dessas pessoas que, como eu, têm mania de trazer sonhos para a realidade, uma hora dessas o lugar vai sair do sonho para entrar na lembrança... com todas as suas cores, sabores, sons, cheiros e toques. Vai deixar de te arrancar suspiros para te trazer sorrisos.

A primeira vez que isso me aconteceu eu fiquei quase triste. Senti falta de sonhar acordada com o lugar. Mas isso durou pouco... só até ver pela primeira vez o meu lugar do sonho. Um lugar que parece um pedaço do céu grudado no chão e que tem um nome que lembra manhãs de domingo.

Julho de 2009










quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não é com você... é comigo. Não é comigo... é com você. Relaxa. Não é com a gente. Só não é.

Trabalho, família, momentos... nada disso nunca foi motivo para não viver, não fazer... sem saber, sem poder... O único motivo é não querer. Fácil e simples. Não precisa explicar. Não precisa entender. Não precisava nem dizer.

Então, relaxa. Sedutor é o reflexo. Encantador é o eco. Se você não quer... como posso eu, então, querer?

Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Estranho Domingo


O domingo acordou mudo. Acordei cedinho e, como de costume, fiquei ouvindo o silêncio e esperando. As palavras não vieram.


Eu sabia, desde a hora que acordei, que não viriam... mas esperei assim mesmo. Assim como quem espera ligação de namorado novo. A gente sabe que não vai acontecer, mas espera. E a espera também é boa.


Deu vontade de dar uma ligadinha para as minhas palavras. Eu não sou muito boa nessa coisa de esperar. Mas aí, lembrei que tinha que ir ao mercado e saí para o meu domingo. Estranho e mudo domingo.


Agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009


Abri a porta para você. Verdade que eu só queria te ver um pouco. Mas você chegou aqui e me olhou desse jeito que só você olha. E me tocou desse jeito que ninguém mais toca. Teu toque derreteu o tempo e fez da hora a certa.

Eu te vi ir antes mesmo de você sair. Tudo bem. Eu que te deixei entrar. Então eu deixo você ir. Me faz um favor, vai. Encosta a porta para mim quando você sair.

Julho de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

Nem toda ordem coloca as coisas em seu lugar.

Arrasta para o centro da sala a sua cama. Troca as cortinas. Esvazia as gavetas. Tira do armário os lençóis novos. Joga fora os sapatos velhos. Compra uma cafeteira nova. Coloca um vaso de flores no banheiro. E pendura quadros novos nas paredes.

Se não funcionar...

Arrasta para o centro da cama as suas gavetas. Tira as cortinas. Joga fora os lençóis. Esvazia a cafeteira. Coloca na geladeira os sapatos velhos. E tira do armário as flores.

Julho de 2009
Brincando de Réplicas com a minha amiga Alice
Confiram o poema que gerou este:
http://loucurasfemininasdealice.blogspot.com/2009/07/alguma-coisa-esta-fora-da-ordem-na.html

Viro, eu também, o espelho através do vidro.

Que gosto é esse pelo abismo? Que atração é essa pela queda? Olhamos pela encosta, qual asnos, hipnotizados. A certeza do impacto não reduz, em nada, a sedução do vôo.

Nossa fragilidade nos fortalece. Nossa incoerência nos seduz. Relevamos a nós mesmos, mas também ao outro. Revelamos a nós mesmos, mas raramente ao outro. Perdemos a nós mesmos e também ao outro. Mas seguimos.

Julho de 2009
Este escrevi para um amigo que tem o desconcertante hábito de me virar espelhos de repente. Alguns, inclusive, em que eu ainda não tinha olhado.



A vontade de você é sem expectativas e sem espectros.

É gostoso conversar com você.
Gosto quando você me conta das suas histórias e das suas vitórias.
Te falo das batalhas que briguei por dentro.
Te conto dos medos que venci sozinha. 
Entendo quando você me conta dos seus receios e dos seus defeitos.
A gente se reconhece.

Te deixo me beijar por dentro e aprender meus beijos.
Aprendo o teu abraço.
Gosto quando você me olha, me vê e me traduz.
Gosto de olhar para você, bonito e nu,
contando para mim das coisas que você ama.
A gente se seduz.

Gosto de saber que posso me amparar em você,
mas que você sabe que isso vai ser muito raro.
E que não se incomoda com isso.

É bom me encontrar em você.

E é muito bom saber
que você sabe
que, se precisar, eu me perco de você.

Só não sei me perder de mim.


Flávia Côrtes - Julho de 2009
www.poetaflaviacortes.com.br
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domingo, 26 de julho de 2009


Tô me lambuzando em letras.

Acordei de manhã com vontade de letra. É uma mistura isso. É uma fome de poesia que vem junto com sede de música.

Liguei a música e fui passear nos versos da Adélia... inútil isso... não dá para sentir poesia ao mesmo tempo que se ouve música... embaralham as palavras umas com as outras... não combinam os sons...

Então, fiquei com as melodias gracinhas da Zélia, que vêm com letras que dão vontade de correr para a varanda e músicas que fazem o corpo se movimentar sozinho, suavemente, enquanto a mente esvazia da letra e se enche do som.

Julho de 2009
(manhã chuvosa de domingo... lendo, dizendo, ouvindo e sentindo "Pelo Sabor do Gesto")

Para quem também quiser:
http://www.radio.uol.com.br/#/busca/album/Pelo Sabor do Gesto Sabor do Gesto

quinta-feira, 23 de julho de 2009



Cética

Eu sei do teu desejo.
Só não espero a tua vontade.
Não espero eco.

Não por não querer, só por saber.
Ainda assim, mostro.
Mais que mostro, conto.

Não calo o que abala.
Não escondo sorrisos.
Não abafo suspiros.
Se te quero, eu digo.
Se sinto, eu falo.
Se me quer, 
acostuma.  

Mas saiba:
muito pouco me abala.

Derreto no teu beijo, me desfaço no teu toque.
Mas se não me seduz, não me cativa.
Se não me desafia, não te guardo.
Se não me instiga, não me tem.

Eu quero que você vença.
Mas não vou te deixar ganhar.

Então,
duvido.

Flávia Côrtes - Julho de 2009

www.poetaflaviacortes.com.br
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
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A frase não tinha nem mesmo formado palavra quando deslizou suavemente por ela. Foi buscá-la no sonho. Acordou e ficou olhando o alvorecer do verso. Era um desses versos que prefere não vestir palavra. Que fica olhando para você nu. Ficaram os dois ali se olhando, tranqüilos e nus. Tinha um quê sacana aquele verso. Se estivesse com mais tempo, dobrava-o.

Julho de 2009 – minutos antes do som do despertador me arrancar da cama

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Meu avesso também é direito.

Dia desses, uma amiga cobrou-me explicações sobre as minhas incoerências. Difícil resposta essa. É mais umas daquelas coisas tão complicadas de explicar que fujo da resposta com um sorriso. Cansa-me um pouco explicações antecipadamente incompreendidas. Prefiro guardá-las comigo.

É que tem a questão da intensidade. E tem a coisa da vontade.

Não sei viver as coisas de outra forma que não seja muito. Faço intensamente. Vivo inteiramente. Sofro profundamente. Meu riso não é metade. Meu choro não é contido. Se me fecho, eu tranco. Se me abro, eu mostro. Eu me permito. Me perco na minha vontade e nela também me encontro. Meu gozo é onda.

Tem sempre um sorriso chegando ou saindo. Ou, então, grudado nos olhos. Mas vivo as minhas tristezas. Plenamente. E, às vezes no mesmo dia, as guardo.

Eu choro a minha lágrima para fora. Se você nunca viu é porque preciso de privacidade para chorar. Preciso de liberdade para me derramar. Irrita-me um pouco esse ímpeto que as pessoas têm de secar a lágrima e interromper o pranto. Se um dia eu chorar na sua frente, não me consola, vai. Ou chora comigo ou, então, me abraça. Mas me deixa chorar.

Eu acho sempre com muita propriedade. Coerente, articulada, decidida, equilibrada. Não fosse a vontade... nem sempre o que eu quero é igual ao que eu acho.

Decido que espero você me ligar. E espero. Até a vontade de ouvir a sua voz me fazer quebrar o protocolo. E quebro. Acho melhor não te contar de mim. E não conto. Até você me olhar por dentro, desse jeito que você faz, e me dar essa vontade de te dizer. E digo. Resolvo que não faço. E não faço. Até a vontade me encontrar de novo. E faço. Sei que é melhor não te deixar ir além. E não deixo. Até a vontade chegar de mansinho. E peço.

A dupla face não é máscara. É o meu avesso. Mas sou eu.

Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A quarta-feira me despertou com vontades de domingo. O perfume escolheu o ponto do beijo, o baton previu o sorriso, o vestido antecipou o olhar... Ainda não sei se foi a manhã que fez domingo em mim, ou se fui eu que seduzi a manhã.
Julho de 2009