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segunda-feira, 13 de maio de 2013



Azul Rendado


Os olhos da mulher buscavam
o céu azul por trás
da delicada renda branca
das nuvens.

As mãos do homem descobriam
a pele branca por baixo
da delicada renda azul
da mulher.


A cidade abaixo.
A paixão acima.

Em renda, agora vermelha,
dois incendiavam
o poente.

A noite soprou o sol
e acendeu luzes douradas
dentro deles.

Flávia Côrtes - Maio de 2013 





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quinta-feira, 9 de maio de 2013


Querer é fácil?

Talvez.
Mas essencial.
Sem querer, não há poder.

O vento e as velas
podem te conduzir,

mas é a força da tua vontade
que não te deixa
à deriva.

(Flávia Côrtes - Maio de 2013)

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Fórmulas

Nada é tão simples assim.

Um cheiro de café
não é só um cheiro de café.
É um sabor de pausa,
um desacelerar,
uma renovação.
2% de cafeína
diluída em outras substâncias
não explicam isso.

O gosto da água
não está escrito
em insossas enciclopédias.
É o avesso da sede.
Um alívio,
um frescor.
2 átomos de hidrogênio
abraçados a oxigênio
não contam isso.

Um feijão de mãe
nunca precisou de mais do que
alho, sal e cebola
para ser inesquecível.

O olhar do teu amigo
dispensa legendas.

Então, porque este esforço todo
para entender
100% do que
sente
ou quer?

Não precisa ser
tão complexo
assim.

Viva!

(Flávia Côrtes - Maio de 2013)

domingo, 28 de abril de 2013



(C)oração

Que a sua boa intenção
jamais ofusque
o seu bom senso.

Porque desde que o mundo é mundo
enche-se o inferno
de boa vontade.

Que a sua boa vontade
não te leve
à indelicadeza.

Se levas flores no peito,
não esqueças
de descalçar os coturnos.

Porque não é de hoje
que marcham exércitos
sobre terras santas.

Abençoadas as mães
que ensinam aos filhos:
"Obrigado!"
"Por favor!"
E "Desculpe-me!"

Lembra, então, Coração:
"Como é que se fala...?"


(Flávia Côrtes - abril de 2013)

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quinta-feira, 25 de abril de 2013



Motivos


Uma vez me perguntaram

porque eu amava alguém.

Deixei em branco a questão.


Se eu soubesse o motivo

era mais fácil desamar.

Eu só amava.


É que vida não é coisa de pensar

é coisa de viver.

A boa nova
é que a lua está bonita hoje
e fez luar em mim.

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)

quarta-feira, 24 de abril de 2013



Vermelho-Céu

A saudade incendiou
as asas douradas da manhã
e tingiu de um vermelho poente
o raiar do dia.

A cidade sonolenta não viu
e, então, não precisou entender
o crepúsculo que incendiou o azul 
naquela manhã de outono.

Apenas dois
sabiam.

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)






segunda-feira, 22 de abril de 2013


Nove Luas

Toda mulher,
não importa a idade,
leva dentro de si tantas
e tão outras.

Diferentes de si mesma.
E, ainda assim,
a mesma.

Ainda que o mundo
a veja uma,
toda mulher é muitas.

Algumas vezes,
ela mesma,
acostumada que é ao espelho,
fixa-se por muito tempo
em apenas uma das faces.

E assim se mostra a todos.
Inclusive a si mesma.

Mas um ser que sangra
ou pari
em diferentes fases da lua
e que tem um corpo-casulo,
ainda que não saiba,
ainda que não queira,
muda.

Toda mulher é mãe de si mesma.

Mais dia, menos dia,
se concebe outra.

Mais ano, menos ano,
gesta-se novamente.

E, em uma noite dessas,
numa lua assim,
no quarto da velha,
a dor, o grito e o choro
viram riso.

Olha!
É uma menina!


(Flávia Côrtes - 22 de abril de 2013 às 12:20h)

domingo, 21 de abril de 2013


Proximidade

Talvez um pensamento não chegue
tão perto
e tão terno
quanto um abraço.

Mas só talvez.

(Flávia Côrtes - 21 de abril de 2013, às 23:24h, para minha amiga Nina, com carinho)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Décima segunda badalada



Se não funcionou quando havia encanto,
vai funcionar depois do desencanto?

Assim como o caminho
começa no caminhar

e o movimento
movimenta,

o que não evolui
atrofia.

(Flávia Côrtes - abril de 2013)



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Onde toda palavra é permitida.

Como beijo sonolento e terno
apagando um sonho ruim.

Como suspiro profundo e lento
em poente de um dia difícil.

Como corpo estirado na grama
completada a maratona.

Existe sempre um hiato
e um tempo possível
para aqueles que se sabem.

Porque querem.

(Flávia Côrtes - abril de 2013)

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Não Gostos.

Acordar com pressa.
Adoçante em gotas.
Esmalte roxo.
Gelatina amarela.
Salada de agrião.
Barulho.

Não era para ser um poema.

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)

quarta-feira, 3 de abril de 2013


Poderia ser um beijo.

Quem sabe um desses
que desenham antes o contorno da boca
decorando a textura
e adivinhando a alma.

Ou, ainda, um desses
que levam mãos aos ombros
esvoaçando o toque
e dissipando o pensamento.

Lábios provados bem devagar.
Toques quase sem língua.
Ainda.

Um gosto de quase.
Prenúncio de muito.
Respiração suspensa no ar.
Vertigem.

Um beijo
que beija mais que a boca
que desalinha mais que a roupa.

Seria este um beijo assim?

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)
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segunda-feira, 1 de abril de 2013



Cem metros, mas não rasos.

A tarde era menina
e, ainda assim,
precedia a noite

onde a lua
era cheia.

Fossem os beijos menos intensos
e, quem sabe, a chuva menos forte,
talvez tivéssemos esperado mais.

Consumidos e insones ,
iluminamos, porém,
a noite clara.

Etapas às chamas!


(Flávia Côrtes - Abril de 2013)

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quinta-feira, 21 de março de 2013



Bobagens ou Reflexões Insones


Portões e inícios
se namoram.

Costumava achar
que não se faz furacão em
calmaria.

Toda tempestade respinga.
Mas nem toda gota
água.

E se o Mar é masculino,
porque a Onda é fêmea?

Agora eu posso
dormir.

(Flávia Côrtes - março de 2013)
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segunda-feira, 18 de março de 2013


Simples, mas não fácil.


Há o que a gente acha
e o que simplesmente é.

Há o que a gente resolve
e o que simplesmente sabe.

E há o que a gente quer
e o que simplesmente não quer.

Os motivos do querer e do não querer
não são racionais
ou cognitivos.

Não dariam uma tese de mestrado,
não caberiam numa dissertação,
e eu ainda não sei se cabem
em um poema.

Quando a gente não quer,
motivos brotam.

E, quando a gente quer
de verdade,
aos "nãos",
terra!

(Flávia Côrtes - março de 2013)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013



Pétala

Teu beijo verde
plantou-me um lilás

no lado esquerdo
do peito.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)







 





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


E se?

Triz.
Quase.
Acaso.

Algumas das coisas
mais relevantes da vida
podem estar
no parapeito de um Quase.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Assombros

Caminhava contra o sol, quanto atentou à sombra. Era vívida e movia-se com graça. Talvez com mais graça até do que ela, humana e desgrudada do chão, teria ao mover-se. Um xale em sombra movia-se em volta da figura leve e solta que caminhava a sua frente.

Era difícil prestar atenção ao caminho e à sombra ao mesmo tempo . Por isso ela parou. Para observar melhor.

E, foi só parar, para que a sombra perdesse o encanto. Virou uma coisa escura fixa ao chão. Um fantasma inerte.

Deu um sorriso e seguiu o seu caminho, espiando, de vez em quando, a imagem viva que caminhava livre ao seu lado, levemente solta de si mesma.

Algumas coisas só acontecem plenamente quando não estamos prestando atenção.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)



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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013



Brincadeira de Roda

Eu bem queria escrever-te um verso de saudade.
Eu mal queria...

Não.
Bem mais queria
tirar-te do peito,
na verdade.

E só me ocorrem
umas rimas pobres,
uns versos reescritos,
uns poemas já ditos.

Não me leve a mal.

É que, em algum momento,
a brincadeira de roda
virou roleta

russa.



(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)



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domingo, 17 de fevereiro de 2013



Maior que o Céu

Tem um amor diferente
de todos os amores
cantados e encantados
em poemas e canções.

Um amor
com gosto de bala,
cheiro de bolo no forno,
e som de risadas na madrugada.

Tem lembrança
de roupa emprestada
e segredos inconfessáveis.

Tem lealdades imensas
e implicâncias constantes.

Quem segurou a minha mão tantas vezes?
E escondeu aranhas atrás da porta do banheiro?

Quem brincou comigo de peixaria com as folhas das amendoeiras?
E sacudiu os potinhos da minha coleção de casulos de borboletas?

Quem brigou por mim no recreio se me roubaram a bola?
E passou um verão colecionando fios arrancados dos meus cabelos?

E quem mais me liga no meio do dia
e me chama de querida
num tom tão doce e terno
que me transborda o peito?

É um amor misturado.

ora amiga
ora filha
ora mãe
ora confidente
ora cúmplice

Intercala-me
protegida
e protetora

esse imenso
amor
de irmãs.


(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)
Para Adriana Côrtes, com amor. Amo você. Mais que o céu.