mas é a força da tua vontade que não te deixa à deriva.
(Flávia Côrtes - Maio de 2013)
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Fórmulas
Nada é tão simples assim.
Um cheiro de café não é só um cheiro de café. É um sabor de pausa, um desacelerar, uma renovação. 2% de cafeína diluída em outras substâncias não explicam isso.
O gosto da água não está escrito em insossas enciclopédias. É o avesso da sede. Um alívio, um frescor. 2 átomos de hidrogênio abraçados a oxigênio não contam isso.
Um feijão de mãe nunca precisou de mais do que alho, sal e cebola para ser inesquecível.
O olhar do teu amigo dispensa legendas.
Então, porque este esforço todo para entender 100% do que sente ou quer?
Não precisa ser tão complexo assim.
Viva!
(Flávia Côrtes - Maio de 2013)
domingo, 28 de abril de 2013
(C)oração
Que a sua boa intenção jamais ofusque o seu bom senso.
Porque desde que o mundo é mundo enche-se o inferno de boa vontade.
Que a sua boa vontade não te leve à indelicadeza.
Se levas flores no peito, não esqueças de descalçar os coturnos.
Porque não é de hoje que marcham exércitos sobre terras santas.
Abençoadas as mães que ensinam aos filhos: "Obrigado!" "Por favor!" E "Desculpe-me!"
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
Motivos Uma vez me perguntaram porque eu amava alguém. Deixei em branco a questão. Se eu soubesse o motivo era mais fácil desamar. Eu só amava. É que vida não é coisa de pensar é coisa de viver. A boa nova é que a lua está bonita hoje e fez luar em mim. (Flávia Côrtes - Abril de 2013)
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Vermelho-Céu A saudade incendiou as asas douradas da manhã e tingiu de um vermelho poente o raiar do dia. A cidade sonolenta não viu e, então, não precisou entender o crepúsculo que incendiou o azul naquela manhã de outono. Apenas dois sabiam. (Flávia Côrtes - Abril de 2013)
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Nove Luas
Toda mulher, não importa a idade, leva dentro de si tantas e tão outras.
Diferentes de si mesma. E, ainda assim, a mesma.
Ainda que o mundo a veja uma, toda mulher é muitas.
Algumas vezes, ela mesma, acostumada que é ao espelho, fixa-se por muito tempo em apenas uma das faces.
E assim se mostra a todos. Inclusive a si mesma.
Mas um ser que sangra ou pari em diferentes fases da lua e que tem um corpo-casulo, ainda que não saiba, ainda que não queira, muda.
Toda mulher é mãe de si mesma.
Mais dia, menos dia, se concebe outra.
Mais ano, menos ano, gesta-se novamente.
E, em uma noite dessas, numa lua assim, no quarto da velha, a dor, o grito e o choro viram riso.
Olha! É uma menina!
(Flávia Côrtes - 22 de abril de 2013 às 12:20h)
domingo, 21 de abril de 2013
Proximidade
Talvez um pensamento não chegue
tão perto
e tão terno
quanto um abraço.
Mas só talvez.
(Flávia Côrtes - 21 de abril de 2013, às 23:24h, para minha amiga Nina, com
carinho)
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Onde toda palavra é permitida.
Como beijo sonolento e terno apagando um sonho ruim.
Como suspiro profundo e lento em poente de um dia difícil.
Como corpo estirado na grama completada a maratona.
Existe sempre um hiato e um tempo possível para aqueles que se sabem.
Porque querem.
(Flávia Côrtes - abril de 2013)
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Não Gostos.
Acordar com pressa. Adoçante em gotas. Esmalte roxo. Gelatina amarela. Salada de agrião. Barulho.
Não era para ser um poema.
(Flávia Côrtes - Abril de 2013)
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Poderia ser um beijo.
Quem sabe um desses que desenham antes o contorno da boca decorando a textura e adivinhando a alma.
Ou, ainda, um desses que levam mãos aos ombros esvoaçando o toque e dissipando o pensamento.
Lábios provados bem devagar. Toques quase sem língua. Ainda.
Um gosto de quase. Prenúncio de muito. Respiração suspensa no ar. Vertigem.
Um beijo que beija mais que a boca que desalinha mais que a roupa.
Seria este um beijo assim?
(Flávia Côrtes - Abril de 2013) www.poetaflaviacortes.com.br
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Cem metros, mas não rasos.
A tarde era menina e, ainda assim, precedia a noite
onde a lua era cheia.
Fossem os beijos menos intensos e, quem sabe, a chuva menos forte, talvez tivéssemos esperado mais.
Consumidos e insones , iluminamos, porém, a noite clara.
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Bobagens ou Reflexões Insones
Portões e inícios se namoram.
Costumava achar que não se faz furacão em calmaria.
Há o que a gente resolve e o que simplesmente sabe.
E há o que a gente quer e o que simplesmente não quer.
Os motivos do querer e do não querer não são racionais ou cognitivos.
Não dariam uma tese de mestrado, não caberiam numa dissertação, e eu ainda não sei se cabem em um poema.
Quando a gente não quer, motivos brotam.
E, quando a gente quer de verdade, aos "nãos", terra!
(Flávia Côrtes - março de 2013)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Pétala
Teu beijo verde plantou-me um lilás no lado esquerdo do peito.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
E se? Triz. Quase. Acaso.
Algumas das coisas mais relevantes da vida podem estar no parapeito de um Quase.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Assombros
Caminhava contra o sol, quanto atentou à sombra. Era vívida e movia-se com graça. Talvez com mais graça até do que ela, humana e desgrudada do chão, teria ao mover-se. Um xale em sombra movia-se em volta da figura leve e solta que caminhava a sua frente.
Era difícil prestar atenção ao caminho e à sombra ao mesmo tempo . Por isso ela parou. Para observar melhor.
E, foi só parar, para que a sombra perdesse o encanto. Virou uma coisa escura fixa ao chão. Um fantasma inerte.
Deu um sorriso e seguiu o seu caminho, espiando, de vez em quando, a imagem viva que caminhava livre ao seu lado, levemente solta de si mesma.
Algumas coisas só acontecem plenamente quando não estamos prestando atenção. (Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
Maior que o Céu Tem um amor diferente de todos os amores cantados e encantados em poemas e canções.
Um amor com gosto de bala, cheiro de bolo no forno, e som de risadas na madrugada.
Tem lembrança de roupa emprestada e segredos inconfessáveis.
Tem lealdades imensas e implicâncias constantes.
Quem segurou a minha mão tantas vezes? E escondeu aranhas atrás da porta do banheiro?
Quem brincou comigo de peixaria com as folhas das amendoeiras? E sacudiu os potinhos da minha coleção de casulos de borboletas?
Quem brigou por mim no recreio se me roubaram a bola? E passou um verão colecionando fios arrancados dos meus cabelos?
E quem mais me liga no meio do dia e me chama de querida num tom tão doce e terno que me transborda o peito?
É um amor misturado.
ora amiga ora filha ora mãe ora confidente ora cúmplice
Intercala-me protegida e protetora
esse imenso amor de irmãs.
(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013) Para Adriana Côrtes, com amor. Amo você. Mais que o céu.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Lara- Lara Por mais que eu me tente bailarina, tem essa vocação malabarista que me remexe por dentro.
E tem esse gosto por rodar a saia.
Já me abre o sorriso ao primeiro guizo.
Já me mexem as cadeiras ao primeiro verso.
Em um Lara-Lara já me desfaço em Ivone.
E, já que samba também se dança nas pontas dos pés,
eu giro!
(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)
Nota: Agradecimento a Dona Ivone Lara pelo samba delicioso que diz... "alguém me avisou prá pisar nesse chão devagarinho..."
Cabe esclarecer que o Betty & Elizabete é um dos meus dois blogs.
A quem busca saber sobre a poeta e os projetos de poesia, eu recomendo a leitura do www.poetaflaviacortes.com.br.
É lá que eu falo do CD, da peça, da Poesia Falada, dos livros, dos saraus... e onde tem áudios gravados, textos separadinhos por tipo para facilitar a leitura.
Ou seja, se veio atrás da poeta, vou te recomendar seguir para o outro blog.
Anota aí: www.poetaflaviacortes.com.br
Você há de me perguntar porque mantenho este blog... ainda mais com uma Elizabete no nome?
Bem... eu tenho um carinho especial por este blog.
Publico aqui tudo o que escrevo desde que comecei a mostrar os textos. Os textos são publicados a medida que escrevo, sem triagens, sem seleções, sem classificações. Só pelo prazer de ver a palavra na tela. É uma versão moderna do caderno que usava para escrever quando eu tinha 10 anos.
Eu gosto desta sensação de escrever sem objetivos maiores, só pelo prazer da escrita. É isso. Ah, o nome é Flávia mesmo. O nome Betty & Elizabete é uma brincadeira com dualidades... as minhas, as suas e as humanas.