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domingo, 21 de abril de 2013


Proximidade

Talvez um pensamento não chegue
tão perto
e tão terno
quanto um abraço.

Mas só talvez.

(Flávia Côrtes - 21 de abril de 2013, às 23:24h, para minha amiga Nina, com carinho)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Décima segunda badalada



Se não funcionou quando havia encanto,
vai funcionar depois do desencanto?

Assim como o caminho
começa no caminhar

e o movimento
movimenta,

o que não evolui
atrofia.

(Flávia Côrtes - abril de 2013)



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Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.



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Onde toda palavra é permitida.

Como beijo sonolento e terno
apagando um sonho ruim.

Como suspiro profundo e lento
em poente de um dia difícil.

Como corpo estirado na grama
completada a maratona.

Existe sempre um hiato
e um tempo possível
para aqueles que se sabem.

Porque querem.

(Flávia Côrtes - abril de 2013)

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Não Gostos.

Acordar com pressa.
Adoçante em gotas.
Esmalte roxo.
Gelatina amarela.
Salada de agrião.
Barulho.

Não era para ser um poema.

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)

quarta-feira, 3 de abril de 2013


Poderia ser um beijo.

Quem sabe um desses
que desenham antes o contorno da boca
decorando a textura
e adivinhando a alma.

Ou, ainda, um desses
que levam mãos aos ombros
esvoaçando o toque
e dissipando o pensamento.

Lábios provados bem devagar.
Toques quase sem língua.
Ainda.

Um gosto de quase.
Prenúncio de muito.
Respiração suspensa no ar.
Vertigem.

Um beijo
que beija mais que a boca
que desalinha mais que a roupa.

Seria este um beijo assim?

(Flávia Côrtes - Abril de 2013)
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segunda-feira, 1 de abril de 2013



Cem metros, mas não rasos.

A tarde era menina
e, ainda assim,
precedia a noite

onde a lua
era cheia.

Fossem os beijos menos intensos
e, quem sabe, a chuva menos forte,
talvez tivéssemos esperado mais.

Consumidos e insones ,
iluminamos, porém,
a noite clara.

Etapas às chamas!


(Flávia Côrtes - Abril de 2013)

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quinta-feira, 21 de março de 2013



Bobagens ou Reflexões Insones


Portões e inícios
se namoram.

Costumava achar
que não se faz furacão em
calmaria.

Toda tempestade respinga.
Mas nem toda gota
água.

E se o Mar é masculino,
porque a Onda é fêmea?

Agora eu posso
dormir.

(Flávia Côrtes - março de 2013)
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segunda-feira, 18 de março de 2013


Simples, mas não fácil.


Há o que a gente acha
e o que simplesmente é.

Há o que a gente resolve
e o que simplesmente sabe.

E há o que a gente quer
e o que simplesmente não quer.

Os motivos do querer e do não querer
não são racionais
ou cognitivos.

Não dariam uma tese de mestrado,
não caberiam numa dissertação,
e eu ainda não sei se cabem
em um poema.

Quando a gente não quer,
motivos brotam.

E, quando a gente quer
de verdade,
aos "nãos",
terra!

(Flávia Côrtes - março de 2013)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013



Pétala

Teu beijo verde
plantou-me um lilás

no lado esquerdo
do peito.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)







 





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


E se?

Triz.
Quase.
Acaso.

Algumas das coisas
mais relevantes da vida
podem estar
no parapeito de um Quase.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Assombros

Caminhava contra o sol, quanto atentou à sombra. Era vívida e movia-se com graça. Talvez com mais graça até do que ela, humana e desgrudada do chão, teria ao mover-se. Um xale em sombra movia-se em volta da figura leve e solta que caminhava a sua frente.

Era difícil prestar atenção ao caminho e à sombra ao mesmo tempo . Por isso ela parou. Para observar melhor.

E, foi só parar, para que a sombra perdesse o encanto. Virou uma coisa escura fixa ao chão. Um fantasma inerte.

Deu um sorriso e seguiu o seu caminho, espiando, de vez em quando, a imagem viva que caminhava livre ao seu lado, levemente solta de si mesma.

Algumas coisas só acontecem plenamente quando não estamos prestando atenção.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)



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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013



Brincadeira de Roda

Eu bem queria escrever-te um verso de saudade.
Eu mal queria...

Não.
Bem mais queria
tirar-te do peito,
na verdade.

E só me ocorrem
umas rimas pobres,
uns versos reescritos,
uns poemas já ditos.

Não me leve a mal.

É que, em algum momento,
a brincadeira de roda
virou roleta

russa.



(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)



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domingo, 17 de fevereiro de 2013



Maior que o Céu

Tem um amor diferente
de todos os amores
cantados e encantados
em poemas e canções.

Um amor
com gosto de bala,
cheiro de bolo no forno,
e som de risadas na madrugada.

Tem lembrança
de roupa emprestada
e segredos inconfessáveis.

Tem lealdades imensas
e implicâncias constantes.

Quem segurou a minha mão tantas vezes?
E escondeu aranhas atrás da porta do banheiro?

Quem brincou comigo de peixaria com as folhas das amendoeiras?
E sacudiu os potinhos da minha coleção de casulos de borboletas?

Quem brigou por mim no recreio se me roubaram a bola?
E passou um verão colecionando fios arrancados dos meus cabelos?

E quem mais me liga no meio do dia
e me chama de querida
num tom tão doce e terno
que me transborda o peito?

É um amor misturado.

ora amiga
ora filha
ora mãe
ora confidente
ora cúmplice

Intercala-me
protegida
e protetora

esse imenso
amor
de irmãs.


(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)
Para Adriana Côrtes, com amor. Amo você. Mais que o céu.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013



Lara- Lara


Por mais que eu me tente bailarina,
tem essa vocação malabarista
que me remexe por dentro.

E tem esse gosto
por rodar a saia.

Já me abre o sorriso
ao primeiro guizo.

Já me mexem as cadeiras
ao primeiro verso.

Em um Lara-Lara
já me desfaço em
Ivone.

E, já que samba
também se dança
nas pontas dos pés,

eu giro!

(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)


Nota: Agradecimento a Dona Ivone Lara pelo samba delicioso que diz... "alguém me avisou prá pisar nesse chão devagarinho..."

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013




Promessa

(Flávia Côrtes & Renato Gusmão)


Vem menina
do sol no sorriso
diz um poema
de frases soltas
faz tua cena
eu te prometo um terço
e em cada conta
uns mil versos

vem moça
da nuvem nos olhos
rodar a tua saia
e girar no meu braço
que eu te ofereço laços de cores
e flores para enfeitar
teus cabelos


no dia em que vier
pagarei mil promessas
rezarei todos os salmos
um milagreiro a rogar
irei à corda do Círio
um querubim a sonhar


para tê-la ao meu lado
de joelhos subirei
ao Corcovado
de braços abertos
em oferendas me lançarei
um lume certo
velas acesas ao mar

no dia de qualquer santo
ofertarei os mantos
da Penha e de Nazaré
a essa menina moça
essa mulher


(Texto escrito em parceria poética por Renato Gusmão e Flávia Côrtes)
Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:

http://cordapatria.blogspot.com.br/



Nota:
Poema de Flávia Côrtes & Renato Gusmão dedicado a poeta e amiga Marisa Vieira, uma menina mulher que solta frases por aí e sonha em pegar o mundo com as mãos de utopia e realidade!

Leia Marisa: http://www.mariplural.blogspot.com.br/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Poesia Humana
É lindo ver
que o verso que você vê
um dia transbordou em mim

Outro tempo
Outra vida
Outra poeta
Outro verso
Outra forma

E a mesma poesia

A poesia
Humana


(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

Para minha amiga e poeta Mariana Valle... que por caminhos diferentes, escreve tanto de mim.... porque, como diria o Quintana... "um bom poema é aquele que lê a gente".


Para conhecer o verso da Mariana, acesse:
http://blogmarianavalle.blogspot.com/


Silentes

Um silêncio que ecoa
por dentro e em volta
não é bem um silêncio.

Talvez uma tentativa .

No máximo,
uma possibilidade.

É assim
como um apagar de luz
em noite insone.

Desde quando
a escuridão garantiu
noites serenas?

Fevereiro de 2013



domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Pedir ao Google"

Converso com minha mãe ao telefone, falando de tudos e nadas, dizendo uns versos, ouvindo histórias de outros tempos e contando os dias de agora.

Lá pelas tantas, minha mãe conta uma história de um menininho lá da Vila onde moram... em um episódio singelo com o meu pai e diz que "criança é tudo igual... não importa o tempo e o lugar"

Lembrei de um vídeo fofo que postei esses dias... um vídeo de um garotinho... e lá fui eu ensiná-la a achar o vídeo no meu mural. 

Meia hora depois, ela me pergunta. "Mas eu não posso pedir ao Google? "Mural da Flávia"...?

Adorei isso de "pedir ao Google"... nunca mais eu procuro nada no Google. Agora eu peço ao Google... rs 

Será que posso 3 desejos?

(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)


Só um cisco.

Um passo em frente
e eu olho para trás
e por cima do ombro
só para ver se você vem.

E eu não te vejo mais.

Disfarço e espanto
um cisco do ombro
com os dedos.

Visto
um sorriso
e sigo.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

Neste e em outros Carnavais


Eu lia o meu Quintana
numa manhã lenta
de Carnaval

e as pernas nuas
desfilavam preguiça.

Entre uma página e outra,
me espiava um verso.

Ecos de antigos poemas
misturam-se a uns versos
ainda não escritos.

Menininhas 

com nomes de avozinhas
saltam do livro

e eu penso
que não importam os nomes
serão sempre menininhas.

Corre, Adalgisa, brinca.
As tranças com laços de fita
sacodem no ar
como as de todas as menininhas
de tempos idos
ou por vir.

Serão sempre menininhas
Adalgisa, Heloísa, Bruna e Maitê

Terão sempre
suas tranças e laços de fita
as menininhas.

Algumas coisas não mudam,
graças a Deus.

E às mães.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)