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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


Temporal


Se tiver que chover,
que seja temporal!
Temporal com raio
que gruda olho no céu.

Temporal com vento
que gruda vestido no corpo.

Corpo molhado,
debaixo de chuva,
água escorrendo.

Vento gelando
de fora para dentro.

E teu beijo esquentando
de dentro para fora.


Flávia Côrtes – Dezembro de 2009
www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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domingo, 6 de dezembro de 2009

Passeio a um País de Maravilhas

Neste sábado, estive num lugar chamado Kreatori – Coletivo de Arte para dizer poemas como convidada da Leila Oli. Tarefa de responsabilidade esta, já que Leila só diz textos da Adélia Prado e o faz lindamente.

Ignorei o frio no estômago, me fiz acompanhar pela minha amiga Patrícia, coloquei uns poemas na bolsa... que eu gosto de dizer de cor, mas é bom ter uma “cola” em caso de “branco”... e rumei para Laranjeiras.

A Kreatori é uma casa mágica. Fica numa rua com nome de País das Maravilhas e isso não deve ser coincidência porque você entra pelo portão de ferro e cai direto num mundo encantado.

Logo na entrada, o Fabiano e o Thiago te reencontram. Sim, a palavra é essa mesma... eles te recebem como quem não te vê há um tempo, mas estava só te esperando.

Levei dois segundos para entender porque colocaram “coletivo de arte” no nome da casa. Tem de tudo exposto... artesanato, pintura, fotografia, roupas, objetos de decoração... tudo isso espalhado em cômodos amplos de uma casa antiga e a preços incríveis. E tem música enchendo o ar, vídeos projetados numa das salas, pessoas interessantes conversando e passeando entre os cômodos...

Nos fundos da casa, um quintal recheado de detalhes saborosos na decoração. Enchem os olhos da gente as novidades. São conchas de cozinha que viraram vasinhos de plantas pendurados na parede, gaiolas de pássaros abertas... e os pássaros?... ah, esses ficam ali pelo quintal mesmo voando... tem lindas cadeiras de madeira e puffs de palha espalhados pelo espaço... um lugar para se ficar.

E foi o que fiz. Me deixei ficar por ali... ouvindo e dizendo poemas... conversando com uma gente inteligente, gentil e divertida...

Saborosa e encantada noite de sábado em Kreatori... um lugar com nome de país, terra de magia e terreno de arte.

Rio de Janeiro, dezembro de 2009
(Para quem quer ir lá conhecer: http://kreatori.wordpress.com/)
Sol, Sabor e Ladeiras - Almoço em Santa Teresa

Neste sábado, eu, Roberta e Viviane nos vestimos de anúncio da C&A (vestidinhos estampados e sandalinhas de verão... risos) e tomamos o rumo de Santa Teresa.

A missão era apresentar à Viviane, de Pelotas, mais um restaurante do Rio que tenha uma comida delicioooooosa. Da última vez que a Vivi veio ao Rio, passamos uma tarde no Pax do Botafogo Praia Shopping. Neste sábado, o destino era o Bar do Arnaudo... onde, segundo a Roberta, servem a melhor carne de sol desta vida... bem... vou morrer gorda e pobre passeando com a Roberta... mas acredite... ela sabe das coisas.. e a comida estava ma-ra-vi-lho-sa.

Muita carne de sol, queijo coalho, cerveja e risada depois... tentamos uma caminhada até a casa de uma tal de Dona Alda... umas ladeiras acima... com direito a bate-papo com uma baiana e fotos tiradas no meio da rua.

Digo "tentamos" porque é claro que, depois de carne de sol e cerveja à vontade, eu não ia aguentar subir ladeira andando no sol.. e peguei um taxi.

Pois bem, chegamos na casa da Dona Alda, onde a dona da casa coloca uma plaquinha na porta avisando que vende doces. Tomamos café numa sala com cara de casa de vó, comendo doces portugueses de suspirar de olhos fechados e, de quebra, ainda descobrimos que a tal da Dona Alda também é de Pelotas - para glória da Viviane, que veio pelo caminho resmungando do absurdo de ir fazer turismo em doceiras cariocas, sendo ela de Pelotas, a Terra do Doce.

Pois bem... depois de café, bobagens e muitos Pastéis de Santa Clara e Toucinhos do Céu ... só nos restou mesmo ir para casa... porque o corpo pedia cama e ar condicionado.

Bem, foi isso... um sábado delicioso... uma mistura de parque de diversões com tour gastronômico... na companhia sempre divertida das minhas amigas Beta e Vivi.

Rio de Janeiro, novembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


Plural

Ah, vai... não me peça que rimem os versos...
Diversa a forma.
Avessa à fôrma.
Que dual, plural!

E se o pensamento voa
e o meu sentimento pulsa,
minha palavra
escorre.


Flávia Côrtes - Dezembro de 2009
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domingo, 29 de novembro de 2009

Suspiro dentro do teu beijo
Só para sentir teu toque ganhar força.

Escorro os dedos pelo teu braço
Que é para desenhar devagar teu desejo.

A minha vontade derrama do meu olho
E vira desejo no teu.

Teu desejo enche o olhar
E vira vontade em mim.

Novembro de 2009

E, se para cada palavra dita, tem uma vontade
Na palavra que eu não digo, tem um pensamento.
E, em cada pensamento, tem um desejo.

E vamos nós dois nessa noite.
Pensando
Sabendo
Sentindo

Porque a palavra que eu não digo
O meu olho mostra
O meu beijo diz
E o meu toque conta.

Novembro de 2009


Acorde

Acordo no teu abraço.
Sem acordos e sem regras,
tua vontade ecoa em mim.

Inspiro teu desejo
e expiro minha vontade.

Meu corpo se move no teu ritmo.
Vibra na força do teu acorde.

Teu corpo de encaixa em mim
Precede a minha palavra. 

Sem ensaios, eu te reflito.
Em silêncio, você me espelha.

No meu olho, eu te mostro.
No teu olho, eu me vejo.

A gente se reconhece.
E sei que te quero.

 
Flávia Côrtes - Julho de 2009
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"um dia" é muito tempo, quando a vontade é agora.

Devaneio pela Palavra
Novembro de 20009


E a tarde escorreu
A tarde corria acelerada.
De um jeito que só tardes de quarta-feira sabem correr,
quando a tua lembrança parou o tempo.
Uma lembrança para o mundo parar.
Uma lembrança para o tempo escorrer.
A tua lembrança fez domingo em mim
A tarde escorria vagarosa.
De um jeito que só tardes de domingo sabem escorrer.



Flávia Côrtes - Novembro de 2009
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domingo, 1 de novembro de 2009

Que saudade é essa do que ainda não se viveu?

Devaneios pela Palavra
Novembro de 2009
E, se houver paixão,
Então, que mal há
Se o fogo consumir
Em um dia
Uma semana
Um ano
Ou uma vida?
Desde que fogo seja.

Novembro de 2009
Estava toda errada.
O vestido era de ficar em casa
As sandálias não tinham saltos
O cabelo secou sozinho
Os olhos não escondiam a noite insone.
Só a vontade era certa.
E o momento, perfeito.

Novembro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Um dia aprende a segurar o que diz.
Queria saber dizer só o que pensa.
O problema é esse vício de dizer também o que sente.
Nasceu com um sentimento que derrama em palavra.

Um dia aprende a segurar o olhar.
Podia olhar só para dentro de si.
O problema é essa mania de olhar também para dentro do outro.
Nasceu com um olho que olha para dentro.

Será que um dia isso se aprende?

Outubro de 2009
Ando meio sumida ultimamente. Tenho me visto muito pouco.

Devaneios pela Palavra
Outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A minha vontade sabe das coisas.

Porque se a minha vontade encontra a sua vontade... a vontade volta. E se repete. E me pede prá te ver. Mas, se não for no mesmo tempo... se não for da mesma forma... se não for no mesmo tanto... mesmo que eu não saiba, mesmo que eu não veja, a minha vontade sabe. Porque a vontade da gente vê a vontade do outro... antes mesmo da gente ver.

Devaneios pela Palavra
Outubro de 2009
Me beija. Mas não me beija só com a tua boca. Me beija com o teu corpo. Me beija o pensamento. Me beija bem fundo. Tão profundo... até o mundo sumir devagarinho... até o pensamento desmanchar no tempo. Até que tudo seja só beijo e corpo.

Devaneios pela Palavra
Outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Poema para Paloma

Minha querida, especial e intensa amiga Paloma leva pela vida um nome de paz.

As mães são sábias... pressentem os destinos dos filhos...
E em atitude de amor e instinto
Presenteiam a estes com nomes... como se desejos maternos fossem.

Imaginaria essa mãe, no primeiro grito da menina, o quão visceral seriam todos os outros?
Já sentia essa mãe, quando a menina sugou no seu peito o primeiro leite, a força e a intensidade com que sorveria cada minuto da vida?

E a menina ganhou um nome branco... nome de ser que voa.
Abre suas asas, Paloma... voa.

Setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009



E quando não der para ser feliz o tempo todo?

Quando não der para ser feliz em todo o tempo,
seja feliz por uma tarde,
feliz pela manhã.

E, se não der para ser feliz por tanto tempo,
seja feliz por uma hora,
feliz por um momento,
feliz por um minuto,
feliz num pensamento.

E se não der para ser feliz
nesse minuto,
seja feliz por um segundo.

Que uma hora,
o segundo vira minuto,
 e o minuto vira hora,
até a hora virar manhã.
e a manhã encontrar a tarde.

E tudo ficar bem.
De novo.


(Flávia Côrtes - Setembro de 2009)
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Quero deixar você me olhar.
Porque o seu olho precede o seu beijo.
E seu olhar isenta a palavra.

Seu olhar solta o meu pensamento no vento.
Solta também o seu, amor.

E ficamos aqui.
Nesta noite.
Sem dizer nada.
E dizendo tanto.

Setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009


O tempo para os amigos não é...

Já notaram que amigos de verdade
raramente se reencontram
falando em “quanto tempo”?

Se disserem algo,
dirão apenas "que saudade”.

É que o tempo, para os amigos,
não é o mesmo que acontece
para as outras pessoas.  

Para um amigo, dez anos viram 10 minutos em um reencontro.
E os anos magicamente se fundem em um único abraço.

Uma hora rindo com um amigo
faz mais feliz
do que muitas horas sorrindo
com outras pessoas.

Um momento mergulhado no abraço de um amigo
consola mais
do que um dia de condolências
de outras pessoas.

Um instante no olhar de um amigo 
conta mais
do que uma hora de palavras
para outras pessoas.

As horas conversando com um amigo
não acontecem
para entendimento.
Para isso, um olhar e um segundo bastariam.

E, é assim, que semanas sem notícias de um amigo
são dissolvidas no primeiro olhar.

Porque, diferente da paixão, que anseia e duvida, 
a amizade é um amor que entende e sabe. 

Setembro de 2009