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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Poesia Humana
É lindo ver
que o verso que você vê
um dia transbordou em mim

Outro tempo
Outra vida
Outra poeta
Outro verso
Outra forma

E a mesma poesia

A poesia
Humana


(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

Para minha amiga e poeta Mariana Valle... que por caminhos diferentes, escreve tanto de mim.... porque, como diria o Quintana... "um bom poema é aquele que lê a gente".


Para conhecer o verso da Mariana, acesse:
http://blogmarianavalle.blogspot.com/


Silentes

Um silêncio que ecoa
por dentro e em volta
não é bem um silêncio.

Talvez uma tentativa .

No máximo,
uma possibilidade.

É assim
como um apagar de luz
em noite insone.

Desde quando
a escuridão garantiu
noites serenas?

Fevereiro de 2013



domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Pedir ao Google"

Converso com minha mãe ao telefone, falando de tudos e nadas, dizendo uns versos, ouvindo histórias de outros tempos e contando os dias de agora.

Lá pelas tantas, minha mãe conta uma história de um menininho lá da Vila onde moram... em um episódio singelo com o meu pai e diz que "criança é tudo igual... não importa o tempo e o lugar"

Lembrei de um vídeo fofo que postei esses dias... um vídeo de um garotinho... e lá fui eu ensiná-la a achar o vídeo no meu mural. 

Meia hora depois, ela me pergunta. "Mas eu não posso pedir ao Google? "Mural da Flávia"...?

Adorei isso de "pedir ao Google"... nunca mais eu procuro nada no Google. Agora eu peço ao Google... rs 

Será que posso 3 desejos?

(Flávia Côrtes - fevereiro de 2013)


Só um cisco.

Um passo em frente
e eu olho para trás
e por cima do ombro
só para ver se você vem.

E eu não te vejo mais.

Disfarço e espanto
um cisco do ombro
com os dedos.

Visto
um sorriso
e sigo.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

Neste e em outros Carnavais


Eu lia o meu Quintana
numa manhã lenta
de Carnaval

e as pernas nuas
desfilavam preguiça.

Entre uma página e outra,
me espiava um verso.

Ecos de antigos poemas
misturam-se a uns versos
ainda não escritos.

Menininhas 

com nomes de avozinhas
saltam do livro

e eu penso
que não importam os nomes
serão sempre menininhas.

Corre, Adalgisa, brinca.
As tranças com laços de fita
sacodem no ar
como as de todas as menininhas
de tempos idos
ou por vir.

Serão sempre menininhas
Adalgisa, Heloísa, Bruna e Maitê

Terão sempre
suas tranças e laços de fita
as menininhas.

Algumas coisas não mudam,
graças a Deus.

E às mães.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013



Reflexos (Flávia Côrtes e Renato Gusmão)




(Texto escrito em parceria poética por Renato Gusmão e Flávia Côrtes)
Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Meteorologia

No Rio de Janeiro,
nuvens densas no centro do céu
e uma névoa branquinha em volta das montanhas
vestem o verão de abril.

É fevereiro se vestindo de outono
para brincar o Carnaval carioca.

Flávia Côrtes - fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



Posseiro

E, de repente, tomou posse
de todo os meus versos.
Os já escritos
e os por escrever.

E, por ser só em verso,
e tanto em verso,
encanto.

Afinal,
o que faria o mundo
de nós
dois?


Fevereiro de 2012

domingo, 3 de fevereiro de 2013



Pirlimpimpim

Ando por aí
inventando histórias
de qualquer tipo
a qualquer hora.

Vejo o peso em qualquer feira
e mangueiras onde amendoeiras.

Te encontro depois da chuva
no parapeito do verso.

Você me respinga palavras
e eu rio e salto
bem além
do fato.

Em busca de terras do nunca
vôos duplos
sobre mares do sempre.

Viagens inesperadas.

Vampiros em luas cheias
falam de sede e calor .

E uns mimos doces
refrescam sorrisos.

Pois é...

Desde ti,
que eu ando por aí
assim.



(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2013)


Instinto
(Flávia Côrtes e Renato Gusmão)



noite de calor
dentro da lua cheia
em vielas de poesia
num tempo provocador
a palavra é a minha ceia

e se a sede anseia
eu vampiro
de carne e sonho
te mostro quem sou
dentro do poema


tiro tua paz
num tiro açoite
mirando-te na rua
nua feito a lua
de súbito teu beijo
na boca o sangue
minha fissura
vejo-te na cama
sobre poemas

meu olhar vermelho
espelho refletido
em mil palavras
jorram versos sobre ti

(Texto escrito em parceria poética por  Renato Gusmão e Flávia Côrtes)

Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:

http://cordapatria.blogspot.com.br/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013



Sonhos sonhados


Será que um dia eu vou sonhar com coisas mais normais? Um sonho de um dia na praia ou, então, sobre uma ida ao supermercado?

Uma vez me disseram que eu não sonho igual a gente adulta. Que sonho igual a criança. Pode ser. Porque desde sempre é assim.


São sempre histórias. Como filmes. Às vezes, eu sou personagem. Às vezes, espectadora. Às vezes, são aventuras surreais. Às vezes, filmes antigos e de outro tempo.

Mas nunca é algo cotidiano e normalzinho.O de hoje foi do tipo filme. Fiquei assistindo um pedaço da vida de uma moça chamada Ana de Souza e Sousa. 

Morava num tempo antigo e era casada com um homem alto e de cavanhaque. O nome do homem eu não lembro. Só sei que namoraram 13 anos e que se amavam.

Era poeta a tal da Ana. E escrevia uns versos lindos. Os versos tinham uma coisa meio cantada...

Mas eu não lembro dos versos. Só da poeta... uma moça que se chamava Ana de Souza e Sousa e que só existe no meu sonho. 


Queria lembrar os versos.

Janeiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Delicadezas 

Em dezembro, estive por uma semana em uma pousada com minha mãe e irmãs.

Foram as primeiras festas de fim de ano sem o meu pai. E viajamos em busca de dias mais amenos em tempos tão dolorosos para a minha família.

Foi uma boa decisão.

Os dias foram encantadores e as pessoas, na pousada, extraordinariamente gentis. Com zelo, atenção e carinho, arrumadeiras, garçons, recepcionistas e a dona da casa, em cada detalhe do dia a dia, ajudaram, de alguma forma, a suavizar um tempo que pensávamos tristes.

E foi assim que trouxemos, todos, o riso de volta ao rosto de minha mãe.

Sendo impossível agradecer plenamente por isso, antes de partirmos, escrevi bilhetes de agradecimento a todos os que cuidaram de nós diretamente. Acrescentei aos cartões um poema escrito por lá e, para os funcionários, incluí uma pequena bonificação (pequena mesmo).

Pois bem, hoje, recebi pelos Correios uma correspondência da dona da casa. Dentro do envelope, uma foto de um buquê de flores e, no verso da foto, um bilhete que dizia:

"Flávia,
bem vi que você é uma poeta.
Adorei o que você escreveu. Quero ler mais de sua poesia.
Anote o meu e-mail... Volte sempre. Laura."


E ainda há quem não acredite em delicadezas. 


Janeiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013



Nós
(Flávia Côrtes e Renato Gusmão)


Em nossas vidas
somos o que vivemos
dizemos o que somos
e somamos

líquidos e sólidos
vitrais e papéis

os nós humanos
tão cruéis
tão normais

na palavra
o tudo
ou nada

no sempre do ontem
o resto do hoje

amanhã o rosto
oposto de vida e morte

coisas do verbo loucura

quem comanda é a fala
e nada nos cala
visgo de amor
e sanha

nossa própria fissura

Verbaliza-nos

vida insana.


(Texto escrito em parceria poética por Flávia Côrtes e Renato Gusmão)

Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:

http://cordapatria.blogspot.com.br/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Bem Além

É quando 
nem toda pergunta 
precisa ser feita.

(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br

domingo, 6 de janeiro de 2013


Desalinhos

Não há arrepio arrepiado
que desalinhe de fato
se não desfizer antes
a linha do pensamento.

É o não adivinhado
e o não previsto
que faz a gente perder
o caminho do "não".



(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)

Quase Poema de Beijinhos


Havia já um tempo
que eu não me amanhecia.

E o dia começava
daquele mesmo jeito
que já se sabia.

Um jeito de todo dia.

E eu seguia por tardes brancas
em busca de lagos azuis
pontilhados de beijinhos de chuva
como peixes suspirando ar.

Em uma tarde assim
um verso de beijinhos revoava
em volta de mim.

Mas eu não sei
como termina esse verso.

Ficou caído na poça d'água.


(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012



Amarelinhas


A laranja no copo de guaraná era amarela
e sorria para mim.

Como amarela era a flor
que imitava um peixe
no arranjo em frente à mesa.

E amarelo o sorvete de damasco
que refrescava o jardim
de amarelas Alamandas.

As páginas do meu Quintana
eram claras gemadas que eu folheava
na tarde quase quente.

Eu nunca gostei de amarelos.
Quando fortes, escandalosos.
Quando tênues, insossos.

E, talvez por saber
desta minha antipatia,
lá vem meu verso
saltando amarelinhas ao meu redor.

E eu, agora,
gosto!



(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br

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sábado, 29 de dezembro de 2012

Ritual

Gostava de café forte
coado na hora
em coador de pano. 

Achava bonito 
o movimento que a água fazia 
quando se misturava ao pó 
em uma bolha marrom subindo 
até a beirada redonda do coador.  

Qualquer problema parecia pequeno quando o olhar se perdia 
na bolha de café 
dentro do coador de pano.

Gostava também do aroma que invadia a cozinha nesse momento.

Gosto,
aroma,
sensação,
reflexão, 
paz.

Foi dentro de uma bolha 
marrom de café
que o era rito iluminou-se 
em ritual do cotidiano.

Flávia Côrtes
Dezembro de 2012








sábado, 22 de dezembro de 2012

Lembrança

É que eu pensei muito 
em você hoje.

Não foi um 
pensamento-palavra.

Foi mais 
um pensamento-lembrança.

Assim
um pensamento-saudade.

Que eu te sopro
entre as linhas 
deste verso.

Como quem 
sopra
um beijo.

(Flávia Côrtes - dezembro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Verbo em Desuso

Em tempos como este,
em que ninguém mais namora,
e em que as pessoas vagam
em busca de noites quentes,
ou de príncipes e princesas,
namorar virou démodé.

Eu não falo de "namoro" como "status de relacionamento".
Quem foi que disse que relacionamentos precisam de "status", meu Deus?!

Falo da conjugação do verbo.
Aquela que se articula no cotidiano.

Falo de mãos unidas no cinema,
de tardes inteiras sem sair da cama,
de saber por ter percebido,
de conhecer o caminho do arrepio
e se gosta de café forte.

Daquela mistura da vontade
com à vontade.

Pobre tempo este
em que a intenção do beijo
abandonou o batom.

Triste tempo este
de pessoas isoladas
teclando juntas
em mesas de bar.

Em tempos assim,
revolucionário é aquele
que liga no aniversário
que conta da saudade
que cruza a cidade para te ver.

E eu me vejo um tanto antiqüada.
E sem a menor intenção de modernidade.

Tão avêssa a bandeiras, me pergunto
quando foi que me tornei
revolucionária do afeto.

(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)