Melhor Menos
Um pouco cansada, um pouco gripada, um pouco confusa.
Eu costumava achar que preferia ser ‘muito’ em tudo...
Pensando bem, algumas coisas
são melhores ‘um pouco’ mesmo.
Devaneio pela Palavra
Setembro de 2012
Flávia Côrtes
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sábado, 24 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Levada da Breca
Quando menina, era levada da breca.
Daquelas que têm ventos nos tornozelos.
O tempo passou um pouquinho
e a menina levada da breca
decidiu ser levada a sério.
Moça, descalçou o pé de vento.
Mas salto alto é pouco
para menina acostumada
a nuvem.
Aí, fez de um livro trampolim
e buscou de volta o pé de vento.
Hoje, nem reclama
se não a levam a sério.
Prefere mesmo
ser levada a riso
a menina
levada da breca.
Flávia Côrtes - Outubro de 2012
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Para minha amiga Marisa Vieira. A menina levada da breca.
Porque você é daquelas. Daquelas que inspiram em verso.
Te vejo mais tarde, lá no pé de vento.
domingo, 14 de outubro de 2012
Combinação
Então, fica combinado assim...
É domingo.
E domingos merecem
Quintanas e varandas.
E tudo o mais que houver, nesta vida,
para ser feito ou resolvido,
pode esperar até que o Mário me diga este poema.
É só o tempo de um poema.
É só o tempo de uma canção.
Se te parece pouco, espia o infinito
que já se derrama dos meus olhos,
só de passear com o poeta por uns versos
nesta manhã cinzenta.
Quem foi que disse que domingos
não cabem inteiros
em meia manhã?
Pois se cabem em um poema...
(Flávia Côrtes - Outubro de 2012)
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
Pulsação
Meu olho
repousa
na linha
de teu pescoço
onde uma
veia ainda pulsa
acelerada
de mim.
E pulsa, também,
a entrelinha
do poema.
(Flávia Côrtes - Setembro de 2012)
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Ciscos e Sopros
E havia aquela tristeza
que, às vezes, eu via
nublar o teu olho.
E que me dava uma vontade imediata
de fazer qualquer coisa
que a soprasse dali.
E eu te dava um beijo-sopro,
um roçar de lábios,
um bater de asas de passarinho,
e te soprava o cisco dos olhos.
Às vezes, o sopro virava sorriso.
Às vezes, furacão.
E se houvesse, então, ainda,
nos teus olhos, uma nuvem,
já era outra a nuvem.
Daquelas que turvam o horizonte,
enrouquecem a voz
e incendeiam em reflexo.
Foi assim que eu descobri
que beijos-sopros
não apenas espantam
ciscos e tristezas.
Às vezes, provocam furacões.
(Flávia Côrtes - Setembro de 2012)
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domingo, 9 de setembro de 2012
Vincent
E o Amarelo
levou o tempo da criação do mundo
esperando pelos olhos de Vincent
para ganhar
a eternidade.
Flávia Côrtes - Setembro de 2012
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Olhos de Gata
Madrugada desperta.
Retinas habituadas à escuridão
ficam tão mais confortáveis na noite
que a luz torna-se não apenas
desnecessária,
mas indesejada.
E eu, subitamente, felina,
enxergo tão mais na penumbra.
Longe da luz, não apenas vejo,
mas pressinto.
Inclusive aquilo
que eu preferia não ver.
Madrugada desperta.
Retinas habituadas à escuridão
ficam tão mais confortáveis na noite
que a luz torna-se não apenas
desnecessária,
mas indesejada.
E eu, subitamente, felina,
enxergo tão mais na penumbra.
Longe da luz, não apenas vejo,
mas pressinto.
Inclusive aquilo
que eu preferia não ver.
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domingo, 26 de agosto de 2012
Taças Preparadas
Já era tarde
embora não tarde demais
quando emparelharam-se
em alto mar
sedentos.
Havia no ar um encanto
de manhãs que se sabem festivas.
Daquelas em que se abrem
portas e janelas,
mudam-se móveis de lugar,
escolhem-se louças e taças,
enfeitam-se os cômodos de flores e velas.
Havia no ar uma espera,
daquelas que se sabem saborosas.
Como um cheiro de bolo no forno.
Como um aroma de livro em livraria.
Como um perfume que antecipa o beijo.
Havia nos olhos um brilho de início
nos lábios um sorriso de hoje
nas mãos um calor de sempre
nos beijos uma certeza de abraço
nos braços uma ânsia de toque
nos toques uma urgência.
E um carinho.
Já era tarde
mas não tarde demais.
E não havia mais muros.
Flávia Côrtes - Agosto de 2012
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Já era tarde
embora não tarde demais
quando emparelharam-se
em alto mar
sedentos.
Havia no ar um encanto
de manhãs que se sabem festivas.
Daquelas em que se abrem
portas e janelas,
mudam-se móveis de lugar,
escolhem-se louças e taças,
enfeitam-se os cômodos de flores e velas.
Havia no ar uma espera,
daquelas que se sabem saborosas.
Como um cheiro de bolo no forno.
Como um aroma de livro em livraria.
Como um perfume que antecipa o beijo.
Havia nos olhos um brilho de início
nos lábios um sorriso de hoje
nas mãos um calor de sempre
nos beijos uma certeza de abraço
nos braços uma ânsia de toque
nos toques uma urgência.
E um carinho.
Já era tarde
mas não tarde demais.
E não havia mais muros.
Flávia Côrtes - Agosto de 2012
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Rotas
Como barcos que se cruzam
em oceanos,
estação sim,
estação não,
nos avistamos.
Da primeira vez que nos
encontramos,
içou velas e partiu
rumo ao meu peito.
Daquela vez,
fui eu quem precisou partir
antes que você chegasse.
Da segunda vez que nos
encontramos,
já senhora de meus caminhos,
esperei que conduzisse o rumo.
Daquela vez,
foi você quem precisou partir
antes que eu chegasse.
E quando menos espero
avisto a nós dois de novo
como veleiros que se cruzam
em oceano.
E espero.
E espero.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Sobre
portas, sorrisos e abraços.
Era a primeira vez que abria ela mesma aquela porta.
"A casa exalava infâncias".
O pensamento trouxe um sorriso assim que ela virou a chave.
Era uma porta antiga de ferro trabalhado pintado de branco. O desenho imitava flores vazadas, muito parecidas com as que a avó tricotava em paninhos de mesa. As flores davam à porta uma aparência delicada.
Sempre achou apropriado que a porta da casa, que um dia foi da avó, tivesse flores tricotadas em ferro branco.
Por trás da porta tricotada, via-se uma outra porta de vidro fosco que fechava-se sobre a primeira. Nos dias de calor, o vidro era mantido aberto e isso garantia à casa frescor. Tanto pela corrente de vento que se formava, como pelas risadas das crianças brincando lá fora.
Quando menina, achava engraçado que a casa tivesse duas portas que viravam uma quando fechadas.
Achava bonito que o ferro precisasse do vidro para fechar realmente a casa e não apenas enfeitá-la.
E gostava de ver uma porta de ferro com vocação para enfeite. E uma porta de vidro com vocação para tranca.
Desde sempre, houve sorrisos na chegada.
E os sorrisos àquela porta, sempre foram prenúncios de abraços.
A avó a esperava com a porta aberta.
Perdeu a conta de quantas vezes correu para aquele sorriso.
O pai nunca a esperou à porta. Aguardava-a na calçada.
O sorriso dele iluminava o caminho desde a esquina, esperando que ela se aninhasse em seu ombro tagarelando os dias.
A mãe sempre a esperava do lado de dentro com as duas portas fechadas.
Dava para ver o sorriso dela, por trás do vidro fosco, antes mesmo que a porta se abrisse para o abraço das duas.
Era a primeira vez que abria ela mesma a porta de ferro branco.
Os incontáveis sorrisos àquela porta encheram o pensamento e transbordaram mais um.
Os sorrisos naquela casa sempre foram prenúncios de abraços.
Então, ela não estranhou quando a casa a abraçou.
E a casa
exalava infâncias.
Agosto de 2012
Era a primeira vez que abria ela mesma aquela porta.
"A casa exalava infâncias".
O pensamento trouxe um sorriso assim que ela virou a chave.
Era uma porta antiga de ferro trabalhado pintado de branco. O desenho imitava flores vazadas, muito parecidas com as que a avó tricotava em paninhos de mesa. As flores davam à porta uma aparência delicada.
Sempre achou apropriado que a porta da casa, que um dia foi da avó, tivesse flores tricotadas em ferro branco.
Por trás da porta tricotada, via-se uma outra porta de vidro fosco que fechava-se sobre a primeira. Nos dias de calor, o vidro era mantido aberto e isso garantia à casa frescor. Tanto pela corrente de vento que se formava, como pelas risadas das crianças brincando lá fora.
Quando menina, achava engraçado que a casa tivesse duas portas que viravam uma quando fechadas.
Achava bonito que o ferro precisasse do vidro para fechar realmente a casa e não apenas enfeitá-la.
E gostava de ver uma porta de ferro com vocação para enfeite. E uma porta de vidro com vocação para tranca.
Desde sempre, houve sorrisos na chegada.
E os sorrisos àquela porta, sempre foram prenúncios de abraços.
A avó a esperava com a porta aberta.
Perdeu a conta de quantas vezes correu para aquele sorriso.
O pai nunca a esperou à porta. Aguardava-a na calçada.
O sorriso dele iluminava o caminho desde a esquina, esperando que ela se aninhasse em seu ombro tagarelando os dias.
A mãe sempre a esperava do lado de dentro com as duas portas fechadas.
Dava para ver o sorriso dela, por trás do vidro fosco, antes mesmo que a porta se abrisse para o abraço das duas.
Era a primeira vez que abria ela mesma a porta de ferro branco.
Os incontáveis sorrisos àquela porta encheram o pensamento e transbordaram mais um.
Os sorrisos naquela casa sempre foram prenúncios de abraços.
Então, ela não estranhou quando a casa a abraçou.
E a casa
exalava infâncias.
Agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Antes das Nove
Antes do dia,
antes da rotina,
sonhos.
Antes que percebas,
antes que eu saiba,
quereres.
Antes que esperes,
antes que eu evite,
desejos.
Como o olhar antes do toque,
como a intenção antes do beijo,
o dia começa antes do dia.
(Flávia Côrtes - Novembro de 2011)
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Amputação
Um dia
e eu recolho as suas roupas.
No máximo uma semana
e eu deleto as suas fotos.
Talvez um mês
e eu volto ao centro da cama.
Dizem
que quando se amputa um pedaço,
a gente ainda leva um tempo
sentindo o que foi extirpado.
Deve ser por isso
que eu ainda te percebo
e te sinto.
Quanto tempo será
para extirpar você
de mim?
(Flávia Côrtes - Maio de 2011)
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terça-feira, 31 de julho de 2012
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