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- ► 2010 (163)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Nós
(Flávia Côrtes e Renato Gusmão)
Em nossas vidas
somos o que vivemos
dizemos o que somos
e somamos
líquidos e sólidos
vitrais e papéis
os nós humanos
tão cruéis
tão normais
na palavra
o tudo
ou nada
no sempre do ontem
o resto do hoje
amanhã o rosto
oposto de vida e morte
coisas do verbo loucura
quem comanda é a fala
e nada nos cala
visgo de amor
e sanha
nossa própria fissura
Verbaliza-nos
vida insana.
(Texto escrito em parceria poética por Flávia Côrtes e Renato Gusmão)
Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:
http://cordapatria.blogspot.com.br/
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Bem Além
É quando
nem toda pergunta
precisa ser feita.
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br
É quando
nem toda pergunta
precisa ser feita.
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br
domingo, 6 de janeiro de 2013
Quase Poema de Beijinhos
Havia já um tempo
que eu não me amanhecia.
E o dia começava
daquele mesmo jeito
que já se sabia.
Um jeito de todo dia.
E eu seguia por tardes brancas
em busca de lagos azuis
pontilhados de beijinhos de chuva
como peixes suspirando ar.
Em uma tarde assim
um verso de beijinhos revoava
em volta de mim.
Mas eu não sei
como termina esse verso.
Ficou caído na poça d'água.
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2013)
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Amarelinhas
A laranja no copo de guaraná era amarela
e sorria para mim.
Como amarela era a flor
que imitava um peixe
no arranjo em frente à mesa.
E amarelo o sorvete de damasco
que refrescava o jardim
de amarelas Alamandas.
As páginas do meu Quintana
eram claras gemadas que eu folheava
na tarde quase quente.
Eu nunca gostei de amarelos.
Quando fortes, escandalosos.
Quando tênues, insossos.
E, talvez por saber
desta minha antipatia,
lá vem meu verso
saltando amarelinhas ao meu redor.
E eu, agora,
gosto!
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos
quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
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Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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sábado, 29 de dezembro de 2012
Ritual
Flávia Côrtes
Gostava de café forte
coado na hora
em coador de pano.
Achava bonito
o movimento que a água fazia
quando se misturava ao pó
em uma bolha marrom subindo
até a beirada redonda do coador.
Qualquer problema parecia pequeno quando o olhar se perdia
na bolha de café
dentro do coador de pano.
Gostava também do aroma que invadia a cozinha nesse momento.
Gosto,
aroma,
sensação,
reflexão,
paz.
Foi dentro de uma bolha
marrom de café
que o era rito iluminou-se
em ritual do cotidiano.
Flávia Côrtes
Dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Verbo em Desuso
Em tempos como este,
em que ninguém mais namora,
e em que as pessoas vagam
em busca de noites quentes,
ou de príncipes e princesas,
namorar virou démodé.
Eu não falo de "namoro" como "status de relacionamento".
Quem foi que disse que relacionamentos precisam de "status", meu Deus?!
Falo da conjugação do verbo.
Aquela que se articula no cotidiano.
Falo de mãos unidas no cinema,
de tardes inteiras sem sair da cama,
de saber por ter percebido,
de conhecer o caminho do arrepio
e se gosta de café forte.
Daquela mistura da vontade
com à vontade.
Pobre tempo este
em que a intenção do beijo
abandonou o batom.
Triste tempo este
de pessoas isoladas
teclando juntas
em mesas de bar.
Em tempos assim,
revolucionário é aquele
que liga no aniversário
que conta da saudade
que cruza a cidade para te ver.
E eu me vejo um tanto antiqüada.
E sem a menor intenção de modernidade.
Tão avêssa a bandeiras, me pergunto
quando foi que me tornei
revolucionária do afeto.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)
Em tempos como este,
em que ninguém mais namora,
e em que as pessoas vagam
em busca de noites quentes,
ou de príncipes e princesas,
namorar virou démodé.
Eu não falo de "namoro" como "status de relacionamento".
Quem foi que disse que relacionamentos precisam de "status", meu Deus?!
Falo da conjugação do verbo.
Aquela que se articula no cotidiano.
Falo de mãos unidas no cinema,
de tardes inteiras sem sair da cama,
de saber por ter percebido,
de conhecer o caminho do arrepio
e se gosta de café forte.
Daquela mistura da vontade
com à vontade.
Pobre tempo este
em que a intenção do beijo
abandonou o batom.
Triste tempo este
de pessoas isoladas
teclando juntas
em mesas de bar.
Em tempos assim,
revolucionário é aquele
que liga no aniversário
que conta da saudade
que cruza a cidade para te ver.
E eu me vejo um tanto antiqüada.
E sem a menor intenção de modernidade.
Tão avêssa a bandeiras, me pergunto
quando foi que me tornei
revolucionária do afeto.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)
sábado, 15 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Mirante
A noite era escura
após a tarde quente.
O deck de madeira projetado sobre o mar
havia sido colocado ali
para que fosse possível olhar.
E, por isso, ela olhava.
No parapeito de si mesma
observava o canto do mundo.
Olhos perdidos
onde o azul encontra o azul.
Um vento quase fresco
revoava as saias das moças.
Com algum esforço,
deixava-se de ouvir os sons da cidade.
Projetada sobre o mar,
envolta em vento,
por um momento
vislumbrou o infinito.
E ele era azul.
(Flávia Côrtes - dezembro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
A noite era escura
após a tarde quente.
O deck de madeira projetado sobre o mar
havia sido colocado ali
para que fosse possível olhar.
E, por isso, ela olhava.
No parapeito de si mesma
observava o canto do mundo.
Olhos perdidos
onde o azul encontra o azul.
Um vento quase fresco
revoava as saias das moças.
Com algum esforço,
deixava-se de ouvir os sons da cidade.
Projetada sobre o mar,
envolta em vento,
por um momento
vislumbrou o infinito.
E ele era azul.
(Flávia Côrtes - dezembro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Pudim de Leite
Algumas coisas para sempre vão lembrar meu pai.
Abraços de olhos fechados.
Meu pai dizia que "beijo só tem valor com abraço".
Pedia abraço.
E abraçava de olhos fechados.
Gargalhadas.
Seu riso enchia uma sala.
Não, na verdade, seu riso enchia uma vida.
Citações.
Não sei se ele sabe disso, mas suas palavras ecoam em mim o tempo todo.
Perco a conta de quantas vezes eu penso ou digo: "meu pai dizia..."
Perfume.
Não era nem o cheiro do perfume.
O perfume vende em perfumaria.
Era um cheiro amadeirado misturado com o do cigarro que ele "não fumava".
Eu não sei explicar.
Era um cheiro de pai.
Pudim de leite.
Não que ele soubesse fazer.
Mas ele sabia comer.
Dava gosto de ver meu pai comendo pudim de leite.
Fazia isso como fazia todo o resto.
Com gosto.
Eu não sei como terminar este verso.
Aliás, eu nem sei se isso é um verso.
Acho que é só uma saudade
que escorreu
como calda.
Uma saudade doce.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)
Algumas coisas para sempre vão lembrar meu pai.
Abraços de olhos fechados.
Meu pai dizia que "beijo só tem valor com abraço".
Pedia abraço.
E abraçava de olhos fechados.
Gargalhadas.
Seu riso enchia uma sala.
Não, na verdade, seu riso enchia uma vida.
Citações.
Não sei se ele sabe disso, mas suas palavras ecoam em mim o tempo todo.
Perco a conta de quantas vezes eu penso ou digo: "meu pai dizia..."
Perfume.
Não era nem o cheiro do perfume.
O perfume vende em perfumaria.
Era um cheiro amadeirado misturado com o do cigarro que ele "não fumava".
Eu não sei explicar.
Era um cheiro de pai.
Pudim de leite.
Não que ele soubesse fazer.
Mas ele sabia comer.
Dava gosto de ver meu pai comendo pudim de leite.
Fazia isso como fazia todo o resto.
Com gosto.
Eu não sei como terminar este verso.
Aliás, eu nem sei se isso é um verso.
Acho que é só uma saudade
que escorreu
como calda.
Uma saudade doce.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2012)
domingo, 25 de novembro de 2012
Fim do Mundo (?)
Hoje eu organizei meus e-mails pessoais. Insônia faz isso com a gente. Achei um e-mail que meu pai me mandou há alguns meses.
Meu pai costumava me mandar e-mails que achava interessantes. E eu, mesmo quando ocupada, dava um jeito de ler e ligar de volta para ele para conversar sobre o assunto. Eu gostava de conversar com ele. Os e-mails eram só mais um pretexto.
Hoje eu organizei meus e-mails pessoais. Insônia faz isso com a gente. Achei um e-mail que meu pai me mandou há alguns meses.
Meu pai costumava me mandar e-mails que achava interessantes. E eu, mesmo quando ocupada, dava um jeito de ler e ligar de volta para ele para conversar sobre o assunto. Eu gostava de conversar com ele. Os e-mails eram só mais um pretexto.
Às vezes, levava uns dias para eu conseguir ligar. E eu guardava as mensagens até lá. Foi assim que esta mensagem ficou guardada na minha caixa de entrada.
Eu não deletei porque não tive coragem. Porque não discutimos o assunto. E porque foi a última.
O título era "Entendendo a Profecia Maia". Contava sobre o fim do mundo. Não como o fim do planeta, mas como um momento de mudanças gigantescas nas vidas das pessoas.
2012 tem sido um ano de mudanças gigantescas. E dolorosas. Por mais de um motivo. Hoje, mesmo, eu brinquei com um amigo dizendo que eu sabia que seria o fim do mundo, mas achava que seria algo mais coletivo... :)
E, nesta noite insone, aqui está o e-mail que meu pai me mandou me dizendo que:
"O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas. A maneira de sincronizar-nos é, primeiro, não ter medo, perceber que podemos mudar nossa consciência. A física quântica já disse: a consciência modifica a matéria. O que significa que sua vida depende daquilo que você pensa... Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir".
Ok, Papai, vou abrir os olhos
e atentar os ouvidos.
Saudades.
(Flávia Côrtes - Novembro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
sábado, 24 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Levada da Breca
Quando menina, era levada da breca.
Daquelas que têm ventos nos tornozelos.
O tempo passou um pouquinho
e a menina levada da breca
decidiu ser levada a sério.
Moça, descalçou o pé de vento.
Mas salto alto é pouco
para menina acostumada
a nuvem.
Aí, fez de um livro trampolim
e buscou de volta o pé de vento.
Hoje, nem reclama
se não a levam a sério.
Prefere mesmo
ser levada a riso
a menina
levada da breca.
Flávia Côrtes - Outubro de 2012
www.poetaflaviacortes.com.br
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Para minha amiga Marisa Vieira. A menina levada da breca.
Porque você é daquelas. Daquelas que inspiram em verso.
Te vejo mais tarde, lá no pé de vento.
domingo, 14 de outubro de 2012
Combinação
Então, fica combinado assim...
É domingo.
E domingos merecem
Quintanas e varandas.
E tudo o mais que houver, nesta vida,
para ser feito ou resolvido,
pode esperar até que o Mário me diga este poema.
É só o tempo de um poema.
É só o tempo de uma canção.
Se te parece pouco, espia o infinito
que já se derrama dos meus olhos,
só de passear com o poeta por uns versos
nesta manhã cinzenta.
Quem foi que disse que domingos
não cabem inteiros
em meia manhã?
Pois se cabem em um poema...
(Flávia Côrtes - Outubro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
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