Foto de um dia nem tão cinzento
Geralmente, eu não gosto de dias cinzas.
Acho-os escuros. Um tanto insossos.
E abafados
Só que, hoje,
o vento nos presenteou
com nuvens luminosas decorando o canto direito do céu.
Ali perto da minha montanha.
Pincelou azul clarinho em toda a beirada esquerda do dia.
E arrumou os grandes flocos cor de chumbo no miolo.
Surpreendente dia cinza o de hoje
que deixou o vento brincar de aquarela
em suas beiradas
só para alegrar olhos poetas
a caminho do trabalho
Dezembro de 2011 - devaneios pela palavra
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
Colheita
Filha do Ano Novo,
nascida terra,
espelhada em água
para germinar palavra.
A nuvem que você vê
no meu olho
é só Poesia.
Terra irrigada germina verso.
A poeta,
em verdade,
só
colhe.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Beijo nas costas
Beijo nas costas
independente do arrepio
é de uma intimidade sem tamanho.
Pressupõe abraço de conchinha
ou um sobre o outro,
contato de corpo todo,
mãos envolvendo seios.
Então,
não é só beijo em pele sensível.
É receita de recomeço.
Bom demais.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)
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domingo, 4 de dezembro de 2011
O Dia da Magia
Tem dia que o dia escorre para dentro do quarto
E abre olhos poetas
A luz mostra mais que clareia
Coloca nuances no verde da parede
Reflete nas lâminas de madeira clara do piso
E deixa o olho descobrir sombras novas no teto branco
É o mesmo quarto
e o mesmo teto
É a mesma parede
e o mesmo chão
E a mesma é a poeta
Mas é domingo...
O dia da magia.
Novembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
Chuvinha
Eu gosto de chuva.
Só não gosto de chuvinha.
Dessa chuva que não chove.
É assim como
um mar sem onda,
um ar sem vento.
Algo como
um beijo sem arrepio,
um dia sem poesia,
fim de tarde sem crepúsculo,
tempestade sem vendaval,
gozo sem abraço.
Então...
Que tempinho mais xoxo este hoje!
(Flávia Côrtes - Novembro de 2011)
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domingo, 27 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Tempos
Modernos
Tempos modernos,
de modernas paixões em minissérie.
O virtual prende a retina.
Familias conversam pelo msn.
E não é porque um deles mora na Austrália.
Ele está no quarto ao lado.
Homens e mulheres trocam mensagens via celular por dias.
E não se telefonam.
Nem se encontram.
"Tomagoshies" alimentados pelo som da mensagem,
abrindo mão da voz, do riso,
dispensando o olhar e o toque.
Instantâneos efêmeros.
Cliques desgovernados em busca do perfeito.
Buscas incessantes com uma forma na mão.
Pai, perdoa-os.
Eles não sabem o que buscam!
Tempos modernos,
de modernas paixões em minissérie.
O virtual prende a retina.
Familias conversam pelo msn.
E não é porque um deles mora na Austrália.
Ele está no quarto ao lado.
Homens e mulheres trocam mensagens via celular por dias.
E não se telefonam.
Nem se encontram.
"Tomagoshies" alimentados pelo som da mensagem,
abrindo mão da voz, do riso,
dispensando o olhar e o toque.
Instantâneos efêmeros.
Cliques desgovernados em busca do perfeito.
Buscas incessantes com uma forma na mão.
Pai, perdoa-os.
Eles não sabem o que buscam!
Flávia
Côrtes – Outubro de 2011
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sábado, 5 de novembro de 2011
Poema para um quase amor
Eu acho que podia ter te amado.
Com uma dessas paixões desesperadas,
dessas que cruzam os dias em desatino,
por um amor que um dia se perdeu.
E eu acho
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões desencanadas,
que cruzam as noites em desvario,
por um amor que um dia se encontrou.
Eu acho até
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões mansinhas,
que cruzam manhãs devagarinho,
por um amor que nem sabe se viveu.
E, certamente, eu acho
que eu podia ter te amado
com uma paixão risonha e leve,
dessas que refrescam as tardes
e dão calores na gente de madrugada.
Mas só que eu só sei
de amores
que eu tive.
Então, meu quase amor,
de quase sorrisos,
quase suspiros,
e quase arrepios,
para você,
eu dedico um poema.
Inteiro.
Outubro de 2011
Eu acho que podia ter te amado.
Com uma dessas paixões desesperadas,
dessas que cruzam os dias em desatino,
por um amor que um dia se perdeu.
E eu acho
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões desencanadas,
que cruzam as noites em desvario,
por um amor que um dia se encontrou.
Eu acho até
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões mansinhas,
que cruzam manhãs devagarinho,
por um amor que nem sabe se viveu.
E, certamente, eu acho
que eu podia ter te amado
com uma paixão risonha e leve,
dessas que refrescam as tardes
e dão calores na gente de madrugada.
Mas só que eu só sei
de amores
que eu tive.
Então, meu quase amor,
de quase sorrisos,
quase suspiros,
e quase arrepios,
para você,
eu dedico um poema.
Inteiro.
Outubro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
Hieróglifos
E quando vi
falávamos de tudo
e de nada
A palavra dita misturada
na não dita
a linha embaralhada
na entrelinha
um riso entrelaçado
no meio
um assunto
sem começo ou fim
falando sem dizer
palavra
um contar da vida
um dizer do dia
que sem dizer
que conta
mostra
e eu
que me via
entoando versos
ainda não ditos
em palavras
não escritas
de uma linguagem
não inventada
te vi
leitor da entrelinha
descobridor do verso
tradutor do hieróglifo
da história
ainda não escrita
de nós dois
e agora
nos intercalamos
hora página
hora pena
hora palavra
Em tempo tempo tempo
Outubro de 2010
E quando vi
falávamos de tudo
e de nada
A palavra dita misturada
na não dita
a linha embaralhada
na entrelinha
um riso entrelaçado
no meio
um assunto
sem começo ou fim
falando sem dizer
palavra
um contar da vida
um dizer do dia
que sem dizer
que conta
mostra
e eu
que me via
entoando versos
ainda não ditos
em palavras
não escritas
de uma linguagem
não inventada
te vi
leitor da entrelinha
descobridor do verso
tradutor do hieróglifo
da história
ainda não escrita
de nós dois
e agora
nos intercalamos
hora página
hora pena
hora palavra
Em tempo tempo tempo
Outubro de 2010
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Penélope
Para entender o gênesis do desencanto
Há de se saber a origem do desejo
E aí, é só percorrer o caminho inverso
É um desfazer
Que começa
Em um não fazer
Um se distancia do outro
Sem perceber
O fio preso
No silêncio
E eu aqui
Hora tecelã
Hora Penélope
Desfaço as horas
Enquanto teço
Versos
Desfaço os versos
Enquanto
Teço horas
E enquanto teço
E enquanto verso
Desfaço-te
Outubro de 2011
Para entender o gênesis do desencanto
Há de se saber a origem do desejo
E aí, é só percorrer o caminho inverso
É um desfazer
Que começa
Em um não fazer
Um se distancia do outro
Sem perceber
O fio preso
No silêncio
E eu aqui
Hora tecelã
Hora Penélope
Desfaço as horas
Enquanto teço
Versos
Desfaço os versos
Enquanto
Teço horas
E enquanto teço
E enquanto verso
Desfaço-te
Outubro de 2011
Irmãos
Juntos caíram, juntos se levantaram, juntos riram e choraram.
Brigaram e fizeram as pazes em dois minutos, centenas de vezes, como cabe a irmãos.
Se protegeram de outros, zangados, preferindo levar porrada eles mesmos
porque só irmãos podem se bater.
E se empurraram, rindo, em direção a outros, sabendo o quanto seria bom.
E deitaram-se de mãos dadas no escuro
e contaram os sonhos assim que acordaram
e falaram de seus medos, seus pudores, seus anseios
Falaram dos dias ruins quando aconteceram
falaram das vitórias nos dias em que as viveram
Contaram seus desejos, pouco antes de decidir se iriam mesmo se entregar a estes
e, logo depois, quer em jubilo, quer em arrependimento
Deliciaram-se em saber-se entendidos pelo olhar, sem precisar explicar-se
E também explicaram-se uns aos outros, sem necessidade,
só pelo gosto de ser ouvido por quem te aceita, mesmo que não te entenda.
E, nesta troca, cresceram.
Floresceram, cada um ao seu modo.
E, ainda que diversos,
essencialmente juntos.
E, ainda que distantes,
eternamente
Irmãos.
Setembro de 2011
Juntos caíram, juntos se levantaram, juntos riram e choraram.
Brigaram e fizeram as pazes em dois minutos, centenas de vezes, como cabe a irmãos.
Se protegeram de outros, zangados, preferindo levar porrada eles mesmos
porque só irmãos podem se bater.
E se empurraram, rindo, em direção a outros, sabendo o quanto seria bom.
E deitaram-se de mãos dadas no escuro
e contaram os sonhos assim que acordaram
e falaram de seus medos, seus pudores, seus anseios
Falaram dos dias ruins quando aconteceram
falaram das vitórias nos dias em que as viveram
Contaram seus desejos, pouco antes de decidir se iriam mesmo se entregar a estes
e, logo depois, quer em jubilo, quer em arrependimento
Deliciaram-se em saber-se entendidos pelo olhar, sem precisar explicar-se
E também explicaram-se uns aos outros, sem necessidade,
só pelo gosto de ser ouvido por quem te aceita, mesmo que não te entenda.
E, nesta troca, cresceram.
Floresceram, cada um ao seu modo.
E, ainda que diversos,
essencialmente juntos.
E, ainda que distantes,
eternamente
Irmãos.
Setembro de 2011
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