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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Penélope

Para entender o gênesis do desencanto
Há de se saber a origem do desejo
E aí, é só percorrer o caminho inverso

É um desfazer
Que começa
Em um não fazer

Um se distancia do outro
Sem perceber
O fio preso
No silêncio

E eu aqui
Hora tecelã
Hora Penélope

Desfaço as horas
Enquanto teço
Versos

Desfaço os versos
Enquanto
Teço horas

E enquanto teço
E enquanto verso
Desfaço-te

Outubro de 2011

Um comentário:

André Bessa disse...

Flávia,

para mim, dentre os teus melhores textos, este é o que mais me encantou até agora. As construções em espelho nele contidas, são próprias de quem é realmente íntima da coisa poética.

Embora tenhas te afastado de vez das minhas simplórias letras, nem por isso deixarei de vir aqui para admirar os teus belos poemas – como este, por exemplo.

Bom domingo, boa semana.

André