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domingo, 11 de dezembro de 2011

Rafting

E veio para mim
como eu fui
Rio de encontro ao mar

Cristalina e brilhante,
é verdade,
mas só água

E eu,
acostumada que estou
a ventanias,
nem estranhei
corredeiras

Dezembro 2012

sábado, 10 de dezembro de 2011



Colheita

Filha do Ano Novo,
nascida terra,
espelhada em água
para germinar palavra.

A nuvem que você vê
no meu olho
é só Poesia.

Terra irrigada germina verso.

A poeta,
em verdade,
só
colhe.


 (Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)

www.poetaflaviacortes.com.br


Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


Cedo ainda

Outro dia
qualquer dia
qualquer hora
qualquer tempo

não precisa ser sempre
no "agora"

Devaneio pela Palavra
Novembro de 2011


Beijo nas costas

Beijo nas costas
independente do arrepio
é de uma intimidade sem tamanho.

Pressupõe abraço de conchinha
ou um sobre o outro,
contato de corpo todo,
mãos envolvendo seios.

Então,
não é só beijo em pele sensível.


É receita de recomeço.

Bom demais.



(Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)



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domingo, 4 de dezembro de 2011


O Dia da Magia

Tem dia que o dia escorre para dentro do quarto
E abre olhos poetas

A luz mostra mais que clareia
Coloca nuances no verde da parede
Reflete nas lâminas de madeira clara do piso
E deixa o olho descobrir sombras novas no teto branco

É o mesmo quarto
e o mesmo teto
É a mesma parede
e o mesmo chão
E a mesma é a poeta

Mas é domingo...
O dia da magia.

Novembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011



Chuvinha


Eu gosto de chuva.
Só não gosto de chuvinha.
Dessa chuva que não chove.

É assim como
um mar sem onda,
um ar sem vento.

Algo como
um beijo sem arrepio,
um dia sem poesia,
fim de tarde sem crepúsculo,
tempestade sem vendaval,
gozo sem abraço.

Então...
Que tempinho mais xoxo este hoje!


(Flávia Côrtes - Novembro de 2011)

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domingo, 27 de novembro de 2011


Inteira

Até o efêmero pode acontecer
desde que seja inteiro na sua efemeridade

Essa coisa meio morna
meio quase
meio "meio"...
...não dá

Ou arrebatada
Ou conquistada.
Mas nunca mais ou menos.

Eu sou inteira.

(Novembro de 2011)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Tempos Modernos


Tempos modernos,
de modernas paixões em minissérie.
O virtual prende a retina.

Familias conversam pelo msn.
 E não é porque um deles mora na Austrália.
Ele está no quarto ao lado.

Homens e mulheres trocam mensagens via celular por dias.
E não se telefonam.
Nem se encontram.

"Tomagoshies" alimentados pelo som da mensagem,
 abrindo mão da voz,  do riso,
 dispensando o olhar e o toque.

Instantâneos efêmeros.
Cliques desgovernados em busca do perfeito.
Buscas incessantes com uma forma na mão.

Pai, perdoa-os.
Eles não sabem o que buscam!


Flávia Côrtes – Outubro de 2011
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sábado, 5 de novembro de 2011

Poema para um quase amor

Eu acho que podia ter te amado.
Com uma dessas paixões desesperadas,
dessas que cruzam os dias em desatino,
por um amor que um dia se perdeu.

E eu acho
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões desencanadas,
que cruzam as noites em desvario,
por um amor que um dia se encontrou.

Eu acho até
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões mansinhas,
que cruzam manhãs devagarinho,
por um amor que nem sabe se viveu.

E, certamente, eu acho
que eu podia ter te amado
com uma paixão risonha e leve,
dessas que refrescam as tardes
e dão calores na gente de madrugada.

Mas só que eu só sei
de amores
que eu tive.

Então, meu quase amor,
de quase sorrisos,
quase suspiros,
e quase arrepios,
para você,
eu dedico um poema.

Inteiro.


Outubro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

Hieróglifos

E quando vi
falávamos de tudo
e de nada

A palavra dita misturada
na não dita
a linha embaralhada
na entrelinha
um riso entrelaçado
no meio

um assunto
sem começo ou fim
falando sem dizer
palavra

um contar da vida
um dizer do dia
que sem dizer
que conta
mostra

e eu
que me via
entoando versos
ainda não ditos
em palavras
não escritas
de uma linguagem
não inventada

te vi
leitor da entrelinha
descobridor do verso
tradutor do hieróglifo
da história
ainda não escrita
de nós dois

e agora
nos intercalamos

hora página
hora pena
hora palavra

Em tempo tempo tempo

Outubro de 2010

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Para bom leitor de entrelinhas

O risco é só
de você me dizer coisas
que eu quero ouvir
de eu fazer coisas
que não quero fazer
de eu dizer coisas
que não quero dizer
de você fazer coisas
que não quer fazer

Então, melhor não
Antes que não reste
Nem mesmo um poema

Outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Desisto

Eu te disse
que não sei desistir

Era mentira
Na verdade,
Eu desisto

É só olhar em volta
E para trás
E vai ver
Volta e meia
Eu desisto

O caso é que
Não tenho pudor
Em desistir de desistir
Principalmente se for
De gente

Então
Desiste você
De mim

Outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Penélope

Para entender o gênesis do desencanto
Há de se saber a origem do desejo
E aí, é só percorrer o caminho inverso

É um desfazer
Que começa
Em um não fazer

Um se distancia do outro
Sem perceber
O fio preso
No silêncio

E eu aqui
Hora tecelã
Hora Penélope

Desfaço as horas
Enquanto teço
Versos

Desfaço os versos
Enquanto
Teço horas

E enquanto teço
E enquanto verso
Desfaço-te

Outubro de 2011
Irmãos

Juntos caíram, juntos se levantaram, juntos riram e choraram.
Brigaram e fizeram as pazes em dois minutos, centenas de vezes, como cabe a irmãos.

Se protegeram de outros, zangados, preferindo levar porrada eles mesmos
porque só irmãos podem se bater.

E se empurraram, rindo, em direção a outros, sabendo o quanto seria bom.

E deitaram-se de mãos dadas no escuro
e contaram os sonhos assim que acordaram
e falaram de seus medos, seus pudores, seus anseios

Falaram dos dias ruins quando aconteceram
falaram das vitórias nos dias em que as viveram

Contaram seus desejos, pouco antes de decidir se iriam mesmo se entregar a estes
e, logo depois, quer em jubilo, quer em arrependimento

Deliciaram-se em saber-se entendidos pelo olhar, sem precisar explicar-se
E também explicaram-se uns aos outros, sem necessidade,
só pelo gosto de ser ouvido por quem te aceita, mesmo que não te entenda.

E, nesta troca, cresceram.

Floresceram, cada um ao seu modo.

E, ainda que diversos,

essencialmente juntos.

E, ainda que distantes,

eternamente

Irmãos.


Setembro de 2011
Decisões

Não decidir
Não faz de mim
Indecisa

É que eu posso simplesmente
Não querer resolver

Porque se for para te resolver
A resolução
É "não"

Então
Subverto o direito
Abdico a decisão
E só
Vivo

Nem sim,
Nem não,
Nem talvez.

Apenas
Agora!

Outubro de 2011
Vivenciando

Até que vai chegar uma hora
Que a vida vai fazer
O que a vida faz
Que é fazer a gente
Viver

Outubro de 2011
Ressaca

Cabeça pesada
Boca ressecada
Corpo doído
Cansaço

Olhos vermelhos
Estômago embrulhado
Noite mal-dormida
Amanhecida
Opaca

E o pior é que
Não tem
Gemada
Ou copo d'água
Que cure decepção
De quem, um dia, amigo

Quem sabe
Poesia

Outubro de 2011


Como Chegar

A minha varanda fica
entre uma palmeira e um antúrio,
logo depois de uma fonte
que faz barulhinho d'água...

Siga por alguns versos,
de acordo com os caminhos
que ditarem os ventos.

É recomendado perder-se um pouco pelo caminho.
Se houver dúvida, feche os olhos,
e siga o poema.



(Flávia Côrtes - Setembro de 2011)
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Entrelinhas

Se eu digo que
Não te quero
Dói-me menos
Que não venhas

Se eu digo que
Não a deixes
Dói-me menos
A tua escolha

Então,
nem sei o porque
do Poema

Setembro de 2011
Receita de Insônia

Almoço de tarde inteira com amigos
E soneca das 18h às 22h
Bom dia, Madrugada!

Setembro de 2011