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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não é com você... é comigo. Não é comigo... é com você. Relaxa. Não é com a gente. Só não é.

Trabalho, família, momentos... nada disso nunca foi motivo para não viver, não fazer... sem saber, sem poder... O único motivo é não querer. Fácil e simples. Não precisa explicar. Não precisa entender. Não precisava nem dizer.

Então, relaxa. Sedutor é o reflexo. Encantador é o eco. Se você não quer... como posso eu, então, querer?

Agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Estranho Domingo


O domingo acordou mudo. Acordei cedinho e, como de costume, fiquei ouvindo o silêncio e esperando. As palavras não vieram.


Eu sabia, desde a hora que acordei, que não viriam... mas esperei assim mesmo. Assim como quem espera ligação de namorado novo. A gente sabe que não vai acontecer, mas espera. E a espera também é boa.


Deu vontade de dar uma ligadinha para as minhas palavras. Eu não sou muito boa nessa coisa de esperar. Mas aí, lembrei que tinha que ir ao mercado e saí para o meu domingo. Estranho e mudo domingo.


Agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009


Abri a porta para você. Verdade que eu só queria te ver um pouco. Mas você chegou aqui e me olhou desse jeito que só você olha. E me tocou desse jeito que ninguém mais toca. Teu toque derreteu o tempo e fez da hora a certa.

Eu te vi ir antes mesmo de você sair. Tudo bem. Eu que te deixei entrar. Então eu deixo você ir. Me faz um favor, vai. Encosta a porta para mim quando você sair.

Julho de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

Nem toda ordem coloca as coisas em seu lugar.

Arrasta para o centro da sala a sua cama. Troca as cortinas. Esvazia as gavetas. Tira do armário os lençóis novos. Joga fora os sapatos velhos. Compra uma cafeteira nova. Coloca um vaso de flores no banheiro. E pendura quadros novos nas paredes.

Se não funcionar...

Arrasta para o centro da cama as suas gavetas. Tira as cortinas. Joga fora os lençóis. Esvazia a cafeteira. Coloca na geladeira os sapatos velhos. E tira do armário as flores.

Julho de 2009
Brincando de Réplicas com a minha amiga Alice
Confiram o poema que gerou este:
http://loucurasfemininasdealice.blogspot.com/2009/07/alguma-coisa-esta-fora-da-ordem-na.html

Viro, eu também, o espelho através do vidro.

Que gosto é esse pelo abismo? Que atração é essa pela queda? Olhamos pela encosta, qual asnos, hipnotizados. A certeza do impacto não reduz, em nada, a sedução do vôo.

Nossa fragilidade nos fortalece. Nossa incoerência nos seduz. Relevamos a nós mesmos, mas também ao outro. Revelamos a nós mesmos, mas raramente ao outro. Perdemos a nós mesmos e também ao outro. Mas seguimos.

Julho de 2009
Este escrevi para um amigo que tem o desconcertante hábito de me virar espelhos de repente. Alguns, inclusive, em que eu ainda não tinha olhado.



A vontade de você é sem expectativas e sem espectros.

É gostoso conversar com você.
Gosto quando você me conta das suas histórias e das suas vitórias.
Te falo das batalhas que briguei por dentro.
Te conto dos medos que venci sozinha. 
Entendo quando você me conta dos seus receios e dos seus defeitos.
A gente se reconhece.

Te deixo me beijar por dentro e aprender meus beijos.
Aprendo o teu abraço.
Gosto quando você me olha, me vê e me traduz.
Gosto de olhar para você, bonito e nu,
contando para mim das coisas que você ama.
A gente se seduz.

Gosto de saber que posso me amparar em você,
mas que você sabe que isso vai ser muito raro.
E que não se incomoda com isso.

É bom me encontrar em você.

E é muito bom saber
que você sabe
que, se precisar, eu me perco de você.

Só não sei me perder de mim.


Flávia Côrtes - Julho de 2009
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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domingo, 26 de julho de 2009


Tô me lambuzando em letras.

Acordei de manhã com vontade de letra. É uma mistura isso. É uma fome de poesia que vem junto com sede de música.

Liguei a música e fui passear nos versos da Adélia... inútil isso... não dá para sentir poesia ao mesmo tempo que se ouve música... embaralham as palavras umas com as outras... não combinam os sons...

Então, fiquei com as melodias gracinhas da Zélia, que vêm com letras que dão vontade de correr para a varanda e músicas que fazem o corpo se movimentar sozinho, suavemente, enquanto a mente esvazia da letra e se enche do som.

Julho de 2009
(manhã chuvosa de domingo... lendo, dizendo, ouvindo e sentindo "Pelo Sabor do Gesto")

Para quem também quiser:
http://www.radio.uol.com.br/#/busca/album/Pelo Sabor do Gesto Sabor do Gesto

quinta-feira, 23 de julho de 2009



Cética

Eu sei do teu desejo.
Só não espero a tua vontade.
Não espero eco.

Não por não querer, só por saber.
Ainda assim, mostro.
Mais que mostro, conto.

Não calo o que abala.
Não escondo sorrisos.
Não abafo suspiros.
Se te quero, eu digo.
Se sinto, eu falo.
Se me quer, 
acostuma.  

Mas saiba:
muito pouco me abala.

Derreto no teu beijo, me desfaço no teu toque.
Mas se não me seduz, não me cativa.
Se não me desafia, não te guardo.
Se não me instiga, não me tem.

Eu quero que você vença.
Mas não vou te deixar ganhar.

Então,
duvido.

Flávia Côrtes - Julho de 2009

www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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A frase não tinha nem mesmo formado palavra quando deslizou suavemente por ela. Foi buscá-la no sonho. Acordou e ficou olhando o alvorecer do verso. Era um desses versos que prefere não vestir palavra. Que fica olhando para você nu. Ficaram os dois ali se olhando, tranqüilos e nus. Tinha um quê sacana aquele verso. Se estivesse com mais tempo, dobrava-o.

Julho de 2009 – minutos antes do som do despertador me arrancar da cama

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Meu avesso também é direito.

Dia desses, uma amiga cobrou-me explicações sobre as minhas incoerências. Difícil resposta essa. É mais umas daquelas coisas tão complicadas de explicar que fujo da resposta com um sorriso. Cansa-me um pouco explicações antecipadamente incompreendidas. Prefiro guardá-las comigo.

É que tem a questão da intensidade. E tem a coisa da vontade.

Não sei viver as coisas de outra forma que não seja muito. Faço intensamente. Vivo inteiramente. Sofro profundamente. Meu riso não é metade. Meu choro não é contido. Se me fecho, eu tranco. Se me abro, eu mostro. Eu me permito. Me perco na minha vontade e nela também me encontro. Meu gozo é onda.

Tem sempre um sorriso chegando ou saindo. Ou, então, grudado nos olhos. Mas vivo as minhas tristezas. Plenamente. E, às vezes no mesmo dia, as guardo.

Eu choro a minha lágrima para fora. Se você nunca viu é porque preciso de privacidade para chorar. Preciso de liberdade para me derramar. Irrita-me um pouco esse ímpeto que as pessoas têm de secar a lágrima e interromper o pranto. Se um dia eu chorar na sua frente, não me consola, vai. Ou chora comigo ou, então, me abraça. Mas me deixa chorar.

Eu acho sempre com muita propriedade. Coerente, articulada, decidida, equilibrada. Não fosse a vontade... nem sempre o que eu quero é igual ao que eu acho.

Decido que espero você me ligar. E espero. Até a vontade de ouvir a sua voz me fazer quebrar o protocolo. E quebro. Acho melhor não te contar de mim. E não conto. Até você me olhar por dentro, desse jeito que você faz, e me dar essa vontade de te dizer. E digo. Resolvo que não faço. E não faço. Até a vontade me encontrar de novo. E faço. Sei que é melhor não te deixar ir além. E não deixo. Até a vontade chegar de mansinho. E peço.

A dupla face não é máscara. É o meu avesso. Mas sou eu.

Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A quarta-feira me despertou com vontades de domingo. O perfume escolheu o ponto do beijo, o baton previu o sorriso, o vestido antecipou o olhar... Ainda não sei se foi a manhã que fez domingo em mim, ou se fui eu que seduzi a manhã.
Julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Retina

Meu olho escancara,
sem qualquer reserva,
o que sou.

Mergulha, então, nas minhas janelas.
Revira, sem pudor, as minhas gavetas.

Sou inteira e nua.
Aberta e exposta.

Mas olha de novo amanhã,
e depois de amanhã,
e também depois...

Entende o meu avesso.
Flávia Côrtes - Julho de 2009
Brincando de Réplicas com a minha amiga Alice
Confira o poema que gerou este em:
http://loucurasfemininasdealice.blogspot.com/2009/02/eu-sou-uma-farsa-nao-sou-nada-do-que-ve.html

segunda-feira, 13 de julho de 2009


Teus olhos me seguiram pelo dia. Roubaram a atenção, interromperam a frase, dispersaram o pensamento. Esse olhar que me olha por dentro. Parei o dia para ver você olhar para mim.

Julho de 2009


Áquila


Os olhos pesam enquanto a hora escorre.
E eu insisto sem saber.

Sem saber se a minha noite
encontra hoje a sua manhã.

Sem saber se o teu dia
penetra hoje a minha madrugada.

Sem saber se nos veremos
por esta fresta,
nas beirinhas de nossos dias.


Julho de 2009

Dormia profundamente quando a idéia começou a voar em volta dela, qual borboleta espantando o sonho. O verso rasgou a madrugada e ficou olhando para ela. Era madrugada, mas o verso era tão bonito.

(Passeio pela Palavra)
Madrugada de Julho de 2009


Lúcida?... talvez. Verdade, mesmo... me prefiro lúdica... para não perder a lucidez.

(Devaneios pela Palavra)
Julho de 2009
Conversa sobre prioridades com uma amiga

Chego em casa, por volta das sete da noite e uma amiga liga para saber de mim... se tinha melhorado, onde estava... esses cuidados que os amigos têm uns com os outros quando se sabem doentes.

Tranqüilizada por mim, que ainda não estou bem, mas já me considero boa, vem a pergunta:

“Mas onde você foi, afinal?”

“Ah... dei só uma passadinha numa livraria, que o meu livro acabou ontem... coisa rápida... já estou chegando em casa...”

A gargalhada da minha amiga me interrompe.

"Você fala “acabou o meu livro” exatamente como quem diz “acabou o meu pão e eu dei um pulinho na padaria”... risos... agora, eu aposto que aquela lista de compras que a sua faxineira deixou na sua geladeira na semana passada continua lá...risos”

Na verdade, continua.

Julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009


Me conta da tua vida....me fala da tua história... o que faz... onde mora... em que trabalha... me fala dessas coisas que gente precisa saber.

Quem sabe assim eu entendo essa intimidade sem tempo... essa química estabelecida pela palavra.... sem o olhar, sem o sorriso, sem o gosto... sem o cheiro... sem o toque.

Me conta do teu dia... me fala do que comeu... me diz o que sonhou.

Quem sabe assim eu entendo essa certeza... certeza do beijo dando em suspiro... certeza do toque dando em arrepio... certeza do gosto... certeza do gozo.

Me diz o que você acha... me fala o que você pensa... me conta das coisas que a gente precisa saber.

Quem sabe assim eu entendo.

Julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009


Manhãs... (devaneios pela palavra)

Texto 01
Acho fascinantes manhãs de domingo. É como abrir presentes... tiro o laço do dia e abro a manhã devagarinho.

Texto 02
Inquieta manhã. Acordei com o dia sussurrando possibilidades no meu ouvido... me dando vontades. Tentei não dar muita bola, fingi que dormia, mas não teve jeito. Riu no meu ouvido, brincou com os meus desejos, falou do que podíamos fazer juntos... me conhece bem o dia.

Manhã de domingo – Julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009


Abraço em Texto para uma Amiga

Levanta os olhos, minha amiga.
Deixa a vida entrar de novo na sua vida.

Deixa o sol iluminar o seu rosto
e o vento levar o seu corpo.
Que, sem isso, também não tem graça.

Deixa o riso invadir o seu dia
e a música guiar os seus passos.

Deixa um amigo te abraçar.
Que, sem isso, também não tem como.

Deixa a coisa acontecer,
deixa o rio correr,
deixa a vida seguir.

Se hoje é o último dia do fim,
amanhã é o começo.

O por do sol também é um final.
O fim não precisa ser feio.


Flávia Côrtes - Julho de 2009
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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