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segunda-feira, 23 de abril de 2012



Bordado à Chuva

Pela vidraça,
cristais de chuva
escorrem em teias.

No ar,
um cheiro fresco
ecoa pingos.

Em delicado artesanato,
associo fonemas.

Suspendo o lápis,
agulha do invisível,
e prendo o pensamento
em fio prateado
para bordar em verso
o desenho que a chuva
escolheu
quando brincou de aranha
na tela da minha janela.

Desaprendo o mundo
no reflexo invertido
da gota.

E bordo.

(Flávia Côrtes - Abril de 2012)



www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.


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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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4 comentários:

Administrateur disse...

Olá, Flávia,

quanto tempo já que não parecia por este seu espaço de belas letras...

Uma verdadeira tapeçaria poética esse seu texto, urdido com inteligência e sensibilidade e bordado de criatividade. "lápis, agulha do invisível..." é uma preciosidade.

Feliz de reler suas belas letras.

Boa sorte, um beijo,

André

Marcio JR disse...

Olá, Flávia.

Passeando pelo blog de um amigo em comum (André Bessa), vi seu comentário e pensei em conhecer teu blog. E honestamente? Não me arrependi.

Numa visita rápida, encontrei verdadeiras pérolas, como este bordado em fio mágico.

O que li é a sensibilidade em forma de verso, numa combinação que exulta algo em mim que apenas a chuva na janela pode me trazer. Fantástico.

Adorei o que li. Sempre bom encontrar pessoas sensível e que utilizam esses lápis do infinito para escrever tão belamente.

Abraços.

Marcio

Samara Bassi disse...

o meu lápis é um pêndulo por onde meu coração circula,
por onde circunscrita uma rabisqueira sem intenção de ser poesia, apenas uma goteira me (trans)bordando inteira, me esvaziando, me preenchendo numa queda d'água sem ter fim.

Coisa mais singela e linda, Flávia.
Tens uma sensibilidade aguçada e especial. Escreve brincando, essa coisa séria.

Meu abraço.
me cativou.
Sam

Lázara papandrea disse...

o desenho da chuva a brincar de aranha na janela é de uma imagem poética incrívelFlávia!