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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Subconsciência
Precisa de um tanto
de coragem
para olhar de fato
para dentro.
Sensação de criança
que observa
copo quase imóvel
em brincadeira do oculto.
Abriria Pandora a caixa
se guardasse
a si mesma?
Suspenderia Psiquê
a chama
ante a própria face?
Espio e espero.
(Flávia Côrtes - Outubro de 2013)
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Posologia
Cansa-me essa gente
que só consegue
enxergar política
e contexto histórico.
Esquecem que as gentes
são feitas de sonhos,
de amores
e quereres.
Toda vida nasce
com vocação para ser bela.
Ao contrário do que se pensa,
o olho que vê beleza
não se fecha perante ao podre.
A mão que aplaude,
se estende mais
do que a que bate,
acredite.
A voz que entoa
dificilmente
cala ao absurdo.
A quem não enxergar isso,
eu recomendo
um poema pela manhã
e uma canção antes de dormir.
Esse mal tem cura.
Flávia Côrtes - Outubro de 2013
Cansa-me essa gente
que só consegue
enxergar política
e contexto histórico.
Esquecem que as gentes
são feitas de sonhos,
de amores
e quereres.
Toda vida nasce
com vocação para ser bela.
Ao contrário do que se pensa,
o olho que vê beleza
não se fecha perante ao podre.
A mão que aplaude,
se estende mais
do que a que bate,
acredite.
A voz que entoa
dificilmente
cala ao absurdo.
A quem não enxergar isso,
eu recomendo
um poema pela manhã
e uma canção antes de dormir.
Esse mal tem cura.
Flávia Côrtes - Outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Nem era
(Letra de Flávia Côrtes e música de Daniel Rolim)
Nem era,
não era
e nem era.
Não era prá você...
O tempo estava disfarçado de bonito
e eu nem sabia se ia
quando escolhi a saia rodada
que nem era para você.
Nem era,
não era
e nem era.
Não era prá você...
Teu perfume preferido
um acaso.
E o baton vermelho
o que tinha.
Eu nem sabia
se ia
e nem era prá você...
Nem era.
Não era.
E nem era.
Não era prá você...
Não te procurei no salão,
e não vi teu olho no meu.
Meu samba?
Não era teu.
Não era.
Não era teu.
Meu samba?
Não era teu.
Não era.
Não era teu.
Não era...
(Flávia Côrtes - Setembro de 2013)
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
A frase trouxe um sorriso
algo terno, algo cúmplice,
daqueles que trazem lembrança
do que não aconteceu.
É que não aconteceu,
mas foi quase.
Um quase com gosto de ainda.
(Flávia Côrtes - setembro de 2013)
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos
quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
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Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Sentido e Direção
Não se perde o rumo
por abaixar os olhos.
Há tempo
para contemplação.
Atentar infinitos
não desnorteia bússolas
de quem conhece
o eixo.
Até o chão
para ser caminho
precisa de direção.
(Flávia Côrtes - Setembro de 2013).
www.poetaflaviacortes.com.br
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Certezas
Por trás de cada nuvem
sempre tem um azul.
E eu nem sempre preciso
apagar o sol
para saber estrelas.
Toda lua é cheia
se te reflete.
A metade inteira
não é menos bela.
Inícios,
às vezes,
me bastam.
(Flávia Côrtes - setembro de 2013)
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Boa Hora
Pétalas decoradas de chuva
pela manhã
contam que ainda é inverno
no Rio de Janeiro.
Uns brotos
nas árvores quase secas
sussurram setembro.
Vermelhos desafiam a sentença
e crescem.
Há os que vêem, em invernos, estiagens.
E suportam.
Há os que tricotam casulos.
E esperam.
E há
os que se enamoram
da gestação.
(Flávia Côrtes - agosto de 2013)
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Extra!
Está na rede social!
Então, deu no Jornal!
(... ou mais que isso...)
Mas o que funciona bem
para fugir do mar sereno
que me mostra
o Jornal Nacional,
vira piada no meu mural.
E a pessoa "gentil"
chama a outra de "grossa"
na rede social.
E a pessoa "modesta"
chama o "metido" de "misantropo"
na rede social.
E a gente faz o que, né?
Bloqueia ou dá risada.
E procura "misantropo"
no dicionário.
Porque, no tempo do meu pai,
Modéstia era arma
de incompetente.
Vamos, portanto,
ao Google
descobrir a Misantropia
que a Nova Era nos mostra.
(Flávia Côrtes - agosto de 2013)
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Sanidades
Manter-se são
é verbo que flexiona
com o sujeito.
Depende de cada um.
E ninguém consegue
manter-se sujeito oculto de si mesmo
por muito tempo.
(Flávia Côrtes - agosto de 2013)
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Azul Plissado
Em tempos exaustos,
às vezes, preciso
dormir com as janelas abertas
para não perder a hora.
Não é ruim acordar com luz.
É até bonito.
Hoje mesmo
acordei com o azul brincando
de saia plissada
com o branco da persiana.
O problema é que o dia
não te deixa regular a hora.
Vai te acordar as seis da manhã,
ainda que você possa dormir
até as sete e meia.
E, às seis da manhã,
até a beleza cansa.
Daí, a gente escolhe
se reclama
porque o dia acordou cedo
ou se espia a manhã de volta
por trás da saia plissada
da persiana.
A vida inventa beleza em tudo.
Mas para ver
a gente precisa
escolher ver.
(Flávia Côrtes - agosto de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Sabe essa gente que traz no olho um sorriso
e no sorriso uma luz?
Sabe esse povo que tem no nome uma música
e no sobrenome uma guerra?
É uma gente que diz que não é poeta,
mas que o pensamento voa
ou paralisa
num verso.
É de um ombro que alinha no teu
para qualquer briga
e que te abraça
em qualquer tempo.
Pois é...
... nem todo mundo vê
nem todo mundo sabe
nem todo mundo sente
o tanto de força que precisa ter
para levar um sorriso desses todo dia
um brilho desses todo dia
uma ternura dessas todo dia
no meio dessa luta que é
o dia-a-dia.
Flávia Côrtes - Agosto de 2013
Para minha amiga Morena Grijó.
Porque você é dessas.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
2451
(Flávia Cortes & Renato Gusmão)
Entre um Sudeste e um Norte
desnorteia a distância
e só a nós compete
aquela noite
nossa lembrança
o que te dou
de um errante passageiro
ou me deste rimas
do teu Rio de Janeiro
nesse riso clima
entre valsa e partido alto
uma voz de deusa
esgarça outro poema seda de asfalto
a luz do pensamento
viaja num átimo
vigília de estrelas íntimas
dentro das noites porvir
sorria um verso
e Bem Além é aqui.
(Texto escrito em parceria poética por Renato Gusmão e Flávia Côrtes)
Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:
http://cordapatria.blogspot.com.br/
(Flávia Cortes & Renato Gusmão)
Entre um Sudeste e um Norte
desnorteia a distância
e só a nós compete
aquela noite
nossa lembrança
o que te dou
de um errante passageiro
ou me deste rimas
do teu Rio de Janeiro
nesse riso clima
entre valsa e partido alto
uma voz de deusa
esgarça outro poema seda de asfalto
a luz do pensamento
viaja num átimo
vigília de estrelas íntimas
dentro das noites porvir
sorria um verso
e Bem Além é aqui.
(Texto escrito em parceria poética por Renato Gusmão e Flávia Côrtes)
Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:
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sexta-feira, 26 de julho de 2013
Memória Afetiva
Um dia eu descobri
que as borboletas
eram pétalas
que meu pensamento alado
revoou.
Mas e daí...?
Hoje cedo eu também vi
que onde Ipês,
Alamandas.
E nem por isso menos amarelas.
E nem por isso eu menos colibri.
E se nem por isso menos,
talvez por isso tanto.
Chame de percepção
se quiser.
Eu
poesia.
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br
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terça-feira, 16 de julho de 2013
O que é o que é?
Eu não faço idéia do que acontece em algumas madrugadas no andar de cima. Quer dizer, eu acho que só acontece em algumas madrugadas. Mas pode ser que aconteça em todas. E eu só perceba quando acordo de noite por sede ou pesadelos.
É um barulho engraçado. O som parece com rodinhas ou rolimãs... e não são poucas! Ou, então, de algo borbulhando alto.
Não é nem que incomode demais. Nunca é o barulho que me acorda.
Mas quem é que consegue dormir depois imaginando
o que
será
aquilo...?
Máquina de lavar roupa ligada na madrugada..?
Bomba de piscina borbulhando no ar vazio...?
Meia dúzia de crianças insones andando de velotrol...?
Fábrica de costura clandestina com máquinas antigas de pedal...?
Fantasmas arrastando correntes pelos cômodos vazios...?
Enfim, moro aqui há seis anos. E há seis anos me intriga o barulho.
Algumas vezes já pensei em ir lá tocar a campainha e descobrir. Mas a curiosidade nunca foi maior do que a preguiça de levantar da cama.
De mais a mais, invariavelmente eu acabo dormindo no meio do jogo de adivinhar o barulho.
Ou, então, ocupo-me com algo mais interessante do que discutir com vizinhos às três da manhã.
Hoje, escrevo.
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
www.poetaflaviacortes.com.br
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Concordâncias
Para saber
como é a pessoa
veja como ela age
quando o pronome
deixa de ser
na primeira pessoa.
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
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domingo, 7 de julho de 2013
Amparo
Só parece
que é você
quem cuida
quando
quem é cuidado
é alicerce.
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
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Bem-te-vi
abrindo a manhã
conta que está sol.
Não tem malmequer
que abale
esse bem querer.
Plantou um
copo-de-leite nos olhos
e a deixou assim
toda terna.
Amor-perfeito apaixonado
por girassol
abandonou o quintal.
Sempre-viva
preferia-se guirlanda
e saltou do vaso de flor.
Para reforma ortográfica,
ninguém pediu plebiscito.
A poeta
não encontrava palavra
para fechar o poema.
Não tem problema
porque o poema
também não encontrava
quando abriu a poeta.
A gente finge que é cinema
e escreve
FIM
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
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