Sabe essa gente que traz no olho um sorriso e no sorriso uma luz?
Sabe esse povo que tem no nome uma música e no sobrenome uma guerra?
É uma gente que diz que não é poeta, mas que o pensamento voa ou paralisa num verso.
É de um ombro que alinha no teu para qualquer briga e que te abraça em qualquer tempo.
Pois é...
... nem todo mundo vê nem todo mundo sabe nem todo mundo sente
o tanto de força que precisa ter para levar um sorriso desses todo dia um brilho desses todo dia uma ternura dessas todo dia
no meio dessa luta que é o dia-a-dia.
Flávia Côrtes - Agosto de 2013 Para minha amiga Morena Grijó. Porque você é dessas.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Conta-gotas
Mais dia menos dia a goteira das horas alisa a pedra e escorre a mágoa.
É que o tempo, conta-gotas do sempre, é também o encarregado do nunca.
Nunca mais também acaba.
(Flávia Côrtes - agosto de 2013)
domingo, 11 de agosto de 2013
2451 (Flávia Cortes & Renato Gusmão)
Entre um Sudeste e um Norte desnorteia a distância e só a nós compete aquela noite nossa lembrança
o que te dou de um errante passageiro ou me deste rimas do teu Rio de Janeiro nesse riso clima entre valsa e partido alto uma voz de deusa esgarça outro poema seda de asfalto
a luz do pensamento viaja num átimo vigília de estrelas íntimas dentro das noites porvir sorria um verso e Bem Além é aqui.
(Texto escrito em parceria poética por Renato Gusmão e Flávia Côrtes) Para conhecer o verso do Renato, acesse o blog:
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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terça-feira, 16 de julho de 2013
O que é o que é?
Eu não faço idéia do que acontece em algumas madrugadas no andar de cima. Quer dizer, eu acho que só acontece em algumas madrugadas. Mas pode ser que aconteça em todas. E eu só perceba quando acordo de noite por sede ou pesadelos.
É um barulho engraçado. O som parece com rodinhas ou rolimãs... e não são poucas! Ou, então, de algo borbulhando alto.
Não é nem que incomode demais. Nunca é o barulho que me acorda. Mas quem é que consegue dormir depois imaginando o que será aquilo...?
Máquina de lavar roupa ligada na madrugada..? Bomba de piscina borbulhando no ar vazio...? Meia dúzia de crianças insones andando de velotrol...? Fábrica de costura clandestina com máquinas antigas de pedal...? Fantasmas arrastando correntes pelos cômodos vazios...?
Enfim, moro aqui há seis anos. E há seis anos me intriga o barulho.
Algumas vezes já pensei em ir lá tocar a campainha e descobrir. Mas a curiosidade nunca foi maior do que a preguiça de levantar da cama.
De mais a mais, invariavelmente eu acabo dormindo no meio do jogo de adivinhar o barulho.
Ou, então, ocupo-me com algo mais interessante do que discutir com vizinhos às três da manhã.
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Concordâncias
Para saber como é a pessoa veja como ela age
quando o pronome deixa de ser na primeira pessoa. (Flávia Côrtes - Julho de 2013)
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Notícias Descompostas
Bem-te-vi abrindo a manhã conta que está sol.
Não tem malmequer que abale esse bem querer.
Plantou um copo-de-leite nos olhos e a deixou assim toda terna.
Amor-perfeito apaixonado por girassol abandonou o quintal.
Sempre-viva preferia-se guirlanda e saltou do vaso de flor.
Para reforma ortográfica, ninguém pediu plebiscito.
A poeta não encontrava palavra para fechar o poema.
Não tem problema porque o poema também não encontrava quando abriu a poeta.
A gente finge que é cinema e escreve
FIM
(Flávia Côrtes - Julho de 2013)
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Mudança de Planos
A viagem seria no fim da tarde em um dia em que
a reunião atrasou; pediram um relatório extra; 34.000 emails "duplicaram" na caixa postal ; o teclado desconfigurou; a impressora parou de imprimir; os táxis desapareceram.
Nada acontece por acaso.
Graças a Deus, que te faz ficar exatamente onde você precisa e quer estar.
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
Combinou com os russos?
As pessoas são o melhor que elas podem ser no momento em que estão sendo.
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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domingo, 30 de junho de 2013
Balada do Cão Rouco
É exclusividade do inverno estas manhãs silentes onde só se ouve, muito ao fundo, o latido um tanto rouco de um cão.
Não pede nada este cão. Late como quem canta.
E, ainda que não seja uma manhã tão fria, dá esta vontade de ficar.
Acendo a luminária para emprestar à manhã um ar de seis da tarde.
Deixam de pulsar as urgências.
Calam-se todas para ouvir a balada do cão rouco que canta baixo numa manhã quase fria.
Algumas coisas só acontecem em manhãs de inverno.
(Flávia Côrtes - Junho de 2013)
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Meia Lua
Tem uma lua quase cheia no céu.
Está bem, nem está tão quase cheia assim.
É que, hoje, eu estou plena demais para enxergar metades
Tem uma meia lua cheia no Céu.
A outra metade eu guardei dentro dos meus olhos quando você olhou para mim.
Cabe esclarecer que o Betty & Elizabete é um dos meus dois blogs.
A quem busca saber sobre a poeta e os projetos de poesia, eu recomendo a leitura do www.poetaflaviacortes.com.br.
É lá que eu falo do CD, da peça, da Poesia Falada, dos livros, dos saraus... e onde tem áudios gravados, textos separadinhos por tipo para facilitar a leitura.
Ou seja, se veio atrás da poeta, vou te recomendar seguir para o outro blog.
Anota aí: www.poetaflaviacortes.com.br
Você há de me perguntar porque mantenho este blog... ainda mais com uma Elizabete no nome?
Bem... eu tenho um carinho especial por este blog.
Publico aqui tudo o que escrevo desde que comecei a mostrar os textos. Os textos são publicados a medida que escrevo, sem triagens, sem seleções, sem classificações. Só pelo prazer de ver a palavra na tela. É uma versão moderna do caderno que usava para escrever quando eu tinha 10 anos.
Eu gosto desta sensação de escrever sem objetivos maiores, só pelo prazer da escrita. É isso. Ah, o nome é Flávia mesmo. O nome Betty & Elizabete é uma brincadeira com dualidades... as minhas, as suas e as humanas.