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domingo, 6 de julho de 2014
Anjos
Uma vez, em um momento de dor,
uma amiga especialmente terna,
presenteou-me delicados
sinos de vento lilases.
Os sinos tinham
pequenas luas presas
com fios transparentes
e quando a brisa brincava
com os fios
e as luas tocavam os sinos
um som cristalino e suave
enchia o ar
e o coração da gente.
Quando eu era bem menina
me disseram
que, quando sinos tocam ao vento,
é porque anjos meninos brincam
e sorriem.
Nas manhãs de domingo agora
eu preparo o café
ouvindo o tilintar de sinos
que me contam o riso dos anjos.
E eu me lembro
do sorriso de uma amiga-anjo
que me trouxe sinos lilases
em uma noite
onde havia só silêncio.
E sorrio.
(Flávia Côrtes - Julho de 2014)
Para Ana Paula Soeiro - que espalha magia no mundo simplesmente por existir.
Queridos amigos e familiares,
Como todos sabem, minha mãezinha deixou esta vida no dia 24/06/2014, aos 72 anos, depois de uma árdua batalha de 24 dias pela vida.
Meus irmãos e eu optamos por NÃO excluir a sua conta do facebook. Bloquearemos o mural e manteremos suas publicações e fotos exatamente como ela as deixou.
Esta decisão tem motivos fortes, que declaro abaixo.
Após a morte de meu pai, em janeiro de 2012, eu presenteei um IPAD a mamãe. Tirei férias e ensinei-a a manusear o Facebook. Expliquei como "ver as notícias" no Feed (que ela chamava de Fred) e como fazer comentários nas postagens que gostasse.
No mesmo ano, trouxe-a para o ambiente da Poesia e levei-a a Saraus. Foi difícil, no início, convencê-la a sair de casa. Mas uma pequena "chantagem", apelando ao orgulho de mãe e dizendo como era importante para mim que ela assistisse a uma apresentação minha, a convenceu a ir ao primeiro sarau.
O que aconteceu em seguida foi algo mágico, embora não surpreendente, sendo mamãe a pessoa encantadora que sempre foi.
Minha mãe começou a fazer amigos. E não apenas amigos entre os meus amigos. Ela começou a resgatar amigos de infância e familiares através do Facebook. E isso aos 71 anos.
Uma vez, ela comentou comigo:
"Filha, eu sei que são seus amigos... e que seriam de qualquer forma gentis comigo. Mas sabe que eu acho que eles gostam verdadeiramente de mim? Quando seu pai morreu, eu achei que estava tudo acabado para mim... e agora eu descubro que posso fazer amigos."
Pois bem, nos últimos dois anos, mamãe conviveu cotidianamente através do Facebook com amigos e familiares. Ela comentou postagens, conversou com as pessoas inbox... e foi lindo para nós que somos seus filhos vê-la se reinventar quando a depressão seria o caminho óbvio após a morte de seu grande amor.
Apenas isso já seria algo maravilhoso.
Porém, eu ainda descobri que ela escrevia na adolescência e até o casamento. Escrevia poemas. E parou de escrever quando casou-se e teve todos os filhos.
E, com o Facebook, eu também presenciei minha mãe voltar a escrever.
Ela dedicava um carinho enorme na redação de seus "Comentários".
Mamãe redigia os "Comentários" num caderninho antes de digitar e, todos os dias, lia para mim o que escreveu. Fazia isso exatamente com o mesmo gosto que eu tenho quando escrevo um poema e o digo em voz alta quando fica pronto.
Ela dizia... "Filha, eu não sou poeta, mas sou Comentarista".
Pois bem, eu sou poeta e posso afirmar que, quando eu me for desta vida, não vou querer que alguém delete os meus poemas.
Desta forma, também não deletarei o perfil de minha mãe e nenhum de seus Comentários.
Que fiquem publicados no Facebook os Comentários de Helena Côrtes Xavier, a mais linda Comentarista que eu tive a honra e prazer de conhecer.
Conheço-a bem e sei que é assim que ela gostaria que fosse. Portanto, que assim seja.
Um abraço a todos,
Flávia Côrtes
Como todos sabem, minha mãezinha deixou esta vida no dia 24/06/2014, aos 72 anos, depois de uma árdua batalha de 24 dias pela vida.
Meus irmãos e eu optamos por NÃO excluir a sua conta do facebook. Bloquearemos o mural e manteremos suas publicações e fotos exatamente como ela as deixou.
Esta decisão tem motivos fortes, que declaro abaixo.
Após a morte de meu pai, em janeiro de 2012, eu presenteei um IPAD a mamãe. Tirei férias e ensinei-a a manusear o Facebook. Expliquei como "ver as notícias" no Feed (que ela chamava de Fred) e como fazer comentários nas postagens que gostasse.
No mesmo ano, trouxe-a para o ambiente da Poesia e levei-a a Saraus. Foi difícil, no início, convencê-la a sair de casa. Mas uma pequena "chantagem", apelando ao orgulho de mãe e dizendo como era importante para mim que ela assistisse a uma apresentação minha, a convenceu a ir ao primeiro sarau.
O que aconteceu em seguida foi algo mágico, embora não surpreendente, sendo mamãe a pessoa encantadora que sempre foi.
Minha mãe começou a fazer amigos. E não apenas amigos entre os meus amigos. Ela começou a resgatar amigos de infância e familiares através do Facebook. E isso aos 71 anos.
Uma vez, ela comentou comigo:
"Filha, eu sei que são seus amigos... e que seriam de qualquer forma gentis comigo. Mas sabe que eu acho que eles gostam verdadeiramente de mim? Quando seu pai morreu, eu achei que estava tudo acabado para mim... e agora eu descubro que posso fazer amigos."
Pois bem, nos últimos dois anos, mamãe conviveu cotidianamente através do Facebook com amigos e familiares. Ela comentou postagens, conversou com as pessoas inbox... e foi lindo para nós que somos seus filhos vê-la se reinventar quando a depressão seria o caminho óbvio após a morte de seu grande amor.
Apenas isso já seria algo maravilhoso.
Porém, eu ainda descobri que ela escrevia na adolescência e até o casamento. Escrevia poemas. E parou de escrever quando casou-se e teve todos os filhos.
E, com o Facebook, eu também presenciei minha mãe voltar a escrever.
Ela dedicava um carinho enorme na redação de seus "Comentários".
Mamãe redigia os "Comentários" num caderninho antes de digitar e, todos os dias, lia para mim o que escreveu. Fazia isso exatamente com o mesmo gosto que eu tenho quando escrevo um poema e o digo em voz alta quando fica pronto.
Ela dizia... "Filha, eu não sou poeta, mas sou Comentarista".
Pois bem, eu sou poeta e posso afirmar que, quando eu me for desta vida, não vou querer que alguém delete os meus poemas.
Desta forma, também não deletarei o perfil de minha mãe e nenhum de seus Comentários.
Que fiquem publicados no Facebook os Comentários de Helena Côrtes Xavier, a mais linda Comentarista que eu tive a honra e prazer de conhecer.
Conheço-a bem e sei que é assim que ela gostaria que fosse. Portanto, que assim seja.
Um abraço a todos,
Flávia Côrtes
domingo, 29 de junho de 2014
Passeio
Existem passeios por fora
e há, ainda, aqueles por dentro.
Haverá dias
em que eu vou querer
desenhar o dia,
abrir a manhã,
descobrir as possibilidades
lá fora.
Mas hoje
a manhã quieta
me tomou pela mão
calmamente
assim como uma brisa
quase sopra
num dia quente.
Serena Manhã,
nina o meu dia
que dorme ainda
enquanto o meu verso
espreguiça o pensamento
e voa.
(Flávia Côrtes - junho de 2014)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Azul
Eu ontem vesti azul por minha mãe.
A túnica azul florida foi presente dela e quando a vesti pensei:
"Já visto preto todo dia. Hoje, por mamãe, serei azul".
Explico.
Eu tinha doze anos e medo de escuro quando meu pai me ensinou a fechar os olhos e pensar no azul para dormir em paz.
Eu já era mulher feita e minha mãe ainda assim me dizia, em alguns dias especiais, que havia encomendado o céu daquele dia para mim.
Ela não falava assim desse jeito.
Ela me mostrava o azul e dizia:
"Olha o que eu encomendei para você hoje".
Eu não vi o céu no dia de ontem.
Dizem que estava especial.
Mas estava escuro demais aqui dentro. E eu não pude ir lá fora em busca do azul.
Não tem problema, mamãe.
Não se preocupe.
Não há mais medo.
O azul
que você e papai
me deram
eu levo agora
por dentro.
Mergulha você no azul, mamãe.
Segue em paz com sua luz.
(Flávia Côrtes - junho de 2014 - para minha mãezinha)
Eu ontem vesti azul por minha mãe.
A túnica azul florida foi presente dela e quando a vesti pensei:
"Já visto preto todo dia. Hoje, por mamãe, serei azul".
Explico.
Eu tinha doze anos e medo de escuro quando meu pai me ensinou a fechar os olhos e pensar no azul para dormir em paz.
Eu já era mulher feita e minha mãe ainda assim me dizia, em alguns dias especiais, que havia encomendado o céu daquele dia para mim.
Ela não falava assim desse jeito.
Ela me mostrava o azul e dizia:
"Olha o que eu encomendei para você hoje".
Eu não vi o céu no dia de ontem.
Dizem que estava especial.
Mas estava escuro demais aqui dentro. E eu não pude ir lá fora em busca do azul.
Não tem problema, mamãe.
Não se preocupe.
Não há mais medo.
O azul
que você e papai
me deram
eu levo agora
por dentro.
Mergulha você no azul, mamãe.
Segue em paz com sua luz.
(Flávia Côrtes - junho de 2014 - para minha mãezinha)
domingo, 22 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
O dia começou
com uma névoa
meio cinza e meio branca
sobre a montanha.
O sol fazia um efeito
prateado através da neblina
e dava um aspecto
surreal à manhã.
Pareceu-me apropriado
para uma manhã como a de hoje
quando o cotidiano
virou do avesso
e a gente ainda procura
no canto da mente
uma fresta de alegria
para mover o dia.
(Flávia Côrtes - Junho de 2014)
terça-feira, 27 de maio de 2014
Nem todo sólido se desfaz.
Quando você acha
que nada mais poderia
dar errado,
é quando realiza
que ninguém mais há
além de você.
Algumas coisas
simplesmente precisam
ser feitas.
E a gente acha força.
Sempre há
um pouco mais de força.
Em dias assim, é mágico
quando alguém te surpreende.
Tem gente que sabe da gente
antes mesmo da gente.
(Flávia Côrtes - Maio de 2014)
Para Everson, com amor.
Quando você acha
que nada mais poderia
dar errado,
é quando realiza
que ninguém mais há
além de você.
Algumas coisas
simplesmente precisam
ser feitas.
E a gente acha força.
Sempre há
um pouco mais de força.
Em dias assim, é mágico
quando alguém te surpreende.
Tem gente que sabe da gente
antes mesmo da gente.
(Flávia Côrtes - Maio de 2014)
Para Everson, com amor.
domingo, 25 de maio de 2014
A vida é ao vivo.
Não há ensaio.
Tiraram a rede de proteção.
Convém treinar
equilíbrio nos passos.
Vale manter
abertos os olhos.
Mas que adianta cautela
quando viver
é a possibilidade?
A certa altura
a gente aprende a cair
sem se estilhaçar.
Vantagem de quem se arrisca.
Não vai doer menos.
Mas facilita na hora de levantar.
E agora estamos
os dois aqui
no meio do azul
respiração entrecortada
olhos nos olhos
a vinte metros do chão
suspensos e inteiros ainda
e sem qualquer proteção.
Firmamos as mãos.
Fixamos os olhos.
Conectados soltamos
corpo, coração e pensamento.
E voamos.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
De repente
todos os versos
de amor
são nossos.
Todas as canções
fazem sentido
Qualquer ciranda
fala da gente
Que tormento isso.
Dói a espera.
A saudade é tanta
que sai de mim
e fica flutuando em volta
quase palpável.
Eu vou colher no ar
com as mãos
uns flocos de saudade
e guardar no travesseiro
para tentar dormir.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Quando a noite virou manhã
trouxe junto uma paixão
inesperada
e improvável.
Tinha tudo para dar errado.
E a única coisa necessária
para que desse certo.
Bem mais
que um bem querer.
Uma fome invadindo o peito.
Muito mais
que uma vontade.
Um desatino roubando o sono.
Coração desarvorado
em mais de um sentido.
E eu agora
te levo nos olhos.
E eu agora
te levo por dentro.
É que
a loucura
despiu o improvável
para vestir o sonho.
(Flávia Côrtes - Maio de 2014)
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Certeza
Eu te sabia muito.
Desde a noite
em que me olhou
por dentro.
Um homem
que me conhece o cheiro
e me adivinha os olhos
não seria menos.
Mas
e esse tanto?
e esse sempre?
Como é
que eu te acompanho
uns passos
e você me leva assim
inteira?
Como é
que eu te abro
o corpo
e você se instala assim
nos poros?
E eu
que anoiteci pergunta
amanheço
sem precisar resposta.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
sábado, 26 de abril de 2014
Procura a Areal
A estrada
era estreita e sinuosa.
Um caminho verde
no meio do nada.
Um quilômetro
e a vista navegava
sobre um mar de eucaliptos
ondulados ao vento.
Outro quilômetro
e uma moça caminhava
rumo a algum lugar
que não se via.
A cada duas ou três curvas,
uma casa no alto de um morro,
um pasto,
um rio
e verde,
verde,
verde...
Eu quase achei
que era lenda
a tal cidade.
Uma Atlântida
submersa no verde.
Avalon
esperando neblina.
Shangri-la
oculta nos montes.
Mas a placa
indicando chegada
interrompeu
o poema.
Que pena.
(Flávia Côrtes - Abril de 2014)
A estrada
era estreita e sinuosa.
Um caminho verde
no meio do nada.
Um quilômetro
e a vista navegava
sobre um mar de eucaliptos
ondulados ao vento.
Outro quilômetro
e uma moça caminhava
rumo a algum lugar
que não se via.
A cada duas ou três curvas,
uma casa no alto de um morro,
um pasto,
um rio
e verde,
verde,
verde...
Eu quase achei
que era lenda
a tal cidade.
Uma Atlântida
submersa no verde.
Avalon
esperando neblina.
Shangri-la
oculta nos montes.
Mas a placa
indicando chegada
interrompeu
o poema.
Que pena.
(Flávia Côrtes - Abril de 2014)
sábado, 19 de abril de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
História de uma Folha-flor
As flores, ao longe,
pareciam folhas claras
e quase secas.
Contavam um pouco
do outono que chega
e clareia o verde
até fazê-lo rosa.
Olhando bem de perto, porém,
a textura delicada
das pétalas rosa-chá
diziam a graça daquela
que, se ao longe parecia folha,
de perto era tão flor
que dispensava nome
para florir pensamento.
Eu achei
que já sabia tudo
da Flor.
Mas uma volta completa
em volta dela
e ali estava ela:
inteiramente nova,
completamente diferente.
As coisas são assim.
A gente acha que já viu tudo
até olhar de novo
e a cada luz
e a cada ângulo
descobrir algo novo.
Com uma volta completa
e algum vagar
sabe-se muito
das coisas.
E das pessoas.
(Flávia Côrtes - abril de 2014)
As flores, ao longe,
pareciam folhas claras
e quase secas.
Contavam um pouco
do outono que chega
e clareia o verde
até fazê-lo rosa.
Olhando bem de perto, porém,
a textura delicada
das pétalas rosa-chá
diziam a graça daquela
que, se ao longe parecia folha,
de perto era tão flor
que dispensava nome
para florir pensamento.
Eu achei
que já sabia tudo
da Flor.
Mas uma volta completa
em volta dela
e ali estava ela:
inteiramente nova,
completamente diferente.
As coisas são assim.
A gente acha que já viu tudo
até olhar de novo
e a cada luz
e a cada ângulo
descobrir algo novo.
Com uma volta completa
e algum vagar
sabe-se muito
das coisas.
E das pessoas.
(Flávia Côrtes - abril de 2014)
domingo, 6 de abril de 2014
Todo mundo quer ser feliz.
No fim do livro,
um beijo de novela.
Na cena final,
"felizes para sempre",
esta quase sentença.
"Ninguém é feliz todo dia",
dizem aqueles
que esqueceram
a alegria.
Eu perdi
o caminho ou o rumo
atrás da borboleta.
E saltando poças d'água
eu fui feliz.
Atrasei-me
vendo nuvens.
E assistindo passarinho,
eu tive paz.
Não sei se com isso,
um dia,
faltará algo
no verso final.
Mas preocupam-me pouco
aquelas três
douradas e desenhadas letras
do "FIM".
É que eu estou ainda ocupada
e um pouco encantada demais
para redigir epitáfios.
Por hora,
as manhãs me contam versos
num sorriso-sopro todo dia.
Larga a lupa.
Experimenta o lápis.
Não dá para ser
leitor da própria vida.
É seu filme, Protagonista.
Preenche você a frase:
"era uma vez..."
(Flávia Côrtes)
No fim do livro,
um beijo de novela.
Na cena final,
"felizes para sempre",
esta quase sentença.
"Ninguém é feliz todo dia",
dizem aqueles
que esqueceram
a alegria.
Eu perdi
o caminho ou o rumo
atrás da borboleta.
E saltando poças d'água
eu fui feliz.
Atrasei-me
vendo nuvens.
E assistindo passarinho,
eu tive paz.
Não sei se com isso,
um dia,
faltará algo
no verso final.
Mas preocupam-me pouco
aquelas três
douradas e desenhadas letras
do "FIM".
É que eu estou ainda ocupada
e um pouco encantada demais
para redigir epitáfios.
Por hora,
as manhãs me contam versos
num sorriso-sopro todo dia.
Larga a lupa.
Experimenta o lápis.
Não dá para ser
leitor da própria vida.
É seu filme, Protagonista.
Preenche você a frase:
"era uma vez..."
(Flávia Côrtes)
quinta-feira, 20 de março de 2014
O olhar se perde em labirinto.
No mosaico preto e branco,
colombinas jogam damas.
Alice troca chá por café.
Um quadrado
com vocação para triângulo
sempre pode
inventar-se losango.
O mundo muda de ângulo
por perspectiva
ou vertigem.
Se isso ocorre
por vontade de quem olha
ou por vocação da coisa olhada,
quem há de saber?
Flávia Côrtes - Março de 2014
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