Espelhada
Acontece que a minha vontade
É uma vontade
Espelhada
Daquelas que prende o olhar
No reflexo
E da mesma forma
que a luz reflete
em brilho
A falta dela
Opaca
Sabe o que é um espelho
sem o brilho da prata?
Vidro.
Sabe o que é a minha vontade
sem a tua?
Areia.
Dezembro de 2011
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Um Ano Novo que foi um Conto de Natal
Naquele ano, eu fui passar o ano novo com uma amiga querida, a Roberta, que inventou da gente ir ver uma praia à meia noite.
Todos os que estavam na festa foram, mas nos distanciamos na multidão. Passamos a virada do ano caminhando para a tal praia. E havia cerca de 100 metros e umas 300 pessoas entre cada um de nós. Na prática, estávamos cada um de nós sozinhos na multidão. E eu detesto multidões.
Poderia ter sido triste. Mas, na verdade, foi meio mágico.
É que, exatamente à meia noite, eu parei de andar e olhei para o céu. E tinha fogos. Alguma casa tocava uma música bonita que enchia a noite naquele pedaço de caminho. E eu vi que o lugar era uma alameda de eucalíptos. E os eucalíptos formavam um caminho verde no meio da noite. E inundavem o ar com um aroma fresco.
Os fogos no céu, a música na noite, o cheiro de eucalípto e a visão daquelas pessoas estranhas se cumprimentando na rua... estava uma coisa bonita de se ver. Parecia que eu estava dentro de um conto de Natal.
Eu sorri para a mulher ao meu lado e disse "Feliz Ano Novo"! E ela sorriu de volta. E me abraçou.
E o momento fez
daquelas pessoas estranhas
estranhamente familiares.
Milagrosamente familiares.
Quinze minutos depois, meus amigos se reagruparam. Desistimos da praia e voltamos.
Terminamos a noite eu e a minha amiga em um ponto de ônibus, a uma da manhã, dando risada de tudo e relembrando os muitos anos da nossa amizade.
Foi um Ano Novo Feliz.
Dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Desejo de Ano Novo
Envio a você o meu melhor pensamento
para que no novo ano
seu dias sejam repletos
repletos
de toda a paz
e de toda a magia
de toda a luz
e de toda alegria
repletos
de cores
e de sabores
repletos
de arte
e de amizade
repletos...
Bem, apenas repletos.
imagine você
pense você um sonho
faça você um desejo
que eu aqui
te envio o meu melhor pensamento
para que seus dias
dessa forma
sonhada ou desejada
transbordem!
Dezembro de 2011
Envio a você o meu melhor pensamento
para que no novo ano
seu dias sejam repletos
repletos
de toda a paz
e de toda a magia
de toda a luz
e de toda alegria
repletos
de cores
e de sabores
repletos
de arte
e de amizade
repletos...
Bem, apenas repletos.
imagine você
pense você um sonho
faça você um desejo
que eu aqui
te envio o meu melhor pensamento
para que seus dias
dessa forma
sonhada ou desejada
transbordem!
Dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Sonolenta Noite Insone
Não é nem que eu seja insone.
Na verdade, os olhos ardem.
Pesam.
Eu ia dormir
quando vi um vídeo do Lenine.
Eu ia dormir
quando lembrei de ligar para a minha mãe.
Eu ia dormir
quando meus olhos pousaram naquele livro que veio para casa comigo ontem.
Eu ia dormir
quando um amigo apareceu no MSN.
E eu estava quase indo dormir
quando esse verso olhou para mim.
E a cada música
E a cada riso
E a cada imagem
E a cada verso
Meu
ou do outro
Eu mesma me peço
E eu mesma permito:
"Mais um mergulho, vai... o último! Prometo!"
Sedenta de vida
Sonolenta sigo
Em noite insone.
Dezembro de 2011
Não é nem que eu seja insone.
Na verdade, os olhos ardem.
Pesam.
Eu ia dormir
quando vi um vídeo do Lenine.
Eu ia dormir
quando lembrei de ligar para a minha mãe.
Eu ia dormir
quando meus olhos pousaram naquele livro que veio para casa comigo ontem.
Eu ia dormir
quando um amigo apareceu no MSN.
E eu estava quase indo dormir
quando esse verso olhou para mim.
E a cada música
E a cada riso
E a cada imagem
E a cada verso
Meu
ou do outro
Eu mesma me peço
E eu mesma permito:
"Mais um mergulho, vai... o último! Prometo!"
Sedenta de vida
Sonolenta sigo
Em noite insone.
Dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
Matemática
Domingo é um dia de magia
O meu acontece
Misteriosamente
Milagrosamente
Aos domingos mesmo
Quase sempre
Eu nem abri os olhos
E já sei que é domingo
Ainda que seja uma terça-feira.
Um ano tem 56 domingos
Dez anos 560
Cem anos 5600
Eu bem seria feliz com 5600 domingos
Então, o jeito é roubar na matemática
E deixar o domingo acontecer um tantinho mais de vez em quando
Quarta-feira passada, por exemplo
Aconteceu uma manhã linda de domingo
E aconteceram respingos de domingo por todo dia ontem - e era sábado
Então, nessa semana, já foram quase dois domingos inteiros
Olha só que coisa gostosa!
Uma semana com dois domingos!
E os outros dias?
Ah, os outros dias não ligam.
Eles gostam de ser domingo de vez em quando.
O bom de você ser poeta
é que até as suas quartas-feiras
têm vocação para domingo.
Olha, eu nem sei como começou o poema.
Então, como é que eu vou saber como parar?
Enquanto isso, faz você a sua conta!
Quantos domingos você precisa na sua vida
para ser feliz?
E se, nessa vida,
você não nasceu poeta
para deixar a magia respingar
ou inundar
seus outros dias
Eu posso te sugerir luares
ou chocolate
Eu posso te sugerir canções
ou risada de criança
E posso te sugerir
um Poema!
Não esqueça.
Um ano
só tem
56 domingos!
Dezembro de 2011
Domingo é um dia de magia
O meu acontece
Misteriosamente
Milagrosamente
Aos domingos mesmo
Quase sempre
Eu nem abri os olhos
E já sei que é domingo
Ainda que seja uma terça-feira.
Um ano tem 56 domingos
Dez anos 560
Cem anos 5600
Eu bem seria feliz com 5600 domingos
Então, o jeito é roubar na matemática
E deixar o domingo acontecer um tantinho mais de vez em quando
Quarta-feira passada, por exemplo
Aconteceu uma manhã linda de domingo
E aconteceram respingos de domingo por todo dia ontem - e era sábado
Então, nessa semana, já foram quase dois domingos inteiros
Olha só que coisa gostosa!
Uma semana com dois domingos!
E os outros dias?
Ah, os outros dias não ligam.
Eles gostam de ser domingo de vez em quando.
O bom de você ser poeta
é que até as suas quartas-feiras
têm vocação para domingo.
Olha, eu nem sei como começou o poema.
Então, como é que eu vou saber como parar?
Enquanto isso, faz você a sua conta!
Quantos domingos você precisa na sua vida
para ser feliz?
E se, nessa vida,
você não nasceu poeta
para deixar a magia respingar
ou inundar
seus outros dias
Eu posso te sugerir luares
ou chocolate
Eu posso te sugerir canções
ou risada de criança
E posso te sugerir
um Poema!
Não esqueça.
Um ano
só tem
56 domingos!
Dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Foto de um dia nem tão cinzento
Geralmente, eu não gosto de dias cinzas.
Acho-os escuros. Um tanto insossos.
E abafados
Só que, hoje,
o vento nos presenteou
com nuvens luminosas decorando o canto direito do céu.
Ali perto da minha montanha.
Pincelou azul clarinho em toda a beirada esquerda do dia.
E arrumou os grandes flocos cor de chumbo no miolo.
Surpreendente dia cinza o de hoje
que deixou o vento brincar de aquarela
em suas beiradas
só para alegrar olhos poetas
a caminho do trabalho
Dezembro de 2011 - devaneios pela palavra
Geralmente, eu não gosto de dias cinzas.
Acho-os escuros. Um tanto insossos.
E abafados
Só que, hoje,
o vento nos presenteou
com nuvens luminosas decorando o canto direito do céu.
Ali perto da minha montanha.
Pincelou azul clarinho em toda a beirada esquerda do dia.
E arrumou os grandes flocos cor de chumbo no miolo.
Surpreendente dia cinza o de hoje
que deixou o vento brincar de aquarela
em suas beiradas
só para alegrar olhos poetas
a caminho do trabalho
Dezembro de 2011 - devaneios pela palavra
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
Colheita
Filha do Ano Novo,
nascida terra,
espelhada em água
para germinar palavra.
A nuvem que você vê
no meu olho
é só Poesia.
Terra irrigada germina verso.
A poeta,
em verdade,
só
colhe.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
======================================================
Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Beijo nas costas
Beijo nas costas
independente do arrepio
é de uma intimidade sem tamanho.
Pressupõe abraço de conchinha
ou um sobre o outro,
contato de corpo todo,
mãos envolvendo seios.
Então,
não é só beijo em pele sensível.
É receita de recomeço.
Bom demais.
(Flávia Côrtes - Dezembro de 2011)
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domingo, 4 de dezembro de 2011
O Dia da Magia
Tem dia que o dia escorre para dentro do quarto
E abre olhos poetas
A luz mostra mais que clareia
Coloca nuances no verde da parede
Reflete nas lâminas de madeira clara do piso
E deixa o olho descobrir sombras novas no teto branco
É o mesmo quarto
e o mesmo teto
É a mesma parede
e o mesmo chão
E a mesma é a poeta
Mas é domingo...
O dia da magia.
Novembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
Chuvinha
Eu gosto de chuva.
Só não gosto de chuvinha.
Dessa chuva que não chove.
É assim como
um mar sem onda,
um ar sem vento.
Algo como
um beijo sem arrepio,
um dia sem poesia,
fim de tarde sem crepúsculo,
tempestade sem vendaval,
gozo sem abraço.
Então...
Que tempinho mais xoxo este hoje!
(Flávia Côrtes - Novembro de 2011)
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Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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domingo, 27 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Tempos
Modernos
Tempos modernos,
de modernas paixões em minissérie.
O virtual prende a retina.
Familias conversam pelo msn.
E não é porque um deles mora na Austrália.
Ele está no quarto ao lado.
Homens e mulheres trocam mensagens via celular por dias.
E não se telefonam.
Nem se encontram.
"Tomagoshies" alimentados pelo som da mensagem,
abrindo mão da voz, do riso,
dispensando o olhar e o toque.
Instantâneos efêmeros.
Cliques desgovernados em busca do perfeito.
Buscas incessantes com uma forma na mão.
Pai, perdoa-os.
Eles não sabem o que buscam!
Tempos modernos,
de modernas paixões em minissérie.
O virtual prende a retina.
Familias conversam pelo msn.
E não é porque um deles mora na Austrália.
Ele está no quarto ao lado.
Homens e mulheres trocam mensagens via celular por dias.
E não se telefonam.
Nem se encontram.
"Tomagoshies" alimentados pelo som da mensagem,
abrindo mão da voz, do riso,
dispensando o olhar e o toque.
Instantâneos efêmeros.
Cliques desgovernados em busca do perfeito.
Buscas incessantes com uma forma na mão.
Pai, perdoa-os.
Eles não sabem o que buscam!
Flávia
Côrtes – Outubro de 2011
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Textos devidamente registrados
na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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sábado, 5 de novembro de 2011
Poema para um quase amor
Eu acho que podia ter te amado.
Com uma dessas paixões desesperadas,
dessas que cruzam os dias em desatino,
por um amor que um dia se perdeu.
E eu acho
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões desencanadas,
que cruzam as noites em desvario,
por um amor que um dia se encontrou.
Eu acho até
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões mansinhas,
que cruzam manhãs devagarinho,
por um amor que nem sabe se viveu.
E, certamente, eu acho
que eu podia ter te amado
com uma paixão risonha e leve,
dessas que refrescam as tardes
e dão calores na gente de madrugada.
Mas só que eu só sei
de amores
que eu tive.
Então, meu quase amor,
de quase sorrisos,
quase suspiros,
e quase arrepios,
para você,
eu dedico um poema.
Inteiro.
Outubro de 2011
Eu acho que podia ter te amado.
Com uma dessas paixões desesperadas,
dessas que cruzam os dias em desatino,
por um amor que um dia se perdeu.
E eu acho
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões desencanadas,
que cruzam as noites em desvario,
por um amor que um dia se encontrou.
Eu acho até
que eu podia ter te amado
com uma dessas paixões mansinhas,
que cruzam manhãs devagarinho,
por um amor que nem sabe se viveu.
E, certamente, eu acho
que eu podia ter te amado
com uma paixão risonha e leve,
dessas que refrescam as tardes
e dão calores na gente de madrugada.
Mas só que eu só sei
de amores
que eu tive.
Então, meu quase amor,
de quase sorrisos,
quase suspiros,
e quase arrepios,
para você,
eu dedico um poema.
Inteiro.
Outubro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
Hieróglifos
E quando vi
falávamos de tudo
e de nada
A palavra dita misturada
na não dita
a linha embaralhada
na entrelinha
um riso entrelaçado
no meio
um assunto
sem começo ou fim
falando sem dizer
palavra
um contar da vida
um dizer do dia
que sem dizer
que conta
mostra
e eu
que me via
entoando versos
ainda não ditos
em palavras
não escritas
de uma linguagem
não inventada
te vi
leitor da entrelinha
descobridor do verso
tradutor do hieróglifo
da história
ainda não escrita
de nós dois
e agora
nos intercalamos
hora página
hora pena
hora palavra
Em tempo tempo tempo
Outubro de 2010
E quando vi
falávamos de tudo
e de nada
A palavra dita misturada
na não dita
a linha embaralhada
na entrelinha
um riso entrelaçado
no meio
um assunto
sem começo ou fim
falando sem dizer
palavra
um contar da vida
um dizer do dia
que sem dizer
que conta
mostra
e eu
que me via
entoando versos
ainda não ditos
em palavras
não escritas
de uma linguagem
não inventada
te vi
leitor da entrelinha
descobridor do verso
tradutor do hieróglifo
da história
ainda não escrita
de nós dois
e agora
nos intercalamos
hora página
hora pena
hora palavra
Em tempo tempo tempo
Outubro de 2010
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