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segunda-feira, 21 de junho de 2010


Que nada... que bom!


Ah, minha amiga,
não estranha isso, não
Que é assim mesmo
Esse nada!

Aproveita o nada, querida.
Hoje, nada é bom!
Porque ontem
foi tanta dor...

E eu te trago a boa nova!

Quando a gente acorda
assim vazia
cheia de nada

E se sente
como quem, subitamente,
se livrou de uma dor de cabeça

E até estranha...
acostumada que estava
com a dor

Ah, querida,
esse nada
É porque passou, sabe?

Depois disso
mesmo que demore

mais dia
menos dia

os dias
se enchem
de luz
de novo

Então,
aproveita, querida,
esse momento
silencioso
e calmo
que a noite nos presenteia
antes da alvorada

Se aconchega
no edredom de si mesma

Abre os olhos
Deixa o ar encher o teu peito
E se prepara

O sol vai chegar.


Junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010


Destemperada


Entre um beijo doce
E outro pimenta
Me prova
O que eu não sabia
E o que eu já queria

Me destempera
Quero mais!

Junho de 2010

Oferecida

Teu toque converte
Sussurros
Em mantra

E me deixa assim

Relicário
De ti

Entoando
Desejo
Em eco

Redimida
Pervertida

Santa
Profana

Nua
Oferenda

Recebe-me!

Junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010


Olhos


Ah, esse seu olhar
devia ser proibido
na verdade, devia ser permitido
pensando bem, devia ser obrigatório!

Junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Desidratada


Uma poeta disse
que saudade
é como sede
que só se mata
com a presença

Então

Estou
desidratada
de ti

Tenho sede!

Junho de 2010

Então digo


Você diz
Que não digo
E eu te digo
Que disse

Você diz
Que não sabe
E eu te digo
Que sabe

Porque
O que digo
E repito

Em cada verso
Em cada linha

Não te digo
Em palavra

Então
Te peço

Me olha
Me vê
Me aprende
Me lê

Pronto
Disse!

Junho de 2010


Foto de uma mulher perdendo o sono


Ruim de dormir cedo demais era isso. Abriu os olhos e deu um suspiro. Olhou as horas no celular. Noite ainda. Pela janela, o dia contava que ia nascer dali a pouquinho. O céu começava a perder noite... as beiradas ganhando cor e o miolo clareando. Se enrola no edredom e se leva descalça para a varanda para ver dia desabrochar. Fechou os olhos e deu um suspiro. Bom de dormir cedo demais era isso.


Devaneio pela Palavra
Junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010



Teu olhar perverte meu lado santa

Impensadamente sabendo
Insensatamente buscando
Indecorosamente permitindo
Deliciosamente descobrindo
Teu olhar perverte meu lado santa

Junho de 2010

Versos que me reconhecem mulher

Te leio
E te escrevo

Desarticulada
Pensamento intercalado
Entrelaçado
Misturado
Em verso
Em sensação

Verso que ecoa em voz
Voz que tremula em verso
Labareda

Pensamento
que toca
que envolve
que prende
que solta
que fita
denso
desnudo

Transpiro-te
Em versos
Que me reconhecem mulher

Junho de 2010
Uma semana sem escrever

Escrevo como quem respira, suspira, inspira, transpira... uma semana sem me derramar em papel é algo como prender a respiração por tempo de mais

Junho de 2010

Do meu eu que não é lírico

Saibamos, então
Do eu que não é lírico

Mas, olha,
Vai ter que descobrir

Às vezes
Nem eu
Sei tanto assim

Lírico
ou não lírico?

Um e outro
Um sem o outro
Um por dentro do outro
Depende tanto!

E se você já vê
Em uma única entrelinha
Tanto

E você já lê
Na palavra que eu não digo
Meu desalinho

E ainda nem me viu não lírica

Ou será que viu?

Junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010


Desperta com teu verso

Durmo
E o sono ainda me abraça

Muito longe
Um verso
Um sussurro

Uma cantiga
Que embala

Uma pétala
Que desliza

Suave
No pensamento

Durmo
E o verso ainda me embala

Manhãzinha
Luz do dia
Desperta

Olhos vagarosos
Descobrem

Teu poema no travesseiro

Junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010


Borboletando

Voos aos olhos
que molho
em cores.

Versos
que adentram versos,
palavra sobre palavra,
amores em letras.

Borboletas
meu pensamento
poeta.

E voo.



Junho de 2010

Meu agradecimento ao meu amigo Da Montanha, pela inspiração e pelos versos que podem conferir em http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdealegria/2306808

O Homem que Via Versos

Primeiro eu vi
O homem que dizia versos

Encantadores os versos
E o homem que dizia versos

Depois eu vi
Os olhos
Do homem que dizia versos

E aí
Eu vi
Um Homem

E o Homem
via versos

Junho de 2010


domingo, 6 de junho de 2010


Entre Lençóis


Entre lençóis
A qualquer hora
Há qualquer tempo

Sobre ou sob
Vira por dentro

Mais ou menos
Vira tanto

Nunca ou quando
Vira ainda

E se
Vira certeza

Junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Era uma vez um gato amarelo


Ela não desgostava de gatos. Também não gostava especialmente. Um dia, por capricho da vida, ficou com a custódia de um. Tinha nome de iogurte. Foi a primeira vez, depois de adulta, que precisou cuidar de uma coisa viva. Parecia fácil. Água, areia e ração.

Ele não se incomodava com os horários dela. Era carinhoso sem ser grudento. Percebia seus humores... deitava sobre o seu peito quando estava triste - coisa freqüente naqueles dias. Tinha os tempos dele... sumia de vez em quando. E, às vezes, ficava imóvel olhando o ar como se houvesse alguma coisa que só ele via. A ponto dela dar risada e perguntar se ele também escrevia.

Esteve com ela por dois anos. E isso já tem alguns agora.

Custou um bocado para perceber que aquela também foi a primeira vez, depois de adulta, que permitiu que cuidassem dela.

Junho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010



De olhos fechados danço (e não devia te dizer)
Eu não devia te dizer,
mas essa lua,
essa música
e esse teu olhar...

De olhos fechados danço

e o teu olhar antecede o toque.

Danço de olhos fechados,
luz sobre pálpebra,
e o som que percorre o corpo
me leva junto com ele.

De olhos fechados danço
e o teu olhar antecede o toque.
Danço sob olhos poetas,
retina sobre pele,
e o olhar que percorre o corpo
me leva junto com ele.
De olhos fechados danço
e eu não devia te dizer.

Tua prudência não te disse
do perigo 
de provocar poeta
em noite com lua assim?

(Flávia Côrtes - Maio de 2010)


www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.



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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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A Hora se Esconde
Espelho.
Formas diferentes,
maneiras diferentes,
caminhos diferentes,
mas espelho.
Desenha os meus caminhos.
Inspira minha vontade.
Um beijo
e me derrete o verbo.
Transpiro o teu gosto.
Um minuto,
um instante,
um centímetro,
um suspiro.
Encontrada em tuas linhas,
a hora se esconde.
(Flávia Côrtes - Maio de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Você sabia que o inicio da noite tem nuances furta cor na beirada do céu? Eu acho que o dia, que já foi embora, deixa um tantinho luz na beirada do céu. Será que por ciúme da noite? Ou medo da gente esquecer dele quando soltar o olho no escuro, navegando retina em estrela até a lua encher pensamento. Bobagem do dia. Mas que ficou lindo, ficou.

Devaneios pela Palavra - Maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Verso ou Fato?

Fato
Ou verso

Um mimo
Um bem querer

Em verso
Esboço de Flor
Presenteia o poeta

Fato
Ou verso

Surpresa
E sem saber

De fato
Sorri a poeta

Maio de 2010