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quinta-feira, 24 de maio de 2012


Olhos de Ver

Não sei se por benção
ou por sina

Se dom herdado
ou carma reencarnado

Se hábito de infância
ou gosto adquirido

Memória coletiva
 
ou lembrança individual

Mas nasci
com olhos de ver o minuto
e ouvidos de escutar o instante.

Me cativam o olhar efemeridades do mundo.

Sol entrando por fresta de persiana
Vento brincando de textura em espelho d'água
Sombra de nuvem criando tons de verde na montanha

Me encantam os ouvidos ruídos do dia.

Barulho de edredom roçando no corpo
Vento assobiando em fresta de janela
Som de água ecoando dentro do crânio embaixo do chuveiro

Me surpreendem sensações da vida.
E deixo a alma fabricar momentos.

Sol esquentando pele recém-saída de ar condicionado.

Luz do dia batendo em pálpebra fechada
quando eu paro,
ali na esquina,
para um suspiro.

Porque suspiro bom
é suspiro de olhos fechados.

Em átimos de encanto
colhidos no dia,
paro o pensamento

Só para me deixar sentir
a sensação que dá
estar viva.

E celebro!

Maio de 2012

Um comentário:

André disse...

É que a tus inteligência, aliada a uma grande sensibilidade, vêm, quem sabe, já de outras vidas. Não se desenvolve tudo isso assim em uma só existência, apenas.

E eu celebro também esse excepcional dom que brilha em ti, Flávia, de todo o coração.

Meu carinho, beijos, saudades, boa semana.

André

P.S.: digitei a código, provei que não sou um robô.