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- ► 2010 (163)
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Contramão
Manhãs são breves e ternas.
Têm algo de Infância,
um cheiro de Novo,
um quê de possibilidades.
Tardes acontecem.
Correm ou se arrastam,
mas acontecem.
Se eu pudesse escolher,
todas as tardes
corridas ou escorridas,
terminariam em varandas.
Fins de tardes merecem Varandas.
Em Varandas,
o dia desfila mais lento
dá uma paradinha,
troca de perna,
olha por cima do ombro.
Só para a gente reparar num detalhe
antes dele sair
e deixar a noite entrar.
Em fins de tardes, gritam detalhes.
Por que será que as gaivotas
voam todas para a direita?
Eu bem queria ver,
neste céu de fim de tarde,
uma gaivota
voando na contramão.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Reflexão Dominical
Se o Domingo faz parte
do fim de semana,
como pode ser também
o primeiro dia
da próxima semana?
Um dia que é início
e também é final
Portal do tempo
para a gente fazer
o que quiser.
Ou o que puder.
Hiato da magia
entre o antes e o depois
Para escolhas
de tudos
Ou de nadas
Brincadeiras
de vazios
ou recheios
Um dia com vocação
de preposição
se realiza de fato
quando junta
os elementos
Pessoas
Ações
E a cada um de nós
que, afinal, é sujeito
de sua própria oração
cabe a escolha
Se prefere um Hoje
Que esteja mais para "antes" ou "até"
que pulse "com" ou "contra"
que vibre "para" ou "porém"
Escolhe você, então, Sujeito,
E faz do seu Domingo
Início
ou
Final.
Fevereiro de 2012
Se o Domingo faz parte
do fim de semana,
como pode ser também
o primeiro dia
da próxima semana?
Um dia que é início
e também é final
Portal do tempo
para a gente fazer
o que quiser.
Ou o que puder.
Hiato da magia
entre o antes e o depois
Para escolhas
de tudos
Ou de nadas
Brincadeiras
de vazios
ou recheios
Um dia com vocação
de preposição
se realiza de fato
quando junta
os elementos
Pessoas
Ações
E a cada um de nós
que, afinal, é sujeito
de sua própria oração
cabe a escolha
Se prefere um Hoje
Que esteja mais para "antes" ou "até"
que pulse "com" ou "contra"
que vibre "para" ou "porém"
Escolhe você, então, Sujeito,
E faz do seu Domingo
Início
ou
Final.
Fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Poema Arco-íris
O dia não decidiu
ainda
se vai ser nublado
ou claro
Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do céu
tomado de nuvens
que o sol
ainda assim
clareia
Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do olho
tomado de chuva
que a poesia
ainda assim
clareia
O dia não decidiu
ainda
se vai ser
nublado
ou claro
O dia nem sabe
ainda
o que a poesia
sempre soube
O olho nem sabe
ainda
o que o sol
sempre soube
E o sol
derrama
pelo canto do olho
molhado
da poeta
Um poema arco-íris
Fevereiro de 2012
O dia não decidiu
ainda
se vai ser nublado
ou claro
Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do céu
tomado de nuvens
que o sol
ainda assim
clareia
Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do olho
tomado de chuva
que a poesia
ainda assim
clareia
O dia não decidiu
ainda
se vai ser
nublado
ou claro
O dia nem sabe
ainda
o que a poesia
sempre soube
O olho nem sabe
ainda
o que o sol
sempre soube
E o sol
derrama
pelo canto do olho
molhado
da poeta
Um poema arco-íris
Fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Colo Dourado
O sol tinge de um dourado poente
a beirada esquerda da tarde.
Uma imensa nuvem cor de rosa
decora o miolo do céu.
Flocos de um branco prateado
se espalham sobre a montanha.
Na varanda,
uma mãe,
um colo
e uma poeta.
As mãos da mãe fazem cachos
nos cabelos de uma filha
já adulta.
As mãos da poeta tecem versos
de um poema
ainda criança
E foi assim que
céu,
sol,
mãe,
mãos,
poeta,
e versos
se uniram em poema
No colo materno,
viveram Poesia.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Viver Plenamente
Este é para responder à pergunta de uma amiga:
'Qual é a diferença entre estar vivo e viver plenamente?'
Para explicar, peço ajuda às palavras.
"Estar" é um estado.
"Estar" é um dos poucos verbos que não demandam ação.
Então, em "estar vivo" o foco é todo no "estado" e não na vida!
"Viver" é verbo que inclui mobilidade.
"Viver" não é estado.
"Viver "é ato.
Para exercer o verbo "viver", não basta "estar", precisa fazer.
Precisa conjugar a si mesmo em tantos atos...
E "viver plenamente"?
Ah, aí a gente fez o ato de "viver" vir acompanhado de um "modo".
Um "modo" é um jeito.
"Plenamente" é um jeito "muito" de fazer as coisas.
"Plenamente" pressupõe "intensidade".
É isso.
"Estar vivo" está para "viver plenamente"
assim como o "ar" está para a "ventania" .
Tem pessoas a quem bastar respirar
e algumas
nasceram para voar.
Fevereiro de 2012
Para Márcia Drummond, minha amiga passarinha.
Obrigada pela inspiração.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Álbum de Família
Estivemos juntos
durante um tempo
que nenhum relógio
ousa registrar.
Não contamos os dias.
Não contamos as noites.
Não contamos as horas.
Como contar
tudo o que foi vivido,
tudo o que foi sentido,
tudo o que foi feito?
Como contar
o ombro alinhado ao ombro,
o riso compartilhado,
as conquistas,
as batalhas,
as vitórias?
Criamos
e nos recriamos.
Inventamos
e nos reinventamos.
Em busca do sonho
ignoramos limites,
descartamos fronteiras,
desfizemos o impossível.
E porque,
na retina de cada um,
brilha o mesmo brilho,
E porque,
na vontade de cada um,
pulsa o mesmo motivo.
O que era um Grupo,
um dia,
se fez Família.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br
Estivemos juntos
durante um tempo
que nenhum relógio
ousa registrar.
Não contamos os dias.
Não contamos as noites.
Não contamos as horas.
Como contar
tudo o que foi vivido,
tudo o que foi sentido,
tudo o que foi feito?
Como contar
o ombro alinhado ao ombro,
o riso compartilhado,
as conquistas,
as batalhas,
as vitórias?
Criamos
e nos recriamos.
Inventamos
e nos reinventamos.
Em busca do sonho
ignoramos limites,
descartamos fronteiras,
desfizemos o impossível.
E porque,
na retina de cada um,
brilha o mesmo brilho,
E porque,
na vontade de cada um,
pulsa o mesmo motivo.
O que era um Grupo,
um dia,
se fez Família.
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A natureza da oração
O que caracteriza a oração é o verbo.
Não fui eu quem disse,
mas fui eu quem aprendi:
mas fui eu quem aprendi:
Toda palavra guarda dentro de si
uma prece.
uma prece.
Amém.
Flávia Côrtes - Janeiro de 2012
www.poetaflaviacortes.com.br
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Era uma vez, em um reino muito distante...
Ela morava em uma terra de encanto
Um reino rodeado por uma montanha mágica
Onde o céu se coloria de lilás nos fins de tarde
E as madrugadas espelhavam os seus humores
Era uma terra distante
E era onde ela
Vivia feliz
Ele construía sonhos em uma terra antiga
Três portais de luz depois de Narla
Onde o céu se coloria de lilás nos fins de tarde
E as madrugadas ecoavam silêncios
Era uma terra distante
E era onde ele
Vivia em paz
Nenhum dos dois Viajantes de Luz
Nenhum dos dois Passageiros do Vento
E, ainda assim,
alados
em noites
insones
Por que Longe
Só é um lugar
Se você não quer ir.
Fevereiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Esboço de um Poema para um Pai
Eu nunca consegui escrever um poema para o meu pai. Escrevi alguns contos e prosas inspirados em episódios que me marcaram no convívio com ele, é verdade.
Mas um poema... ?
Desses que transbordam a alma?
Não consegui ainda.
Acontece que o sentimento que eu tenho pelo meu pai é tão vasto, tão amplo, tão diversificado... que eu nunca consegui esparramar em papel uma face apenas disso tudo.
Pareceria pobre.
Seria pouco.
Como falar do espelho sem falar do riso?
Como falar do riso sem falar do chão?
Como falar do chão sem falar da escola?
Como falar da escola sem falar do ombro?
Como falar do ombro sem falar do amigo?
Como falar do amigo sem falar do Pai?
E agora?
Como falar do Pai,
sem falar da Falta?
E como não falar?
Dia desses, Papai, eu ainda consigo
te escrever um poema
que mostre um tantinho
de toda a prosa que tivemos
de toda a poesia que vivemos
nos contos da nossa história
nas crônicas das nossas vidas
Um dia desses, Papai,
ainda te escrevo um poema
que me transborde da alma
um tantinho do tanto
que eu te amo.
O de hoje
É só esboço.
Janeiro de 2012
Luto
Era uma dor
Com nome de guerra
Um pranto seco
Um grito oco
Ecoando em volta
E por dentro
Era uma dor
Repetida
E irritante
Surpreendente
E agonizante
Grito de cigarra
Incorporado à tarde quente
Era uma dor
Com nome de guerra
Perdida
Desnorteada
Entôo o grito
E explodo
Permito-me chorar
Por quem merece
O meu pranto
Janeiro de 2012
Em Memória de Aderbal Xavier
Pai amado, Avô amoroso, Marido apaixonado e Amigo Leal
Era uma dor
Com nome de guerra
Um pranto seco
Um grito oco
Ecoando em volta
E por dentro
Era uma dor
Repetida
E irritante
Surpreendente
E agonizante
Grito de cigarra
Incorporado à tarde quente
Era uma dor
Com nome de guerra
Perdida
Desnorteada
Entôo o grito
E explodo
Permito-me chorar
Por quem merece
O meu pranto
Janeiro de 2012
Em Memória de Aderbal Xavier
Pai amado, Avô amoroso, Marido apaixonado e Amigo Leal
domingo, 22 de janeiro de 2012
Terra do Nunca
Um sol girando no céu
Fazendo verão
E verão
Em Terra Encantada
Versos escritos
Junto aos só sonhados
Amigos idos
Os livros lidos
E os não lidos
Crianças não mais vistas
Sorrisos e risadas cristalizadas
E a poeta
Persona e Personagem
Gira o Sol
E sorri
Um sol girando no céu
Fazendo verão
E verão
Memórias da Terra do Nunca
Lembranças do Mundo do Sempre
Sobrepostas no Agora
Janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Menino Tempo
Descobriu-se cansado
de ser sábio
ou velho
E, dono que era de todas as horas,
fez-se menino.
E, sendo menino,
brincava
com as possibilidades.
Assim como quem constrói castelos de areia.
Meio como quem descobre desenhos em nuvens.
E, mesmo menino,
sabia
das possibilidades.
Assim como quem sabe da onda na areia
Meio como quem conhece o vento na nuvem
E, por ser menino ,
gostava
da beleza invisível do vento,
da textura macia da onda.
E, por ser menino,
sabia.
Fazia do Ainda
a aurora do Quando.
Janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
Sentimental
Acordei hoje pensando em meus irmãos
os de sangue
e os da vida.
E ainda naqueles que estão,
dia a dia,
sorriso a sorriso,
soluço a soluço,
ombro a ombro,
poema e poema,
chegando à minha vida
e ficando
Minha ternura hoje é toda para vocês
A cada um de vocês que é
A cada um de vocês que está se tornando
Àqueles que eu nem sabia que vinham para ficar
Envio o meu abraço mais fraterno
E meu mais sincero pensamento
de Feliz Ano Novo
Janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
Elefantes Flamejantes
Eu vou decorar um coreto
Chamar uma banda de música
Um bloco de carnaval
Só para te contar
O que te parece novidade
Eu vou colocar faixas na sua rua
Desenhar na sua calçada
Grudar bilhetes na sua janela
Só para te mostrar
O que te parece inédito
Eu vou escrever poemas
Compor canções
Publicar um livro
Só para te dizer
O que te parece extraordinário
E quem sabe
Eu até te mostro
Os meus amigos
Só para você saber
O que é o meu normal
O que é ter cuidado
O que é ser leal
E vou ficar assistindo
A surpresa do seu olhar
No insight
Manada de elefantes em chamas.
Dezembro de 2011.
Era uma vez um gato amarelo. Em duas versões.
Era uma vez um gato amarelo... a versão da mulher.
Ela não desgostava de gatos. Também não gostava especialmente. Um dia, por capricho da vida, ficou com a custódia de um. Tinha nome de iogurte. Foi a primeira vez, depois de adulta, que precisou cuidar de uma coisa viva. Parecia fácil. Água, areia e ração.
Ele não se incomodava com os horários dela. Era carinhoso sem ser grudento. Percebia seus humores... deitava sobre o seu peito quando estava triste - coisa freqüente naqueles dias. Tinha os tempos dele... sumia de vez em quando. E, às vezes, ficava imóvel olhando o ar como se houvesse alguma coisa que só ele via. A ponto dela dar risada e perguntar se ele também escrevia.
Esteve com ela por dois anos. E isso já tem alguns agora.
Custou um bocado para perceber que aquela também foi a primeira vez, depois de adulta, que permitiu que cuidassem dela.
Era uma vez um gato amarelo... a versão do gato.
Ele não desgostava de gente. Também não gostava especialmente. Um dia, por capricho da vida, ficou com a custódia de uma. Não foi a primeira vez que precisou cuidar de alguma coisa viva. Sempre achou fácil. Era só atenção.
Ela tinha horários esquisitos. Achava estranho, mas respeitava. Afinal, ele também tinha lá suas manias. Estava sempre muito triste e isso às vezes o preocupava. Em pouco tempo percebeu que, se deitasse em seu peito, ela sorria. E ele gostava do sorriso dela.
Era carinhosa, mas parecia não gostar muito de mostrar isso. Não a via com outras pessoas. Pelo menos não desde que começou a cuidar dela. Levou um tempo até que ele a visse dar risada das coisas. E um pouco mais até a risada encher os grandes olhos dela.
Ficou com ela por dois anos. O tempo que achou suficiente para que ela ficasse bem.
Junho de 2010
Em memória de Chambinho
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
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