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sábado, 21 de agosto de 2010
Eu não sonhei com você hoje
Eu não sonhei com você hoje...
Tua voz ecoou em mim
até o sono vencer
e me adormecer
o sorriso
Tua lembrança
me encheu
o pensamento
antes mesmo dos olhos
encontrarem o dia
Me conta, vai...
Se, ontem, a falta da tua voz
me fez pensar em você
dia inteiro...
O que vai ser do hoje
onde a vontade
do teu abraço
e do teu beijo
foi me buscar no sono?
E olha que eu nem sonhei com você hoje...
Agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Somos em Lá
Lá onde o encanto é maior
Ele olhava a mulher, quando viu a poesia.
Naquela noite, ela só viu o poeta.
Lá onde o medo é menor
Ele mostrou os olhos.
Naquela noite, ela viu o homem.
E os dois não estranharam o inesperado.
E em nota única, se fizeram saudosos.
Saudosos do abraço ainda não dado
Saudosos do toque ainda não sentido
Saudosos do cheiro ainda não conhecido
Saudosos do gosto ainda não provado
Saudosos do ainda
Saudosos do nunca
Saudosos do sempre
E eles se reencontraram
E, naquela noite, um viu no outro
Apenas o que o outro era
E tudo o que era o outro
Despidos do estar
Vestidos do ser
Inesperado querer
Lá onde o medo é menor
Lá onde o encanto é maior
Agosto de 2010
Encantados
Antes de apaixonar, há o encantar.
Tão melhor se encantar do que se apaixonar...
Encantada, a respiração dela acelera sob o olhar dele.
Encantado, o pensamento dele busca a imagem dela pelo dia.
Encantados, se seduzem
Encantados, se conquistam
O encanto paralisa o tempo
faz escorrer os minutos
enquanto um olha
hipnotizado
a respiração do outro
O caso é que basta apaixonar para complicar tudo.
É só apaixonar e as pessoas querem resolver o que fazer com aquele sentimento.
Encantados, eles sentem.
Apaixonados, planejam.
É o princípio do fim.
Agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
E você, vai fazer o que daqui a 5 anos?
No mês passado, eu almocei com duas amigas numa tarde de domingo - sim, porque aos domingos, são autorizados almoços em fins de tarde.
A conversa seguia descompromissada e divertida. Assuntos leves. Bobagens entre risadas, como cabe a uma tarde de domingo.
De alguma forma, o assunto foi parar na forma como eu me vejo daqui a 5 anos.
A pergunta que combinava muito mais com um processo seletivo do que com um almoço entre amigas motivou uma gargalhada seguida por um divertido “Por quê?”
Pronto. Foi o suficiente para que se iniciasse uma seqüência de relatos preocupados com o meu estilo de vida.
E, a mim, só restou abrir mente e coração e escutar. Sentadinha, ali na minha berlinda, ouvi, com carinho e surpresa, preocupações que iam desde a minha alimentação inadequada até os meus projetos de vida.
Explico.
Carinho por ter amigas preocupadas com a minha saúde. De fato, minha completa inaptidão como dona de casa me fez descobrir que vivo perfeitamente bem com sopas congeladas e sanduíches de alface. E confesso... não faço um check up há uns 10 anos.
Surpresa por descobrir que minhas amigas se preocupavam de eu viver a vida sem me preocupar com o dia de depois de amanhã. Na verdade, não acham saudável que eu não demonstre ter um objetivo maior na vida. Por “maior”, na concepção delas, leia-se uma meta de crescimento financeiro e profissional a curto prazo.
Depois que ouvi tudo, guardei o que disseram dentro de mim para digerir em alguns dias e virei a pergunta, querendo saber o que elas estariam fazendo daqui a 5 anos, quando estivessem chegando perto dos 40.
O assunto seguiu com relatos de casamentos, filhos e promoções até que o namorado de uma delas chegou.
Pois bem, passou um mês desde aquele dia. E eu tenho revisto o que ouvi naquela tarde. Tenho pensado na minha vida. Pensado no que eu vivo hoje. Se eu quero mudar algo. O que eu quero estar fazendo daqui a 5 anos.
E eu acho que já sei - só que, antes, preciso dizer algumas coisas sobre o hoje.
Por uma conjunção rara de fatores, estou em um momento muito bom da vida.
- Minha família não está passando por problema algum.
- Meu trabalho conjuga desafio cotidiano, prazer e boa remuneração.
- O coração está em paz. Aberto, tranqüilo. Se quero um namorado? Claro que quero. Só que isso não se planeja ou procura. Sob risco de ansiedade e carência desnecessárias. Acho que é abrir o coração e “cuidar do jardim para que as borboletas venham até você”. E acho que já tem borboleta à beça em volta. Eu é que eu só namoro quando estou apaixonada. Então, o jeito é esperar.
- Minha vida sexual é compatível com o que pode acontecer para uma mulher solteira, sem namorado e que só se relaciona com homens que a deixem interessada o suficiente para querer mais de uma noite com eles.
- Minha vida social é divertida.
- Meus amigos são presentes.
- Financeiramente, eu tenho problemas administráveis.
- Meus textos estão ganhando novas instâncias... palavra escrita, palavra falada, textos publicados na internet, o Livro amadurecendo... são tantas coisas novas, tantas idéias... e elas vão surgindo naturalmente, sem eu planejar. Não funciona bem comigo planejar palavra. Seria o avesso do meu processo criativo. Mas isso é assunto longo. Dá um livro. Aliás, não só dá como o estou escrevendo.
Então, deixa eu te perguntar:
Estando o hoje tão absoluta e completamente bom, é tão estranho assim que uma pessoa realmente feliz não ocupe seus dias pensando em como mudá-lo?
Se eu não quero mais nada? Ora, claro que quero. Quem é que não quer mais?
Ser mais magra, ganhar mais, se divertir mais, namorar mais...? Quem não quer?
Só que eu não vejo essas coisas como fatores essenciais para a minha felicidade.
Ser mais magra me faria bem. Mas eu não vivo mal porque não o sou.
Ganhar mais seria bom. Mas não é ruim não ganhar tanto assim.
Se divertir mais é sempre bom. Mas não me divirto pouco.
Namorar mais seria ótimo. Só que para namorar, tem que apaixonar. Enquanto não apaixono, vou seguindo com um “quase-namorado” ou outro de vez em quando, fazer o quê.
Pessoalmente, eu acho que as minhas amigas se preocupam comigo por alguns motivos.
Primeiro porque me amam. E eu as adoro por se preocuparem.
Segundo que não entendem direito a forma como eu vivo essas coisas. Elas estão na fase dos 30 anos. Uma fase de querer. Querer casar. Querer ter filho. Querer uma promoção. Querer comprar um apartamento. E causa estranheza que alguém não tenha esse sentimento latejando dentro de si.
Aceitar que outra pessoa sinta, pense ou deseje algo diferente da gente é uma coisa muito difícil. A maioria das pessoas, quando aceita, na verdade, acata. É muito difícil entender que aquilo que faz o outro feliz, não necessariamente precisaria fazer-nos felizes também. Por amizade, pode haver uma atitude de “te amo e te aceito”. E, apenas isso, já é lindo.
Eu já vivi uma fase do “querer” quando tinha trinta e poucos anos. E foi bem gostosa. Interessante. Desafiadora. Nessa fase, eu queria muita coisa que eu não tinha na minha vida. E fiz tudo o que quis.
Isso quer dizer que eu não queira nada agora que tenho 42?
Não é isso. É que o que eu quero... bem... vamos lá:
- Quero acordar no domingo e poder deixar o dia desenhar. Deixar a vida me surpreender. Com amigos, risadas, sabores e cores não planejadas depois de uma semana inteira de rotina, planejamento e controle no trabalho.
- Quero conversar com um amigo por duas horas ao telefone porque estou com saudades.
- Quero parar no meio da rua para ver a lua porque ela está bonita. Ou uma nuvem com mais de um tom de branco. Ou um por do sol porque eu não tinha visto ainda aquele tom de roxo no céu.
- Quero o prazer de dizer um texto em voz alta e ver a emoção refletida nos olhos de quem ouve.
- Quero comer manga no café da manhã sentada na varanda... ao invés de iogurte em pé na cozinha.
- Quero dormir com ar condicionado ligado até no inverno, só para sentir a textura do edredom na pele.
- Quero escolher livros por horas numa livraria.
- Quero dar risada por nada com amigos. Jogar conversa fora. E conversa dentro.
- Quero estar com a minha família.
- Quero dançar de olhos fechados só para sentir a luz na pálpebra enquanto o som me transpassa.
- Quero andar de balão um dia.
- Quero ver o mar por dentro dia desses.
- Quero me dar manhãs... que é como eu chamo colocar o despertador para as sete só para dar tempo de ler e escrever um pouco antes de ir para o trabalho.
- Quero que um temporal me pegue de surpresa um dia, quando eu não estiver sozinha, só para sentir como é dar beijo na boca debaixo de chuva forte.
- Quero deitar num gramado em uma cidade onde o céu seja mais estrelado, que isso só tem em cidade pequena, e soltar o olho no azul e o pensamento na noite, ouvindo música. Deitar no chão para olhar céu é uma coisa muito gostosa. Se nunca fez, recomendo.
- Quero ler os livros que estão aqui em casa espalhados esperando a vez.
- Quero almoçar com amigas que me amam e se preocupam comigo.
- Quero conhecer mais sobre Ferreira Goulart, que ouvi um texto dele mais que delicioso e interessante. Um texto espelho. E ainda não deu tempo de ler a pesquisa que eu comecei sobre ele na internet.
- Quero ir ao Real Gabinete Português de Leitura, que dizem que é lindo lá.
- Quero descobrir mais sobre Oswald de Andrade, Manuel da Nóbrega e Dan Brown. Porque um amigo me falou da obra deles.
- Quero sair para dançar este ano ainda, que o orçamento não deu e eu adoro.
Caramba, eu quero muita coisa. Se sair contando tudo aqui eu vou cansar vocês – se é que já não cansei.
Mas é isso. Minhas vontades, hoje, não estão relacionadas a mudar a minha vida. Na verdade, eu estou muito feliz com a minha vida. Não vejo motivo para querer mudá-la. Pelo menos enquanto estiver feliz com ela.
E eu mudaria, se não estivesse mais feliz?
Com toda facilidade. Mudar de casa, de cidade, de emprego, de relacionamento, de opinião... são coisas que acontecem. Já fiz tudo isso algumas vezes na vida. E faria de novo. Ou por necessidade ou por vontade.
Eu já havia dito isso tudo que contei para vocês a estas duas amigas. Mas acho que o seu amor por mim faz com que se incomodem com o não entendimento das minhas prioridades – tão diferentes das delas.
Se elas lerem esse texto dirão. "Ah, mas você não se cuida. Não cuida da sua saúde. Ninguém pode viver bem à base de canja congelada e sanduíche de alface."
É verdade, eu não me cuido. Me alimento mal, não vou ao médico há séculos e recomeço a academia segunda-feira sim, segunda-feira, não.
Mas, sinceramente, credito isso aos mesmos motivos que me fazem não arrumar a cama de manhã e esquecer louça dentro da pia. Falta-me disciplina para fazer coisas que eu não gosto. Simples assim.
Tá, eu sei. É necessário. Está bem, vou recomeçar a academia de novo amanhã. E nem é segunda-feira... E vou tomar mais água.
Ah, também já fui ao cardiologista no inicio deste mês para fazer um check up.
Melhor mesmo não arriscar um infarto antes de conseguir ir aos Lençóis Maranhenses, andar de balão ou ver o mar por dentro.
Seria um desperdício.
Maio de 2010.
sábado, 24 de julho de 2010
Enluarada
lua cheia
beijos orvalhados
espalhados em pele
branca
me deixa assim
enluarada
sopro leve no pescoço
para provocar ventania
prenúncio de chuva
vendaval
tempestade ecoa
resoa
e o que
começa em um
percorre o outro
vai em vontade
volta em suspiro
vai em arrepio
volta em desejo
olho no olho
pele sobre pele
palavra sobre palavra
lua cheia
e eu assim
enluarada
Julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Céu de Algodão Doce
Gosto tanto quando a manhã vem vestida de azul clarinho. É quando o céu está todo azul, mas o dia espalhou no ar uma névoa branca, bem suave, que é para o sol passar fácil por ela.
O ar, nesses dias, ganha um tom azul claro... igual a algodão doce quando começa a desprender do tabuleiro. É como se o céu emprestasse ao ar parte do azul só para encher olhos poetas de manhã bem cedo na varanda.
Manhãs assim convidam a gente a provar o dia devagarinho... deixando a vida derreter suavemente... e nos enchendo de doçura. Eu chamo isso de Céu de Algodão Doce. E é bem bonito.
Julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
E você? Acredita em amores para sempre?
Dia desses me perguntaram se eu acreditava em amores para sempre. Eu juro que parei uns minutinhos pensando se respondia ou não.
É que já cheguei à conclusão que esse tipo de assunto é quase como falar de política ou religião. Ninguém consegue chegar a um consenso e ninguém convence ninguém. E, invariavelmente, as pessoas se estressam tentando mudar a opinião do outro.
Mas, enfim, como gosto de conversar, lá fui eu mais uma vez, discutir se o mar é azul-esverdeado ou verde-azulado.
Se for só conceito, pode anotar aí que acredito, sim, em amores para sempre.
Não. Não é impressão sua. Você viu um “mas” impregnando a frase.
O fato é que tenho a convicção de que tudo na vida acaba um dia – inclusive o amor. Mas também acho que algumas pessoas podem conseguir fazer acontecer de durar tanto tempo que elas próprias acabam antes do sentimento acabar.
Sim, o termo é esse mesmo. Fazer acontecer.
Como assim?
Tudo bem, ninguém apaixona porque quer ou por quem quer. Apaixona ou não. E pronto. Nisso concordamos.
Mas estou completamente convencida que, para fazer um amor durar mais do que a vida da gente, não adianta ir vivendo. Os dois precisam fazer com que isso aconteça. E fazer desde o princípio... desde o primeiro dia. Porque pode anotar aí: o que você acha fofo na primeira semana vai te irritar profundamente ao término do primeiro ano.
Você conhece a pessoa. E, incrivelmente, inexplicavelmente, o tempo para. E isso é raro, mas muito raro mesmo. Aí, vocês saem juntos duas ou três vezes. E, surpreendentemente, o encanto permanece.
Só que na terceira ou quarta vez que vocês saem... pode anotar aí, raramente passa da quarta vez, a pessoa:
1. resolve implicar com os seus amigos
2. reclama do horário que você trabalha
3. se ressente da atenção que você dá a sua família
4. quer se mudar para a sua casa
5. todas as alternativas anteriores
No início, acontece de forma muito sutil. E, sem perceber, você vai deixando. Aí, quando vê, o que era uma insinuação vira exigência. Pronto! Não há paixão que sobreviva ou amor que resista. Mas, só para lembrar, foi você que deixou, está bem?
A coisa toda começa das formas mais variadas.
Por exemplo, você entra no MSN à meia noite e, ao invés de um “boa noite”, a janelinha traz um "onde você estava até essa hora, amor?". A paixão te faz pensar: “Que fofo isso... se preocupa comigo”. Acredite, se isso seguir desta forma, daqui a um ano esse ser humano vai querer controlar o que você come.
E qual a solução?
Correr? Tá, isso também resolve.
Mas se o tempo parou para vocês, pode valer a pena colocar o seu limite, não acha?
Como fazer isso sem magoar?
Eu não faço a menor idéia. Não tem receita. Só sugiro que jamais conversem sobre essas coisas quando um dos dois estiver irritado. Tirando isso, entre falar e não falar, a primeira opção é sempre a melhor. Até porque vai acontecer de novo. E aí vai incomodar em dobro. Melhor resolver agora, pode acreditar.
Ah, e “falar” quer dizer pessoalmente. Ou, pelo menos, por telefone. Conversar essas coisas por e-mail ou MSN é calamitoso. Palavra escrita não tem tom de voz.
Eu não vou cansar vocês com outros relatos das situações cotidianas que fazem com que eu ache tão improvável o “para sempre” no amor.
Todo mundo quer apaixonar. E até se apaixona. Mas para virar amor... bem, tem que conseguir passar por todas essas pequenas provas cotidianas sem perder o encanto. E isso é tão difícil. Porque não tem receita. O que funciona para um não funciona necessariamente para o outro. E o que funcionava naquele outro amor, não vai necessariamente funcionar com este amor que a vida te presenteou hoje.
Como assim aquele outro amor?
Sim, eu acredito que podemos amar mais de uma vez na vida. E com a mesma intensidade e verdade. E não me olhe assim... eu disse que o assunto era polêmico.
Ah, e, por favor, não me peça para classificar amores em ordem de importância. Cada um é único. As chuvas de julho, que polvilham o ar por dias seguidos com uma cortina em movimento, não são menos bonitas que as torrenciais águas que nos surpreendem no meio das tardes de março. Nem são menos chuva.
Enfim, voltando ao nosso assunto... “amores para sempre”... você acha mesmo que esse verbo tem som de horizonte à toa?
Amar é onda. Inclui o de novo. O novamente. Amar é aberto. Inclui o profundo. O que não se entende. Inclui saber que por mais fundo que você vá, vai ter sempre uma parte do outro que não vai conhecer. E inclui entender que parte do encanto é justamente este.
Só para constar. Eu não sei nadar. Mas nunca deixei de ir até depois das ondas por conta disso. E, em passeios de barco, acho simplesmente irresistível saltar da proa em mar aberto.
Então é isso. Acredito, sim.
Julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Dois em Cena
Não, eu não me preocupo que seja para sempre.
Se tiver mesmo que colocar advérbio
nesse verbo com som de horizonte,
que seja de intensidade
e não de tempo.
Prefiro que me queira.
Todo dia,
de novo
e novamente.
Da mesma forma
ou diferente.
Mas que não me queira
mais ou menos,
meio por acaso,
meio sem querer.
Que me queira muito.
E que me queira bem.
Não, eu não procuro um amor de cinema.
Não acho que amores combinem com roteiros.
Mas tampouco me encantam
essas modernas paixões em minissérie.
Prefiro que me faça
encantadora
e encantada.
Que dispense palco e ribalta.
Em cena, só querer.
Ao vivo.
Em arena plena de nós dois.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Convocando Reforços!
Arcanjo,
Querubim,
Serafim...
...ai de mim!
Anjo do Senhor!
E da Senhora?
Minha virgem tem anjos?
Ou são todos dela?
Então, minha Maria,
envia logo suas legiões
que, nessa manhã,
o poeta
me mandou versos.
E, logo hoje, que eu estou assim desse jeito...
Envia logo
dois mil e quinhentos reforços
ao meu pobre Anjo da Guarda
que, hoje, eu não respondo por mim.
E já tem um tempo
que o poeta
já não responde por ele.
Flávia Côrtes – Julho de 2010
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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sábado, 3 de julho de 2010
Verso em Voz
Voz
Sopro que sai pela garganta
traz de dentro
parte da essência
Minha palavra
inteira
precisa
voz
olho
respiração
a palavra
dita
não lida
decorada
o verso
conversado
contado
em ritmo
intenso
ou
então
segredado
suave
em sussurro
às vezes
um sorriso
misturado
som da respiração
tom da voz
incorporados ao poema
como mais um verso
Meu verso tem fome de voz!
Julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Qual artesão,
esboça a minha vontade,
desenha o meu desejo,
esculpe o que eu quero.
Maestro,
rege meus suspiros,
compõe meus arrepios,
me descompõe.
Pintor das minhas nuances,
mergulha as mãos em minhas tintas
e faz de mim
tela branca de ti.
Diretor do desatino
coordena nossa loucura.
Me faz personagem,
desnuda em tua cena.
Cineasta de um filme
inédito de nós dois,
me olha como quem sabe o final.
E eu que nem vi o início.
Dançarino que me conduz
em ritmo que é só nosso.
Me enlaça e me leva,
bailarina em teus abraços.
Poeta
da palavra que eu não disse,
do canto que me seduz,
do verso que eu mais quero.
E eu aqui,
criadora
e criatura,
vejo no ar
as imagens do que dissemos,
as figuras do que pintamos.
Nossas cenas,
nossas cores,
se condensam em mim.
E me deixam aqui exposta
em poema de nós dois.
(Flávia Côrtes - Junho de 2010)
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