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sexta-feira, 25 de junho de 2010


Artífice

Qual artesão,
esboça a minha vontade,
desenha o meu desejo,
esculpe o que eu quero.

Maestro,
rege meus suspiros,
compõe meus arrepios,
me descompõe.

Pintor das minhas nuances,
mergulha as mãos em minhas tintas
e faz de mim
tela branca de ti.

Diretor do desatino
coordena nossa loucura.
Me faz personagem,
desnuda em tua cena.

Cineasta de um filme
inédito de nós dois,
me olha como quem sabe o final.
E eu que nem vi o início.

Dançarino que me conduz
em ritmo que é só nosso.
Me enlaça e me leva,
bailarina em teus abraços.

Poeta
da palavra que eu não disse,
do canto que me seduz,
do verso que eu mais quero.

E eu aqui,
criadora
e criatura,
vejo no ar
as imagens do que dissemos,
as figuras do que pintamos.

Nossas cenas,
nossas cores,
se condensam em mim.

E me deixam aqui exposta
em poema de nós dois.



(Flávia Côrtes - Junho de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Um comentário:

Cláudia Costa disse...

Flavinhaaaaa,

Eu quero ser igual a você quando eu crescer. Essa luz, essa magia, essa dança de palavras sensuais, você transcreve emoção, respira sedução e enlaça com poder a palavra dita, escrita, sentida...

Esse fulgor e essa alegria passam em cada letra, cada gesto...tudo muito uma coisa só, tudo muito real, tudo muito concreto, existente.

O dom de transformar palavras em imagens, dança, movimento. Você não tem um dom...você É o dom.

Linda poesia!!