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sexta-feira, 28 de maio de 2010


Verso ou Fato?

Fato
Ou verso

Um mimo
Um bem querer

Em verso
Esboço de Flor
Presenteia o poeta

Fato
Ou verso

Surpresa
E sem saber

De fato
Sorri a poeta

Maio de 2010


Pescadora de Palavras


Tradutora de nuvens
Pescadora de palavras
Pintora de ilusões

O que eu traduzo
É só esboço

O que eu pesco
Me persegue

O que eu pinto
Não te ilude
Fato

Ah, vai
Foi você que perguntou

Te pareço louca?
Acostuma...
Poeta!

Maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010


Desnuda

E como é que
Me ocupa
Me invade
E me bagunça
Assim

Sem cerimônia
Desconcerta

Mistura
Letra e desejo
Pensamento e verso
Sentimento

Sensações

Sem nexo
Sem senso

Encantada
Imóvel
Respiração suspensa

Vejo o verso
Se aproximar
Me envolver
E invadir

Desnuda
Em página branca

Maio de 2010



Seu beijo sabe


Seu beijo sabe
o caminho
do meu arrepio
Conhece minhas fendas
sabe de cor meus suspiros

E me faz assim

Vestida
E nua
de pudor


Maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010


E quando eu acho que te aprendi



E quando eu acho
Que te aprendi

Você me olha
Com teu olhar poeta

E me desconcerta

Meio me decifrando
Meio se divertindo
Eu nem preciso te ver
Para adivinhar teu sorriso

Um verso
E me revira entranhas

Ah, não me convida
A perder juízo

Meu juízo
Já é meio
Perdido de mim

Maio de 2010

Amizade tem disso

A gente fica um tempo sem se ver.
E sente saudade.
E lembra sempre.
Mas fica bem.

Mas quando encontra...
Ah, quando encontra!

É tão bom, tão bom,
que a falta, depois, pesa o ar.

Só de lembrar
dá vontade de abraço.

É que a gente lembrou
o que é ter aquela pessoa em volta da gente.

Sim, porque
amigos de verdade
nunca estão apenas
com
a gente.

Quando longe,
levamos dentro.

E, quando perto,
estão em volta.  


(Flávia Côrtes - Maio de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Profecia

Quando eu nasci, um anjo lindo...

Sim,
porque torto ou esguio,
louco ou lúcido,
esbelto ou gordo,
se é anjo,
anjo é.
E, portanto, lindo!

... de asas imensas e olhar azul
olhou para mim e disse:

“Te conto, não, menina, vá você descobrir!”



 (Flávia Côrtes - Maio de 2010)

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010


Sob Teu Olhar

Me encanta e surpreende
Esse seu olhar poeta

Esse pousar de olhos
Em meu pensamento
Me encarando o verso
Me adivinhando a alma

Desvio os olhos

Será que consegui
Disfarçar o sorriso?

Maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010



Teu verso alimenta

E quanto mais te devoro
mais fome da tua palavra
mais sede do teu calor

saboreio as estrofes
descubro teu gosto
me embriago de ti

me sacia

mas só até o próximo verso
me fez gulosa de ti, poeta

Maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Encantada

Novamente
sucessivamente
cotidianamente
encantada

Em todos os meus eus

Maio de 2010


É este o dom da palavra
Desobstruir canais
Liberar sentimentos
Levar sensações
Lavar emoções

Para dentro e para fora.
Para fora do poeta
Para dentro de quem lê

E é assim
em espelho
emoção
encanto
pranto

Que as coisas passam a fazer sentido.

Maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010



Comigo acontece assim

Por algum motivo,
pode ser do nada,
pode ser no meio da noite,
pode ser conversando com alguém,
pode ser escovando os dentes de manhã.

Um pensamento,
um sentimento,
cristaliza em palavra.

Em frase,

em verso,
gruda no pensamento.

Pronto.
Acabou a minha paz.

Aquilo fica ali se repetindo.
Às vezes, só um pouquinho.

Vez em quando,
como um "jingle" interminável.

Aí, de alguma forma,
as palavras vão me rodeando.

Às vezes, versos inteiros.
Às vezes, só sentimento
antes mesmo de vestir palavra.

E, uma hora,
quando o pensamento soltar no vento,
ou porque eu mesma soltei,
ou porque ele voou sozinho,
o texto se esparrama
inteiro
no papel.

Não é algo voluntário.
Só acontece.
(Flávia Côrtes - Maio de 2010)

www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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E a poeta sorriu

O poema sorriu para ela
E a poeta sorriu de volta


Devaneio que veio quase em um suspiro, ao ler um texto de um amigo, Yves Mansur, que diz assim:

A inteligência sorriu pra ela...
e a poeta sorriu de volta

o morango que passeia na caipirinha
As dualidades de pessoa, ou de buarque
a música de manhãzinha

Conserva seu sorriso de menina
a autora, que não tem medo de nada
e se tiver, penso que domina


Maio de 2010

(Obrigada, Yves! Pelos poemas... o seu e o meu. E por tudo o mais!)



uma vida vivida
ou não vivida
você escolhe

Maio de 2010

Devaneios pela palavra

Para saber de mim
Tira os olhos do papel
E olha para mim

Das coisas que eu sou
Eu posso te dizer
Mas acho
Vai gostar mais de descobrir

Das coisas que eu gosto
Eu posso te contar
Mas acho
Vou gostar mais de te mostrar

Das coisas que eu sinto
Eu posso te falar
Mas acho
Vai gostar mais de me sentir

E
Das coisas que eu faria
Das portas que eu abriria
Dos lugares aonde iria

Ah, desses
Nem eu sei

Só sei
Que a mim permito

Sempre

Tanto ir
Como não ir


Maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010


Selado
(um dueto verso a verso)


Selado... o encontro

Teu Corpo... em meu corpo
Montado.

Num atalho... suspiros
Pensamentos ... desgovernados
Numa curva... gemidos
Destinos... entrelaçados

Um encontro esperado
Para fazer do teu amor... meu desatino.
O meu... destino.

Amanhecer... em volta de ti
Num cio de lobas.
Promessa de um amor... sem pudor

Mansamente... descobrir-te
Aconchegar-me no teu colo... aberta e nua.

Na cova
Aquece-me... provoca-me
Nos teus beijos... me entrego
Nossos corpos... se descobrem
A rolarem inebriados... embriagados

Uivos ao luar... até o amanhecer.


Maio de 2010
Esse texto nasceu de outro poema, escrito por El Brujo.
Cada verso é iniciado por El Brujo e terminado por mim.

Confira abaixo o poema original na escrivaninha do poeta:
http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/2258258

Descobre-me


Deitei-me em palavra
Desnuda
Em página branca
E esperei que me lesse

Vagarosamente teu olhar
Percorre
Explora

Como dedos quentes
Entre linhas
Fendas

Sobre os versos
Sussurras

Sob os versos
Suspiro

Deitei-me em palavra
Aberta e exposta
Sob teu olhar poeta

Delicadamente
Sem palavras
Respiração entrecortada

Descobre-me!

Maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010


Disrítmica


E quando teu texto insinua
Instiga
Provoca

Assisto tua palavra
Adivinhar meus caminhos

Observo teus versos
Como dedos
Procurando fendas

E quando teu texto me mostra
Permito a palavra

Te digo

Que entre em texto
Que saia em voz

Saboreio as possibilidades
Nos seus versos

Encontro o tom
Encaixo a respiração

Disrítmica.

Me rouba o fôlego, poeta!

Maio de 2010
Amém, querida. Amém.

A propósito, acabei de perceber que a palavra amém, sem acento, vira "amem"... será que precisamos tirar os acentos para que o amor "assim seja"?



Devaneios pela Palavra – Maio de 2010
O texto surgiu em comentário a um lindo poema que li no Recanto das Letras. É uma prece. Quem quiser conferir, segue o link:
http://recantodasletras.uol.com.br/oracoes/2258244
Obrigada, Angel, pela inspiração.

domingo, 16 de maio de 2010


Teu verso provoca
Seduz entre linhas

Sussurra vontades
Em páginas brancas

Deslizo os olhos por estrofes
Saboreio metáforas

E vagarosamente
O poema me percorre

Invade pensamento
Ecoa nos sentidos
Transborda em voz

E aqui
Te lendo
E relendo
Minha palavra escorre

Maio de 2010