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quinta-feira, 27 de maio de 2010


Desnuda

E como é que
Me ocupa
Me invade
E me bagunça
Assim

Sem cerimônia
Desconcerta

Mistura
Letra e desejo
Pensamento e verso
Sentimento

Sensações

Sem nexo
Sem senso

Encantada
Imóvel
Respiração suspensa

Vejo o verso
Se aproximar
Me envolver
E invadir

Desnuda
Em página branca

Maio de 2010



Seu beijo sabe


Seu beijo sabe
o caminho
do meu arrepio
Conhece minhas fendas
sabe de cor meus suspiros

E me faz assim

Vestida
E nua
de pudor


Maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010


E quando eu acho que te aprendi



E quando eu acho
Que te aprendi

Você me olha
Com teu olhar poeta

E me desconcerta

Meio me decifrando
Meio se divertindo
Eu nem preciso te ver
Para adivinhar teu sorriso

Um verso
E me revira entranhas

Ah, não me convida
A perder juízo

Meu juízo
Já é meio
Perdido de mim

Maio de 2010

Amizade tem disso

A gente fica um tempo sem se ver.
E sente saudade.
E lembra sempre.
Mas fica bem.

Mas quando encontra...
Ah, quando encontra!

É tão bom, tão bom,
que a falta, depois, pesa o ar.

Só de lembrar
dá vontade de abraço.

É que a gente lembrou
o que é ter aquela pessoa em volta da gente.

Sim, porque
amigos de verdade
nunca estão apenas
com
a gente.

Quando longe,
levamos dentro.

E, quando perto,
estão em volta.  


(Flávia Côrtes - Maio de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br

Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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Profecia

Quando eu nasci, um anjo lindo...

Sim,
porque torto ou esguio,
louco ou lúcido,
esbelto ou gordo,
se é anjo,
anjo é.
E, portanto, lindo!

... de asas imensas e olhar azul
olhou para mim e disse:

“Te conto, não, menina, vá você descobrir!”



 (Flávia Côrtes - Maio de 2010)

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segunda-feira, 24 de maio de 2010


Sob Teu Olhar

Me encanta e surpreende
Esse seu olhar poeta

Esse pousar de olhos
Em meu pensamento
Me encarando o verso
Me adivinhando a alma

Desvio os olhos

Será que consegui
Disfarçar o sorriso?

Maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010



Teu verso alimenta

E quanto mais te devoro
mais fome da tua palavra
mais sede do teu calor

saboreio as estrofes
descubro teu gosto
me embriago de ti

me sacia

mas só até o próximo verso
me fez gulosa de ti, poeta

Maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Encantada

Novamente
sucessivamente
cotidianamente
encantada

Em todos os meus eus

Maio de 2010


É este o dom da palavra
Desobstruir canais
Liberar sentimentos
Levar sensações
Lavar emoções

Para dentro e para fora.
Para fora do poeta
Para dentro de quem lê

E é assim
em espelho
emoção
encanto
pranto

Que as coisas passam a fazer sentido.

Maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010



Comigo acontece assim

Por algum motivo,
pode ser do nada,
pode ser no meio da noite,
pode ser conversando com alguém,
pode ser escovando os dentes de manhã.

Um pensamento,
um sentimento,
cristaliza em palavra.

Em frase,

em verso,
gruda no pensamento.

Pronto.
Acabou a minha paz.

Aquilo fica ali se repetindo.
Às vezes, só um pouquinho.

Vez em quando,
como um "jingle" interminável.

Aí, de alguma forma,
as palavras vão me rodeando.

Às vezes, versos inteiros.
Às vezes, só sentimento
antes mesmo de vestir palavra.

E, uma hora,
quando o pensamento soltar no vento,
ou porque eu mesma soltei,
ou porque ele voou sozinho,
o texto se esparrama
inteiro
no papel.

Não é algo voluntário.
Só acontece.
(Flávia Côrtes - Maio de 2010)

www.poetaflaviacortes.com.br
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E a poeta sorriu

O poema sorriu para ela
E a poeta sorriu de volta


Devaneio que veio quase em um suspiro, ao ler um texto de um amigo, Yves Mansur, que diz assim:

A inteligência sorriu pra ela...
e a poeta sorriu de volta

o morango que passeia na caipirinha
As dualidades de pessoa, ou de buarque
a música de manhãzinha

Conserva seu sorriso de menina
a autora, que não tem medo de nada
e se tiver, penso que domina


Maio de 2010

(Obrigada, Yves! Pelos poemas... o seu e o meu. E por tudo o mais!)



uma vida vivida
ou não vivida
você escolhe

Maio de 2010

Devaneios pela palavra

Para saber de mim
Tira os olhos do papel
E olha para mim

Das coisas que eu sou
Eu posso te dizer
Mas acho
Vai gostar mais de descobrir

Das coisas que eu gosto
Eu posso te contar
Mas acho
Vou gostar mais de te mostrar

Das coisas que eu sinto
Eu posso te falar
Mas acho
Vai gostar mais de me sentir

E
Das coisas que eu faria
Das portas que eu abriria
Dos lugares aonde iria

Ah, desses
Nem eu sei

Só sei
Que a mim permito

Sempre

Tanto ir
Como não ir


Maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010


Selado
(um dueto verso a verso)


Selado... o encontro

Teu Corpo... em meu corpo
Montado.

Num atalho... suspiros
Pensamentos ... desgovernados
Numa curva... gemidos
Destinos... entrelaçados

Um encontro esperado
Para fazer do teu amor... meu desatino.
O meu... destino.

Amanhecer... em volta de ti
Num cio de lobas.
Promessa de um amor... sem pudor

Mansamente... descobrir-te
Aconchegar-me no teu colo... aberta e nua.

Na cova
Aquece-me... provoca-me
Nos teus beijos... me entrego
Nossos corpos... se descobrem
A rolarem inebriados... embriagados

Uivos ao luar... até o amanhecer.


Maio de 2010
Esse texto nasceu de outro poema, escrito por El Brujo.
Cada verso é iniciado por El Brujo e terminado por mim.

Confira abaixo o poema original na escrivaninha do poeta:
http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/2258258

Descobre-me


Deitei-me em palavra
Desnuda
Em página branca
E esperei que me lesse

Vagarosamente teu olhar
Percorre
Explora

Como dedos quentes
Entre linhas
Fendas

Sobre os versos
Sussurras

Sob os versos
Suspiro

Deitei-me em palavra
Aberta e exposta
Sob teu olhar poeta

Delicadamente
Sem palavras
Respiração entrecortada

Descobre-me!

Maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010


Disrítmica


E quando teu texto insinua
Instiga
Provoca

Assisto tua palavra
Adivinhar meus caminhos

Observo teus versos
Como dedos
Procurando fendas

E quando teu texto me mostra
Permito a palavra

Te digo

Que entre em texto
Que saia em voz

Saboreio as possibilidades
Nos seus versos

Encontro o tom
Encaixo a respiração

Disrítmica.

Me rouba o fôlego, poeta!

Maio de 2010
Amém, querida. Amém.

A propósito, acabei de perceber que a palavra amém, sem acento, vira "amem"... será que precisamos tirar os acentos para que o amor "assim seja"?



Devaneios pela Palavra – Maio de 2010
O texto surgiu em comentário a um lindo poema que li no Recanto das Letras. É uma prece. Quem quiser conferir, segue o link:
http://recantodasletras.uol.com.br/oracoes/2258244
Obrigada, Angel, pela inspiração.

domingo, 16 de maio de 2010


Teu verso provoca
Seduz entre linhas

Sussurra vontades
Em páginas brancas

Deslizo os olhos por estrofes
Saboreio metáforas

E vagarosamente
O poema me percorre

Invade pensamento
Ecoa nos sentidos
Transborda em voz

E aqui
Te lendo
E relendo
Minha palavra escorre

Maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010



O que é que você quis dizer com isso?

Dia desses, eu estava conversando com um novo amigo sobre a forma tão diferente de homens e mulheres verem as coisas.

É verdade, somos muito diferentes, mesmo. E, com certeza, poderíamos elencar uns 1.500 assuntos dentro desse tema.

Mas, hoje, resolvi falar apenas de um deles: a forma de se comunicar.

O que acontece é que a mulher insinua, mostra, muitas vezes, ao invés de dizer.

E temos alguma dificuldade de entender que os homens, em geral, querem dizer exatamente aquilo que eles estão dizendo.

Se uma mulher diz para um homem que não pode sair hoje porque precisa ir ao supermercado urgentemente, que não tem absolutamente nada em casa e não sobrevive a mais um dia sem fazer compras, acredite, ela está dizendo que não quer sair com ele. Ou pelo menos que não quer sair com ele hoje. Por que? Ah, pode ser por um montão de coisas. Falta de interesse no rapaz? Talvez. Mas pode ser também muito trabalho, menstruação, TPM, unha sem fazer... Não tente adivinhar, é praticamente impossível. Alguma chance da despensa estar realmente vazia? Claro que sim. Mas nenhuma mulher viva sobre a face da terra já deixou de ir a um encontro com alguém que esteja interessada exclusivamente porque o sabão em pó acabou.

Agora, se um homem diz que não quer conversar porque está vendo o jogo, pode escrever aí, ele está vendo o jogo mesmo. E tem total incapacidade de assistir ao jogo e conversar ao mesmo tempo. Ele não está dizendo absolutamente nada além disso.

O que complica as relações é que um fica tentando adivinhar o que é que o outro está querendo dizer, por trás do que foi realmente dito.

Então, os homens ficam tentando adivinhar o que a gente quer dizer com aquilo e acabam se irritando conosco por conta disso. Relaxem, rapazes! Não vai adiantar tentar adivinhar. E, pelo amor de Deus, não cometa a loucura e a indelicadeza de perguntar! Como é que eu conto que estou com a unha do pé enorme ou que não passo na depiladora há um mês?!

E as mulheres ficam tentando entender o que ele quer dizer com aquilo e acabam se magoando desnecessariamente. Relaxem, meninas, ele quis dizer exatamente o que disse.

Então, como fazemos?

Bem, eu recomendaria aos meninos refazer o convite em um ou dois dias. Rapaz, se ela estiver interessada em você, já resolveu absolutamente tudo e vai aceitar de imediato. Se não aceitar, parta para outra.

E às meninas? Deixe isso para amanhã, querida. E, por favor, dá um desconto, você não é menos importante que o jogo. Apenas vai estar ali no dia seguinte e o jogo acaba daqui há 90 minutos. Ah, e não invente de conversar depois do jogo. Se o time dele perder, estará de mau humor. Se o time dele ganhar, vai querer ir comemorar com os amigos. Amanhã vocês conversam, caramba. O que é tão urgente que não possa esperar até amanhã? Ah, e se ele não quiser conversar amanhã? Bem, você pode perguntar (com suavidade, pelo amor de Deus) por que ele não quer conversar com você. Pode anotar aí, o que ele responder é exatamente o que ele está dizendo, tá?

Bem, não estou aqui para dar a chave do entendimento entre homens e mulheres, mas acho que em todas as relações, inclusive entre homens e mulheres, um pouco de leveza e aceitação do outro sempre ajuda!

Maio de 2010

Aventuras de uma Carioca (re)descobrindo o Rio.

Hoje aventurei-me em tarde turística pelo Centro do Rio com minhas amigas de Pelotas, Viviane e Lizie, que estão na cidade a passeio.

Você há de me perguntar: “Mas você não mora no Rio?”.

Sim, moro. Mas nunca havia passeado pela Avenida Rio Branco com olhos de turista. Nunca tinha observado, sem preocupação com hora ou assalto, a arquitetura esmerada dos prédios antigos, as ruas arborizadas da Cinelândia, os detalhes do piso em cerâmica feita à mão no hall do Museu de Belas Artes, o dourado da fachada do Teatro Municipal.

Então, nos vestimos de roupas confortáveis e olhares encantados e saímos as três pela deliciosa orla do Rio de Janeiro, assistindo o mar beijar o horizonte até chegarmos ao Centro, para uma expedição em busca de arte, beleza e história.
Bem, conto para vocês, houve, sim, arte e beleza. Mas o que descobri, nesta tarde, na verdade, é que o Rio de Janeiro preserva mais que beleza naqueles prédios. Preserva também gentileza.

Surpreendente ver os guardas uniformizados, na Assembléia Legislativa, abrirem sorrisos hospitaleiros e ciceronear três moças perguntadeiras por corredores cheios de história, aguardando, pacientemente, que fotografássemos os imensos salões onde impressionantes moveis antigos eram banhados pela luz do dia que invadia através dos enormes vitrais do teto.

Inesperada a atenção dos guardas do Museu de Belas Artes que não apenas nos indicaram as galerias cheias de belas esculturas e quadros, mas ainda se ofereceram para fotografar o grupo e esclareceram, pacientemente onde era permitido ou não fotografar as obras.

Emocionante o olhar preocupado e solicito do rapaz que nos advertiu sobre o uso da máquina fotográfica nas ruas movimentadas do Centro e também o pedido das vendedoras de bala para que tirássemos fotos com elas.

Encantador ver a atenção delicada dos funcionários da Biblioteca Nacional enquanto nos cediam sorrisos e histórias e nos guiavam entre lembranças e novidades, por entre salas já conhecidas minhas, em incontáveis tardes na época da faculdade, até setores abertos apenas à visitação guiada, como as galerias com armários de aço e chão de vidro e as salas de restauração de livros raros.

A tarde terminou com olhos cansados e sorrisos satisfeitos entre os doces da Confeitaria Colombo, onde o sabor é apenas parte do prazer. Deixamos a decoração e o som do piano nos transportar ao início do século passado e, entre doces e biscoitos, nos deixamos ficar ali, conversando e descansando das horas percorridas por corredores ancestrais, enquanto atenciosos garçons mantinham nossas xícaras de café sempre cheias.

Foi uma tarde mais que divertida e interessante. Nesta tarde, uma carioca descobriu mais que o Rio. Redescobriu os cariocas.

Maio de 2010