Plena
Com você eu sou inteira
toda face descoberta
toda palavra permitida
cada lado exposto
cada esquina desbravada
amante da fantasia
parceiro do dia a dia
cúmplice do que eu não pude
aliado do que eu quero
Meu homem
e meu amor.
(Flávia Côrtes - Maio de 2014)
Arquivo do blog
- ► 2010 (163)
domingo, 25 de maio de 2014
A vida é ao vivo.
Não há ensaio.
Tiraram a rede de proteção.
Convém treinar
equilíbrio nos passos.
Vale manter
abertos os olhos.
Mas que adianta cautela
quando viver
é a possibilidade?
A certa altura
a gente aprende a cair
sem se estilhaçar.
Vantagem de quem se arrisca.
Não vai doer menos.
Mas facilita na hora de levantar.
E agora estamos
os dois aqui
no meio do azul
respiração entrecortada
olhos nos olhos
a vinte metros do chão
suspensos e inteiros ainda
e sem qualquer proteção.
Firmamos as mãos.
Fixamos os olhos.
Conectados soltamos
corpo, coração e pensamento.
E voamos.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
De repente
todos os versos
de amor
são nossos.
Todas as canções
fazem sentido
Qualquer ciranda
fala da gente
Que tormento isso.
Dói a espera.
A saudade é tanta
que sai de mim
e fica flutuando em volta
quase palpável.
Eu vou colher no ar
com as mãos
uns flocos de saudade
e guardar no travesseiro
para tentar dormir.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Quando a noite virou manhã
trouxe junto uma paixão
inesperada
e improvável.
Tinha tudo para dar errado.
E a única coisa necessária
para que desse certo.
Bem mais
que um bem querer.
Uma fome invadindo o peito.
Muito mais
que uma vontade.
Um desatino roubando o sono.
Coração desarvorado
em mais de um sentido.
E eu agora
te levo nos olhos.
E eu agora
te levo por dentro.
É que
a loucura
despiu o improvável
para vestir o sonho.
(Flávia Côrtes - Maio de 2014)
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Certeza
Eu te sabia muito.
Desde a noite
em que me olhou
por dentro.
Um homem
que me conhece o cheiro
e me adivinha os olhos
não seria menos.
Mas
e esse tanto?
e esse sempre?
Como é
que eu te acompanho
uns passos
e você me leva assim
inteira?
Como é
que eu te abro
o corpo
e você se instala assim
nos poros?
E eu
que anoiteci pergunta
amanheço
sem precisar resposta.
(Flávia Côrtes - maio de 2014)
sábado, 26 de abril de 2014
Procura a Areal
A estrada
era estreita e sinuosa.
Um caminho verde
no meio do nada.
Um quilômetro
e a vista navegava
sobre um mar de eucaliptos
ondulados ao vento.
Outro quilômetro
e uma moça caminhava
rumo a algum lugar
que não se via.
A cada duas ou três curvas,
uma casa no alto de um morro,
um pasto,
um rio
e verde,
verde,
verde...
Eu quase achei
que era lenda
a tal cidade.
Uma Atlântida
submersa no verde.
Avalon
esperando neblina.
Shangri-la
oculta nos montes.
Mas a placa
indicando chegada
interrompeu
o poema.
Que pena.
(Flávia Côrtes - Abril de 2014)
A estrada
era estreita e sinuosa.
Um caminho verde
no meio do nada.
Um quilômetro
e a vista navegava
sobre um mar de eucaliptos
ondulados ao vento.
Outro quilômetro
e uma moça caminhava
rumo a algum lugar
que não se via.
A cada duas ou três curvas,
uma casa no alto de um morro,
um pasto,
um rio
e verde,
verde,
verde...
Eu quase achei
que era lenda
a tal cidade.
Uma Atlântida
submersa no verde.
Avalon
esperando neblina.
Shangri-la
oculta nos montes.
Mas a placa
indicando chegada
interrompeu
o poema.
Que pena.
(Flávia Côrtes - Abril de 2014)
sábado, 19 de abril de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
História de uma Folha-flor
As flores, ao longe,
pareciam folhas claras
e quase secas.
Contavam um pouco
do outono que chega
e clareia o verde
até fazê-lo rosa.
Olhando bem de perto, porém,
a textura delicada
das pétalas rosa-chá
diziam a graça daquela
que, se ao longe parecia folha,
de perto era tão flor
que dispensava nome
para florir pensamento.
Eu achei
que já sabia tudo
da Flor.
Mas uma volta completa
em volta dela
e ali estava ela:
inteiramente nova,
completamente diferente.
As coisas são assim.
A gente acha que já viu tudo
até olhar de novo
e a cada luz
e a cada ângulo
descobrir algo novo.
Com uma volta completa
e algum vagar
sabe-se muito
das coisas.
E das pessoas.
(Flávia Côrtes - abril de 2014)
As flores, ao longe,
pareciam folhas claras
e quase secas.
Contavam um pouco
do outono que chega
e clareia o verde
até fazê-lo rosa.
Olhando bem de perto, porém,
a textura delicada
das pétalas rosa-chá
diziam a graça daquela
que, se ao longe parecia folha,
de perto era tão flor
que dispensava nome
para florir pensamento.
Eu achei
que já sabia tudo
da Flor.
Mas uma volta completa
em volta dela
e ali estava ela:
inteiramente nova,
completamente diferente.
As coisas são assim.
A gente acha que já viu tudo
até olhar de novo
e a cada luz
e a cada ângulo
descobrir algo novo.
Com uma volta completa
e algum vagar
sabe-se muito
das coisas.
E das pessoas.
(Flávia Côrtes - abril de 2014)
domingo, 6 de abril de 2014
Todo mundo quer ser feliz.
No fim do livro,
um beijo de novela.
Na cena final,
"felizes para sempre",
esta quase sentença.
"Ninguém é feliz todo dia",
dizem aqueles
que esqueceram
a alegria.
Eu perdi
o caminho ou o rumo
atrás da borboleta.
E saltando poças d'água
eu fui feliz.
Atrasei-me
vendo nuvens.
E assistindo passarinho,
eu tive paz.
Não sei se com isso,
um dia,
faltará algo
no verso final.
Mas preocupam-me pouco
aquelas três
douradas e desenhadas letras
do "FIM".
É que eu estou ainda ocupada
e um pouco encantada demais
para redigir epitáfios.
Por hora,
as manhãs me contam versos
num sorriso-sopro todo dia.
Larga a lupa.
Experimenta o lápis.
Não dá para ser
leitor da própria vida.
É seu filme, Protagonista.
Preenche você a frase:
"era uma vez..."
(Flávia Côrtes)
No fim do livro,
um beijo de novela.
Na cena final,
"felizes para sempre",
esta quase sentença.
"Ninguém é feliz todo dia",
dizem aqueles
que esqueceram
a alegria.
Eu perdi
o caminho ou o rumo
atrás da borboleta.
E saltando poças d'água
eu fui feliz.
Atrasei-me
vendo nuvens.
E assistindo passarinho,
eu tive paz.
Não sei se com isso,
um dia,
faltará algo
no verso final.
Mas preocupam-me pouco
aquelas três
douradas e desenhadas letras
do "FIM".
É que eu estou ainda ocupada
e um pouco encantada demais
para redigir epitáfios.
Por hora,
as manhãs me contam versos
num sorriso-sopro todo dia.
Larga a lupa.
Experimenta o lápis.
Não dá para ser
leitor da própria vida.
É seu filme, Protagonista.
Preenche você a frase:
"era uma vez..."
(Flávia Côrtes)
quinta-feira, 20 de março de 2014
O olhar se perde em labirinto.
No mosaico preto e branco,
colombinas jogam damas.
Alice troca chá por café.
Um quadrado
com vocação para triângulo
sempre pode
inventar-se losango.
O mundo muda de ângulo
por perspectiva
ou vertigem.
Se isso ocorre
por vontade de quem olha
ou por vocação da coisa olhada,
quem há de saber?
Flávia Côrtes - Março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
Outono Rosa
Eu vi um Outono Rosa
se desenhando bem ali.
É março
e as árvores despejam
flores sobre o chão
como um tapete púrpura
a aguardar o Outono
que já vem vindo.
Dentro de algumas semanas,
galhos secos se erguerão
altivos contra o céu
aguardando novos brotos
e desafiando
a quem quer que diga
que não há beleza
onde não há
enfeites.
Que venha o Outono, então.
Flávia Côrtes - Março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
Em festival
de domingos sucessivos
desfilavam os dias.
Um, dois... feijão com arroz.
Bobagens, risos e saudades.
Que domingo
é domingo mesmo
sem amigos?
Três, quatro... feijão no prato.
Música e folia.
No bloco, mamãe e eu.
Que domingo
é domingo mesmo
sem família?
Cinco, seis... prosa e verso.
Manhãs lentas descobrem poemas.
Tardes aceleradas encontram prosas.
Que domingo
é domingo mesmo
sem poesia?
Sete e oito... invenções.
A bailarina samba no pé.
O baterista gosta de jazz.
Toda criança sabe dançar.
Um cata-vento é mais que um poema.
Cantigas de roda giram para sempre.
Que domingo
é domingo mesmo
sem descoberta?
Nove e dez.
E o poema não acaba.
Mais que um doce pelo seu pensamento.
Um beijo e um queijo.
Não me leve a mal, vai.
Hoje é Carnaval.
(Flávia Côrtes - Março de 2014)
domingo, 2 de março de 2014
Portal
Era um domingo comum.
O tanto quanto domingos
podem ser comuns pelo menos.
Na cama desarrumada, flocos de lençóis
emaranhados e brancos contavam preguiças.
A manhã seguia lenta
e o dia desenhava tardes
entre amigos e risos.
Na espera da tarde,
fotos antigas
de um tempo tão vivo.
Nas fotos, mais que imagens.
Momentos.
Por um instante, o amor desfez o tempo.
Portal.
E era um domingo quase comum.
(Flávia Côrtes - Março de 2014)
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Ele tinhas asas
e eu, às vezes, virava nuvem.
Eu dormia sono solto
quando ele me escrevia.
Eu telefonava
quando ele não estava.
Ele voava alto
e eu ainda era terra.
Eu virava nuvem
e ele já estava chão.
Mas os dois,
de formas diferentes,
saltavam no azul.
Ele de corpo inteiro e asas.
Eu de alma alada e pensamento solto.
Talvez por isso
nos reconhecêssemos.
Talvez por isso
seguíssemos serenos
no tempo
enquanto nossos ponteiros
se alinhavam.
Levávamos a tranqüilidade
dos que já se sabem.
O tempo nunca é só um " quando'
quando já se sabe um "ainda".
E o tempo já era tão nosso.
(Flávia Côrtes - fevereiro de 2014)
Assinar:
Postagens (Atom)

