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domingo, 11 de março de 2012


Via Expressa

Intimidade é um caminho tão sem volta.

Mas também
quem é que disse
que eu quero fazer
o caminho de volta?

Março de 2012
Devaneios pela Palavra

quinta-feira, 1 de março de 2012


Entomologia

Gafanhotos
São seres que te consomem
E seguem
Adiante

Março de 2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012




Contramão

Manhãs são breves e ternas.
Têm algo de Infância,
um cheiro de Novo,
um quê de possibilidades.

Tardes acontecem.
Correm ou se arrastam,
mas acontecem.

Se eu pudesse escolher,
todas as tardes
corridas ou escorridas,
terminariam em varandas.

Fins de tardes merecem Varandas.

Em Varandas,
o dia desfila mais lento
dá uma paradinha,
troca de perna,
olha por cima do ombro.

Só para a gente reparar num detalhe
antes dele sair
e deixar a noite entrar.

Em fins de tardes, gritam detalhes.

Por que será que as gaivotas
voam todas para a direita?

Eu bem queria ver,
neste céu de fim de tarde,
uma gaivota
voando na contramão.

(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)

www.poetaflaviacortes.com.br




Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

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Reflexão Dominical

Se o Domingo faz parte
do fim de semana,
como pode ser também
o primeiro dia
da próxima semana?

Um dia que é início
e também é final

Portal do tempo
para a gente fazer
o que quiser.
Ou o que puder.

Hiato da magia
entre o antes e o depois

Para escolhas
de tudos
Ou de nadas

Brincadeiras
de vazios
ou recheios

Um dia com vocação
de preposição
se realiza de fato
quando junta
os elementos
Pessoas
Ações

E a cada um de nós
que, afinal, é sujeito
de sua própria oração
cabe a escolha

Se prefere um Hoje
Que esteja mais para "antes" ou "até"
que pulse "com" ou "contra"
que vibre "para" ou "porém"

Escolhe você, então, Sujeito,
E faz do seu Domingo
Início
ou
Final.

Fevereiro de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dízima Periódica

O tempo diz que tem um mês
O tempo não sabe
Que a saudade multiplica
Os dias
À eternidade

De que me vale o calendário
Quando a saudade
Repete infinitas vezes
A tua falta

Quanto tempo?
Que importa

Para sempre
é tempo demais.

Fevereiro de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Poema Arco-íris

O dia não decidiu
ainda
se vai ser nublado
ou claro

Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do céu
tomado de nuvens
que o sol
ainda assim
clareia

Tem uma réstia
azul-esperança
no canto do olho
tomado de chuva
que a poesia
ainda assim
clareia

O dia não decidiu
ainda
se vai ser
nublado
ou claro

O dia nem sabe
ainda
o que a poesia
sempre soube

O olho nem sabe
ainda
o que o sol
sempre soube

E o sol
derrama
pelo canto do olho
molhado
da poeta

Um poema arco-íris

Fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012



Colo Dourado

O sol tinge de um dourado poente
a beirada esquerda da tarde.

Uma imensa nuvem cor de rosa
decora o miolo do céu.

Flocos de um branco prateado
se espalham sobre a montanha.

Na varanda,
uma mãe,
um colo
e uma poeta.

As mãos da mãe fazem cachos
nos cabelos de uma filha
já adulta.

As mãos da poeta tecem versos
de um poema
ainda criança

E foi assim que
céu,
sol,
mãe,
mãos,
poeta,
e versos
se uniram em poema

No colo materno,
viveram Poesia.


(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Viver Plenamente


Este é para responder à pergunta de uma amiga: ‎
'Qual é a diferença entre estar vivo e viver plenamente?'

Para explicar, peço ajuda às palavras.

"Estar" é um estado.
"Estar" é um dos poucos verbos que não demandam ação.
Então, em "estar vivo" o foco é todo no "estado" e não na vida!

"Viver" é verbo que inclui mobilidade.
"Viver" não é estado.
"Viver "é ato.

Para exercer o verbo "viver", não basta "estar", precisa fazer.
Precisa conjugar a si mesmo em tantos atos...

E "viver plenamente"?
Ah, aí a gente fez o ato de "viver" vir acompanhado de um "modo".
Um "modo" é um jeito.
"Plenamente" é um jeito "muito" de fazer as coisas.
"Plenamente" pressupõe "intensidade".

É isso.
"Estar vivo" está para "viver plenamente"
assim como o "ar" está para a "ventania" .

Tem pessoas a quem bastar respirar
e algumas
nasceram para voar.

Fevereiro de 2012
Para Márcia Drummond, minha amiga passarinha.
Obrigada pela inspiração
.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Pretéritos Presentes

Nem um mês
e parece um ano.

E o passado é tão presente
que estranho o pretérito.

E dói.

"Meu pai diz..."
E eu me corrijo
"Meu pai dizia..."

Como conjugar em outro tempo
alguém tão presente?

Atônita
Corrijo os tempos
de todos os nossos verbos

Apenas um mantenho
Intacto.

Eu amo.

Fevereiro de 2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


Álbum de Família

Estivemos juntos
durante um tempo
que nenhum relógio
ousa registrar.

Não contamos os dias.
Não contamos as noites.
Não contamos as horas.

Como contar
tudo o que foi vivido,
tudo o que foi sentido,
tudo o que foi feito?

Como contar
o ombro alinhado ao ombro,
o riso compartilhado,
as conquistas,
as batalhas,
as vitórias?

Criamos
e nos recriamos.

Inventamos
e nos reinventamos.

Em busca do sonho
ignoramos limites,
descartamos fronteiras,
desfizemos o impossível.

E porque,
na retina de cada um,
brilha o mesmo brilho,

E porque,
na vontade de cada um,
pulsa o mesmo motivo.

O que era um Grupo,
um dia,
se fez Família.


(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2012)
www.poetaflaviacortes.com.br


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



A natureza da oração
O que caracteriza a oração é o verbo.
Não fui eu quem disse,
mas fui eu quem aprendi:
Toda palavra guarda dentro de si
uma prece.
Amém.
Flávia Côrtes - Janeiro de 2012
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Era uma vez, em um reino muito distante...

Ela morava em uma terra de encanto
Um reino rodeado por uma montanha mágica
Onde o céu se coloria de lilás nos fins de tarde
E as madrugadas espelhavam os seus humores
Era uma terra distante
E era onde ela
Vivia feliz

Ele construía sonhos em uma terra antiga
Três portais de luz depois de Narla
Onde o céu se coloria de lilás nos fins de tarde
E as madrugadas ecoavam silêncios
Era uma terra distante
E era onde ele
Vivia em paz

Nenhum dos dois Viajantes de Luz
Nenhum dos dois Passageiros do Vento
E, ainda assim,
alados
em noites
insones

Por que Longe
Só é um lugar
Se você não quer ir.

Fevereiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Esboço de um Poema para um Pai

Eu nunca consegui escrever um poema para o meu pai. Escrevi alguns contos e prosas inspirados em episódios que me marcaram no convívio com ele, é verdade.
Mas um poema... ?
Desses que transbordam a alma?
Não consegui ainda.

Acontece que o sentimento que eu tenho pelo meu pai é tão vasto, tão amplo, tão diversificado... que eu nunca consegui esparramar em papel uma face apenas disso tudo.

Pareceria pobre.
Seria pouco.

Como falar do espelho sem falar do riso?
Como falar do riso sem falar do chão?
Como falar do chão sem falar da escola?
Como falar da escola sem falar do ombro?
Como falar do ombro sem falar do amigo?
Como falar do amigo sem falar do Pai?

E agora?
Como falar do Pai,
sem falar da Falta?

E como não falar?

Dia desses, Papai, eu ainda consigo
te escrever um poema
que mostre um tantinho
de toda a prosa que tivemos
de toda a poesia que vivemos
nos contos da nossa história
nas crônicas das nossas vidas

Um dia desses, Papai,
ainda te escrevo um poema
que me transborde da alma
um tantinho do tanto
que eu te amo.

O de hoje
É só esboço.

Janeiro de 2012
Luto

Era uma dor
Com nome de guerra

Um pranto seco
Um grito oco
Ecoando em volta
E por dentro

Era uma dor
Repetida
E irritante
Surpreendente
E agonizante

Grito de cigarra
Incorporado à tarde quente

Era uma dor
Com nome de guerra
Perdida

Desnorteada
Entôo o grito

E explodo

Permito-me chorar
Por quem merece
O meu pranto

Janeiro de 2012
Em Memória de Aderbal Xavier
Pai amado, Avô amoroso, Marido apaixonado e Amigo Leal

domingo, 22 de janeiro de 2012


Terra do Nunca

Um sol girando no céu
Fazendo verão
E verão

Em Terra Encantada
Versos escritos
Junto aos só sonhados

Amigos idos
Os livros lidos
E os não lidos

Crianças não mais vistas
Sorrisos e risadas cristalizadas

E a poeta
Persona e Personagem
Gira o Sol
E sorri

Um sol girando no céu
Fazendo verão
E verão

Memórias da Terra do Nunca
Lembranças do Mundo do Sempre

Sobrepostas no Agora

Janeiro de 2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012


Menino Tempo
Descobriu-se cansado
de ser sábio
ou velho

E, dono que era de todas as horas,
fez-se menino.

E, sendo menino,
brincava
com as possibilidades.

Assim como quem constrói castelos de areia.
Meio como quem descobre desenhos em nuvens.

E, mesmo menino,
sabia
das possibilidades.

Assim como quem sabe da onda na areia
Meio como quem conhece o vento na nuvem

E, por ser menino ,
gostava

da beleza invisível do vento,
da textura macia da onda.

E, por ser menino,
sabia.

Fazia do Ainda
a aurora do Quando.

Janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Tempo do Ainda

Era uma vez um tempo
Que não era bem um tempo
Era mais um Antes
Já bem mais que um Quase
Meio caminho de um Quando

Era uma vez um tempo
Que se sabia Ainda.

E por se saber
crescia
feliz

Janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012


Sentimental


Acordei hoje pensando em meus irmãos
os de sangue
e os da vida.

E ainda naqueles que estão,
dia a dia,
sorriso a sorriso,
soluço a soluço,
ombro a ombro,
poema e poema,
chegando à minha vida
e ficando

Minha ternura hoje é toda para vocês

A cada um de vocês que é
A cada um de vocês que está se tornando
Àqueles que eu nem sabia que vinham para ficar

Envio o meu abraço mais fraterno
E meu mais sincero pensamento
de Feliz Ano Novo

Janeiro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011


Elefantes Flamejantes


Eu vou decorar um coreto
Chamar uma banda de música
Um bloco de carnaval

Só para te contar
O que te parece novidade

Eu vou colocar faixas na sua rua
Desenhar na sua calçada
Grudar bilhetes na sua janela

Só para te mostrar
O que te parece inédito

Eu vou escrever poemas
Compor canções
Publicar um livro

Só para te dizer
O que te parece extraordinário

E quem sabe
Eu até te mostro
Os meus amigos

Só para você saber
O que é o meu normal

O que é ter cuidado
O que é ser leal

E vou ficar assistindo
A surpresa do seu olhar
No insight

Manada de elefantes em chamas.

Dezembro de 2011.
O mesmo verso.

Era um verso já tão conhecido
Tantas vezes entoado
Tantas vezes decifrado

Era um verso já decorado
Era um verso já sabido

Cada rima já cantada
Cada estrofe declamada

A mesma música
Em tantas canções

O mesmo homem
Em tantos homens

Déjà vu

E a poeta
só
reescreve.

Dezembro de 2011