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quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Quanto ao amor... ah, o amor... se a gente não se preocupa com o tamanho, a duração, a perenidade, a finalidade, o destino... e vive só o desatino, o instante, o átimo, o suspiro, o arrepio, a poesia, o riso, o cheiro, o gosto, o vôo... é menos amor por conta disso?

Devaneio pela Palavra
Setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Entrelinhas

na página revelada
verso e reflexo

no verso espelhado
um olhar no pensamento

sorrio sob o teu verso
respira sob a minha palavra

desembaraçados
em nossas linhas

ressoamos
em rimas internas

ecos de um
em poema do outro

Setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Poema para Roberta

Ah, minha amiga
que prazer te ver
fazer o que maisgosta

Dá gosto!

Nem sei se gosto mais
Das idéias deliciosas
Dos aromas de dar suspiro
Dos sabores que águam a boca

Ou de te ver
abrir esse seu sorriso
E brilhar esse teu olho
Quando inventa
Concebe
Escolhe
Cria
Cozinha
Decora
Serve
E
Simplesmente
Encanta!

Homenagem à minha amiga Roberta que cozinha divinamente.
Roberta é uma daquelas amigas que cuidam, dão foco, te amam e te aceitam.
http://fonsecadiners.blogspot.com/

Esboço de mulher despertando

Deitada meio de lado... pernas entrelaçadas em travesseiros escapam para fora do edredom que, nesta manhã, cobrem apenas coxas e ventre... O seio esquerdo ainda dorme, aninhado num travesseiro... o direito se mostra para a manhã em arrepio... e foi o bico rosado suspenso no ar que acordou a poeta... pensamento solto... mas não em versos!

Agosto de 2010
Desplanejando

Tão bom isso que está acontecendo
Estar com você
Conversar com você
Transar com você
Rir com você
Ficar abraçada com você
Fazer amor com você

Bom demais isso tudo

Esse deixar acontecer
Esse não combinar
Esse não planejar

Tá tão gostoso assim

Eu já resolvo tanta coisa na vida
Não quero resolver a gente
Não quero que a gente siga por resolução

Prefiro que a gente siga por sentir
sentir vontade
sentir saudade

Quero que a gente siga por querer
querer estar junto
querer o outro
querer beijo
querer dizer
querer estar

Não por resolver...

Parece estranho?
Não sei se é estranho
Só sei que te quero

Setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema para um Amor-Borboleta

Efêmero
Belo
Livre
Encantador

Não se prende um amor assim
Não se planeja um amor assim
Não se evita um amor assim

E eu, que sempre fui fascinada por borboletas,
abri as minhas janelas
e me deixei invadir
em panapaná amarelo
de paixão

Setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010


Sobre Cubos de Gelo e Borboletas

Sinceridade mesmo?
Hoje eu acordei
precisando
de verdade
de você
entre as minhas pernas

Sim, sim...
Claro que eu queria
O abraço
O cheiro
O gosto
O beijo
O riso
A poesia

Mas, querido, acredite
tem dias
que uma mulher
também precisa
simplesmente
de um orgasmo múltiplo
com o seu homem

Mas fica tranqüilo
Está tudo bem
Uma tarde de sono
Um bolo de chocolate
Meia hora dando risada com um amigo no telefone
E está tudo bem

Então, eu te conto
Ainda não tem
cubos de gelo
dando voltas
dentro do estômago

Mas tampouco borboletas

E, sabe, sinto falta das borboletas.

Setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


Laboratório de Mim Mesma


Por que me pergunta
o que sou
e como sou?

Acha mesmo
que sei?

Está bem
Claro que sei

Sei do ontem
Das quimeras
e das feras

Sei das batalhas
das muralhas
e das quedas

Sei dos vôos
dos risos
e dos amigos

Eu sei das flores
E sei dos amores

E eu sei do hoje

Do que gosto
E não gosto
Do que quero
E não quero

Eu sei céu
Sei poema
Sei lua
E sei teu beijo

Mas, olha
Não me decora

Não se fie
no que sou hoje
para aprender
de mim

Porque eu
faço laboratório
de mim mesma

me experimento
me provo
me testo
me descubro

E reinvento!

Setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Flagra


Não escrevo
para que saibam

Se fato
misturado
em verso

Se verso
adivinhado
em vontade

se conto
e quando conto
não conto

escondo
disfarço

entre palavras
entre linhas
transito nua

metáforas
em nevoeiro

mas, sabe,
já quase
acostumada
a te encontrar assim
me olhando

meio como quem chega sem ser ouvido
me encontra saída do banho
ainda secando o cabelo
com a toalha

e eu
finjo
que não te vejo

mas o corpo
confessa
em respiração e arrepio

e você
finge
que não sabe

mas sabe

que gosto
quando
me lê

Setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


O Silêncio tem eco
E o que ecoa

Silencia

(Devaneio pela Palavra - Agosto de 2010)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Leão ou Leãozinho?


E ele se fez fera
em selva
de pedra

Para não ser caça
caçador

Para não ser presa
predador

e foi assim
felino
que me prendeu os olhos

Será que percebe,
leãozinho,
que
do meu jeito
também eu
sou felina?

Agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Sobre borboletas e janelas


E a poeta entregou o lápis ao artista
E deixou que ele desenhasse o dia
E ele coloriu a tarde com riso e ritmo

Então, o artista deu a mão à poeta
E caminhou com ela pelo centro de sua história

Esboçou na noite os ecos que desenharam o homem
Mostrou a ela as suas sombras
Contou a ela de suas janelas

Então, a poeta deu a mão ao artista
E disse a ele mais do que versos

Sussurrou na noite os ecos que compuseram a mulher
Mostrou a ele as suas sombras
Contou a ele de suas batalhas

E o artista levou a poeta por um via de luz
Para dentro de sua vida

E desenhou borboletas dentro dela

Agosto de 2010

Perspectiva


E os mesmos olhos que me olham por dentro, de vez em quando, me perdem de foco.

Agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010


Eu não sonhei com você hoje


Eu não sonhei com você hoje...

Tua voz ecoou em mim
até o sono vencer
e me adormecer
o sorriso

Tua lembrança
me encheu
o pensamento
antes mesmo dos olhos
encontrarem o dia

Me conta, vai...

Se, ontem, a falta da tua voz
me fez pensar em você
dia inteiro...

O que vai ser do hoje
onde a vontade
do teu abraço
e do teu beijo
foi me buscar no sono?

E olha que eu nem sonhei com você hoje...

Agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vestida de Edredom

Manhãs de inverno
encasulam
pele quente
em edredom

penumbra
vela e revela

no sono
movimento
cobre e descobre

pele quente
em edredom
ar frio
em arrepio

Percorre pelo e pele
me desperta os seios

e te abraço
assim

em sorriso
e vontade

Manhãs de inverno
encasulam

Agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Somos em Lá


Lá onde o encanto é maior
Ele olhava a mulher, quando viu a poesia.
Naquela noite, ela só viu o poeta.

Lá onde o medo é menor
Ele mostrou os olhos.
Naquela noite, ela viu o homem.

E os dois não estranharam o inesperado.
E em nota única, se fizeram saudosos.

Saudosos do abraço ainda não dado
Saudosos do toque ainda não sentido
Saudosos do cheiro ainda não conhecido
Saudosos do gosto ainda não provado

Saudosos do ainda
Saudosos do nunca
Saudosos do sempre

E eles se reencontraram

E, naquela noite, um viu no outro
Apenas o que o outro era
E tudo o que era o outro

Despidos do estar
Vestidos do ser
Inesperado querer

Lá onde o medo é menor
Lá onde o encanto é maior

Agosto de 2010

Encantados


Antes de apaixonar, há o encantar.
Tão melhor se encantar do que se apaixonar...

Encantada, a respiração dela acelera sob o olhar dele.
Encantado, o pensamento dele busca a imagem dela pelo dia.
Encantados, se seduzem
Encantados, se conquistam

O encanto paralisa o tempo
faz escorrer os minutos
enquanto um olha
hipnotizado
a respiração do outro

O caso é que basta apaixonar para complicar tudo.
É só apaixonar e as pessoas querem resolver o que fazer com aquele sentimento.

Encantados, eles sentem.
Apaixonados, planejam.

É o princípio do fim.

Agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010


A Noite Provoca

A noite pisca pra mim com a pálpebra dourada da lua. Provoca sorriso a piscadela em ouro velho da noite. Provoca, vai, noite.... Mas, depois, não vai dizer que fui eu que comecei...

(agosto de 2010)

terça-feira, 10 de agosto de 2010


E você, vai fazer o que daqui a 5 anos?

No mês passado, eu almocei com duas amigas numa tarde de domingo - sim, porque aos domingos, são autorizados almoços em fins de tarde.

A conversa seguia descompromissada e divertida. Assuntos leves. Bobagens entre risadas, como cabe a uma tarde de domingo.

De alguma forma, o assunto foi parar na forma como eu me vejo daqui a 5 anos.

A pergunta que combinava muito mais com um processo seletivo do que com um almoço entre amigas motivou uma gargalhada seguida por um divertido “Por quê?”

Pronto. Foi o suficiente para que se iniciasse uma seqüência de relatos preocupados com o meu estilo de vida.

E, a mim, só restou abrir mente e coração e escutar. Sentadinha, ali na minha berlinda, ouvi, com carinho e surpresa, preocupações que iam desde a minha alimentação inadequada até os meus projetos de vida.

Explico.

Carinho por ter amigas preocupadas com a minha saúde. De fato, minha completa inaptidão como dona de casa me fez descobrir que vivo perfeitamente bem com sopas congeladas e sanduíches de alface. E confesso... não faço um check up há uns 10 anos.

Surpresa por descobrir que minhas amigas se preocupavam de eu viver a vida sem me preocupar com o dia de depois de amanhã. Na verdade, não acham saudável que eu não demonstre ter um objetivo maior na vida. Por “maior”, na concepção delas, leia-se uma meta de crescimento financeiro e profissional a curto prazo.

Depois que ouvi tudo, guardei o que disseram dentro de mim para digerir em alguns dias e virei a pergunta, querendo saber o que elas estariam fazendo daqui a 5 anos, quando estivessem chegando perto dos 40.

O assunto seguiu com relatos de casamentos, filhos e promoções até que o namorado de uma delas chegou.

Pois bem, passou um mês desde aquele dia. E eu tenho revisto o que ouvi naquela tarde. Tenho pensado na minha vida. Pensado no que eu vivo hoje. Se eu quero mudar algo. O que eu quero estar fazendo daqui a 5 anos.

E eu acho que já sei - só que, antes, preciso dizer algumas coisas sobre o hoje.

Por uma conjunção rara de fatores, estou em um momento muito bom da vida.

  • Minha família não está passando por problema algum.

  • Meu trabalho conjuga desafio cotidiano, prazer e boa remuneração.

  • O coração está em paz. Aberto, tranqüilo. Se quero um namorado? Claro que quero. Só que isso não se planeja ou procura. Sob risco de ansiedade e carência desnecessárias. Acho que é abrir o coração e “cuidar do jardim para que as borboletas venham até você”. E acho que já tem borboleta à beça em volta. Eu é que eu só namoro quando estou apaixonada. Então, o jeito é esperar.

  • Minha vida sexual é compatível com o que pode acontecer para uma mulher solteira, sem namorado e que só se relaciona com homens que a deixem interessada o suficiente para querer mais de uma noite com eles.

  • Minha vida social é divertida.

  • Meus amigos são presentes.

  • Financeiramente, eu tenho problemas administráveis.

  • Meus textos estão ganhando novas instâncias... palavra escrita, palavra falada, textos publicados na internet, o Livro amadurecendo... são tantas coisas novas, tantas idéias... e elas vão surgindo naturalmente, sem eu planejar. Não funciona bem comigo planejar palavra. Seria o avesso do meu processo criativo. Mas isso é assunto longo. Dá um livro. Aliás, não só dá como o estou escrevendo.

Então, deixa eu te perguntar:

Estando o hoje tão absoluta e completamente bom, é tão estranho assim que uma pessoa realmente feliz não ocupe seus dias pensando em como mudá-lo?

Se eu não quero mais nada? Ora, claro que quero. Quem é que não quer mais?

Ser mais magra, ganhar mais, se divertir mais, namorar mais...? Quem não quer?

Só que eu não vejo essas coisas como fatores essenciais para a minha felicidade.

Ser mais magra me faria bem. Mas eu não vivo mal porque não o sou.

Ganhar mais seria bom. Mas não é ruim não ganhar tanto assim.

Se divertir mais é sempre bom. Mas não me divirto pouco.

Namorar mais seria ótimo. Só que para namorar, tem que apaixonar. Enquanto não apaixono, vou seguindo com um “quase-namorado” ou outro de vez em quando, fazer o quê.

Pessoalmente, eu acho que as minhas amigas se preocupam comigo por alguns motivos.

Primeiro porque me amam. E eu as adoro por se preocuparem.

Segundo que não entendem direito a forma como eu vivo essas coisas. Elas estão na fase dos 30 anos. Uma fase de querer. Querer casar. Querer ter filho. Querer uma promoção. Querer comprar um apartamento. E causa estranheza que alguém não tenha esse sentimento latejando dentro de si.

Aceitar que outra pessoa sinta, pense ou deseje algo diferente da gente é uma coisa muito difícil. A maioria das pessoas, quando aceita, na verdade, acata. É muito difícil entender que aquilo que faz o outro feliz, não necessariamente precisaria fazer-nos felizes também. Por amizade, pode haver uma atitude de “te amo e te aceito”. E, apenas isso, já é lindo.

Eu já vivi uma fase do “querer” quando tinha trinta e poucos anos. E foi bem gostosa. Interessante. Desafiadora. Nessa fase, eu queria muita coisa que eu não tinha na minha vida. E fiz tudo o que quis.

Isso quer dizer que eu não queira nada agora que tenho 42?

Não é isso. É que o que eu quero... bem... vamos lá:

  • Quero acordar no domingo e poder deixar o dia desenhar. Deixar a vida me surpreender. Com amigos, risadas, sabores e cores não planejadas depois de uma semana inteira de rotina, planejamento e controle no trabalho.

  • Quero conversar com um amigo por duas horas ao telefone porque estou com saudades.

  • Quero parar no meio da rua para ver a lua porque ela está bonita. Ou uma nuvem com mais de um tom de branco. Ou um por do sol porque eu não tinha visto ainda aquele tom de roxo no céu.

  • Quero o prazer de dizer um texto em voz alta e ver a emoção refletida nos olhos de quem ouve.

  • Quero comer manga no café da manhã sentada na varanda... ao invés de iogurte em pé na cozinha.

  • Quero dormir com ar condicionado ligado até no inverno, só para sentir a textura do edredom na pele.

  • Quero escolher livros por horas numa livraria.

  • Quero dar risada por nada com amigos. Jogar conversa fora. E conversa dentro.

  • Quero estar com a minha família.

  • Quero dançar de olhos fechados só para sentir a luz na pálpebra enquanto o som me transpassa.

  • Quero andar de balão um dia.

  • Quero ver o mar por dentro dia desses.

  • Quero me dar manhãs... que é como eu chamo colocar o despertador para as sete só para dar tempo de ler e escrever um pouco antes de ir para o trabalho.

  • Quero que um temporal me pegue de surpresa um dia, quando eu não estiver sozinha, só para sentir como é dar beijo na boca debaixo de chuva forte.

  • Quero deitar num gramado em uma cidade onde o céu seja mais estrelado, que isso só tem em cidade pequena, e soltar o olho no azul e o pensamento na noite, ouvindo música. Deitar no chão para olhar céu é uma coisa muito gostosa. Se nunca fez, recomendo.

  • Quero ler os livros que estão aqui em casa espalhados esperando a vez.

  • Quero almoçar com amigas que me amam e se preocupam comigo.

  • Quero conhecer mais sobre Ferreira Goulart, que ouvi um texto dele mais que delicioso e interessante. Um texto espelho. E ainda não deu tempo de ler a pesquisa que eu comecei sobre ele na internet.

  • Quero ir ao Real Gabinete Português de Leitura, que dizem que é lindo lá.

  • Quero descobrir mais sobre Oswald de Andrade, Manuel da Nóbrega e Dan Brown. Porque um amigo me falou da obra deles.

  • Quero sair para dançar este ano ainda, que o orçamento não deu e eu adoro.

Caramba, eu quero muita coisa. Se sair contando tudo aqui eu vou cansar vocês – se é que já não cansei.

Mas é isso. Minhas vontades, hoje, não estão relacionadas a mudar a minha vida. Na verdade, eu estou muito feliz com a minha vida. Não vejo motivo para querer mudá-la. Pelo menos enquanto estiver feliz com ela.

E eu mudaria, se não estivesse mais feliz?

Com toda facilidade. Mudar de casa, de cidade, de emprego, de relacionamento, de opinião... são coisas que acontecem. Já fiz tudo isso algumas vezes na vida. E faria de novo. Ou por necessidade ou por vontade.

Eu já havia dito isso tudo que contei para vocês a estas duas amigas. Mas acho que o seu amor por mim faz com que se incomodem com o não entendimento das minhas prioridades – tão diferentes das delas.

Se elas lerem esse texto dirão. "Ah, mas você não se cuida. Não cuida da sua saúde. Ninguém pode viver bem à base de canja congelada e sanduíche de alface."

É verdade, eu não me cuido. Me alimento mal, não vou ao médico há séculos e recomeço a academia segunda-feira sim, segunda-feira, não.

Mas, sinceramente, credito isso aos mesmos motivos que me fazem não arrumar a cama de manhã e esquecer louça dentro da pia. Falta-me disciplina para fazer coisas que eu não gosto. Simples assim.

Tá, eu sei. É necessário. Está bem, vou recomeçar a academia de novo amanhã. E nem é segunda-feira... E vou tomar mais água.

Ah, também já fui ao cardiologista no inicio deste mês para fazer um check up.

Melhor mesmo não arriscar um infarto antes de conseguir ir aos Lençóis Maranhenses, andar de balão ou ver o mar por dentro.

Seria um desperdício.


Maio de 2010.






sábado, 24 de julho de 2010


Enluarada

lua cheia
beijos orvalhados
espalhados em pele
branca

me deixa assim
enluarada

sopro leve no pescoço
para provocar ventania

prenúncio de chuva
vendaval

tempestade ecoa
resoa

e o que
começa em um
percorre o outro

vai em vontade
volta em suspiro
vai em arrepio
volta em desejo

olho no olho
pele sobre pele
palavra sobre palavra

lua cheia
e eu assim
enluarada

Julho de 2010