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sexta-feira, 14 de maio de 2010


Aventuras de uma Carioca (re)descobrindo o Rio.

Hoje aventurei-me em tarde turística pelo Centro do Rio com minhas amigas de Pelotas, Viviane e Lizie, que estão na cidade a passeio.

Você há de me perguntar: “Mas você não mora no Rio?”.

Sim, moro. Mas nunca havia passeado pela Avenida Rio Branco com olhos de turista. Nunca tinha observado, sem preocupação com hora ou assalto, a arquitetura esmerada dos prédios antigos, as ruas arborizadas da Cinelândia, os detalhes do piso em cerâmica feita à mão no hall do Museu de Belas Artes, o dourado da fachada do Teatro Municipal.

Então, nos vestimos de roupas confortáveis e olhares encantados e saímos as três pela deliciosa orla do Rio de Janeiro, assistindo o mar beijar o horizonte até chegarmos ao Centro, para uma expedição em busca de arte, beleza e história.
Bem, conto para vocês, houve, sim, arte e beleza. Mas o que descobri, nesta tarde, na verdade, é que o Rio de Janeiro preserva mais que beleza naqueles prédios. Preserva também gentileza.

Surpreendente ver os guardas uniformizados, na Assembléia Legislativa, abrirem sorrisos hospitaleiros e ciceronear três moças perguntadeiras por corredores cheios de história, aguardando, pacientemente, que fotografássemos os imensos salões onde impressionantes moveis antigos eram banhados pela luz do dia que invadia através dos enormes vitrais do teto.

Inesperada a atenção dos guardas do Museu de Belas Artes que não apenas nos indicaram as galerias cheias de belas esculturas e quadros, mas ainda se ofereceram para fotografar o grupo e esclareceram, pacientemente onde era permitido ou não fotografar as obras.

Emocionante o olhar preocupado e solicito do rapaz que nos advertiu sobre o uso da máquina fotográfica nas ruas movimentadas do Centro e também o pedido das vendedoras de bala para que tirássemos fotos com elas.

Encantador ver a atenção delicada dos funcionários da Biblioteca Nacional enquanto nos cediam sorrisos e histórias e nos guiavam entre lembranças e novidades, por entre salas já conhecidas minhas, em incontáveis tardes na época da faculdade, até setores abertos apenas à visitação guiada, como as galerias com armários de aço e chão de vidro e as salas de restauração de livros raros.

A tarde terminou com olhos cansados e sorrisos satisfeitos entre os doces da Confeitaria Colombo, onde o sabor é apenas parte do prazer. Deixamos a decoração e o som do piano nos transportar ao início do século passado e, entre doces e biscoitos, nos deixamos ficar ali, conversando e descansando das horas percorridas por corredores ancestrais, enquanto atenciosos garçons mantinham nossas xícaras de café sempre cheias.

Foi uma tarde mais que divertida e interessante. Nesta tarde, uma carioca descobriu mais que o Rio. Redescobriu os cariocas.

Maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010


Meu anjo

Meu anjo, minha amiga, minha querida.
Soprou em mim muito mais que vida.

E, até hoje,
É teu conselho, teu colo, teu beijo
que busco sempre que caio.

E teu sorriso, teu olho, teu beijo
que busco sempre que venço .

Porque sei bem o que sempre vai me perguntar
O que sempre vai me dizer

Mas ainda assim preciso ouvir de ti
A pergunta que é resposta
A tudo que te pergunto

"Filha, está feliz? "

Maio de 2010


Esse texto nasceu imediatamente após eu ler o texto do Mário Roberto Guimarães, quando voltei de uma tarde deliciosa em família para comemoração do dia das mães. Já disse ao Mário que o verso dele desperta a minha palavra. Obrigada de novo Mário, pela inspiração.

Quem quiser conferir os belos versos do Mário e as lindas interações que ele inspirou, segue o link:
http://recantodasletras.uol.com.br/trovas/2246007

sábado, 8 de maio de 2010


Desejos

Se pudesse escolher, não tinha vontade de você. Te encontrava sabendo do riso, sem a certeza do beijo. Te via sabendo do espelho, sem a certeza do gosto.

Vou sentir falta de estar com você... do riso fácil, das madrugadas juntos, das palavras não ditas, de te contar bobagens e verdades. Mas gente precisa se conhecer. Precisa ganhar voz, olho, som de risada.

Vai ser bom conhecer você. Levar pela vida a tua lembrança real.

Só assim, um dia, daqui há muitos anos, vou poder contar para uma amiga, entre um biscoito e outro, do rapaz que me chamava de anjo e com quem o riso era fácil desde a primeira linha. Assim, também sei que, depois que esquecer o meu nome, você ainda vai se lembrar da moça meio boboca e de sorriso solto que gostava de escolher sorvetes pela cor e dançar de olhos fechados.

Então, vou até você. Mas torço para não dar vontade. Só assim, daqui há 30 anos, a gente vai poder dar risada disso, quando passar na casa do outro para comer rabanada entre o Natal e o Ano Novo.

Sei que os beijos dariam em suspiros e que o toque daria em arrepio. Ainda assim, prefiro as rabanadas.

Dezembro de 2009

E você, sabe o que procura?

Dia desses voltei para casa com a pergunta de uma amiga martelando a cabeça. Incomodada porque eu gosto de morar sozinha, minha amiga queria saber se, afinal, eu pelo menos procurava um namorado.

A ela respondi com um sorriso – recurso sempre útil para substituir explicações antecipadamente incompreendidas. Mas, para vocês eu conto.

Procura-se um namorado?

Bem, se o seu conceito de namorar for pelo menos próximo do meu, pode registrar que sim. Sabe, eu tenho muito cuidado com o que desejo. Palavras têm força. Vai que eu consigo.

Namorar, para mim, é verbo amar conjugado. Namorar não é caminho de mais nada. É verbo com alma de gerúndio. Incompatível com metas ou planos. Namorar é verso que resume, em uma só palavra, romance, riso, sedução, carinho, vontade. E não necessariamente nessa ordem.

Procuro um cara com quem eu possa conversar, rir e ficar em silêncio. Que entenda que eu trabalho pelo menos 10 horas por dia e que gosto disso. Que me trate como mulher. Que goste de ir ao cinema, andar na praia, ouvir música, dançar. Está bem, que pelo menos goste de me levar para dançar de vez em quando, só porque eu fico feliz com isso. Que goste de ir a um restaurante legal e que também curta comer caranguejo com as mãos na praia. Com quem eu possa discutir um bom filme ou falar bobagens.

Procuro um sujeito que me seduza, instigue e desafie. E que também me cuide. Alguém em quem eu possa me amparar, mas que saiba que o mais provável é que isso nunca aconteça. E que não se incomode com isso.

Eu não vejo nada mais carinhoso do que um homem entender que eu gosto da minha vida, da minha rotina. E da falta dela. Entender que gosto do meu ritmo de fazer as coisas. Poucas coisas são tão românticas como um cara que cuide de você, nas coisas em que uma mulher verdadeiramente precisa ser cuidada... até a gente ficar a vontade para deixar que ele controle o ritmo em tantas outras.

É imensamente romântico que alguém saiba do que você gosta, não porque você contou, mas porque presta atenção em você.

Então, procuro, sim, um homem romântico e carinhoso. Um cara que compreenda que gosto de trabalhar em horários estranhos. Que não ache ridículo eu escolher sorvetes pela cor. Que ache normal eu gostar de comer manga com a mão no café da manhã ouvindo música. Que não implique com os meus decotes, nem se ressinta da atenção que eu dou aos meus amigos. Que não fique impaciente porque eu tive que voltar correndo da porta só porque esqueci de passar perfume e que não se preocupe em saber porque eu precisava de outro sapato vermelho.

E, não, essa não é a descrição do meu amigo gay.

Inclua na descrição aí em cima, então, para que o romance funcione, que ele me olhe de um jeito que me faça sorrir lembrando de ontem à noite, que saiba o ponto exato do pescoço que me arrepia e que consiga me fazer perder o raciocínio e esquecer o final da frase porque deslizou a mão pelas minhas costas.

Pronto, não tem jeito de confundir o cara com um amigo.

E, se acontecer, do espelho refletir e o tempo parar um pouco para a gente se olhar, quem sabe...

Março de 2009

Enlace

Desfaça com teus dedos meu pensamento
Desenha teu desejo em minha pele
Descobre na minha boca o teu calor
Vem
Me abraça
Me enlaça

Conduz o início

Maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010



Por Ordem do Juízo

Nunca tenho toda a razão. 
Tenho toda a vontade. 
Apenas alguma razão.

Quando eu era menina, me diziam 

que o tempo me traria juízo. 

Na verdade, acho que até trouxe. 
É meu juízo que julga 
o que é melhor para mim.

O caso é que a minha vontade 

convenceu o meu juízo 
que “ melhor” vem de “bom”!

Então, eu conto para você.

Sabe
as manhãs que eu me dou,
os poemas de madrugada
e os amigos na varanda até as seis?

Sabe
o trabalho em horário esquisito
e os problemas que me alcançam por telefone?

Sabe
os amores sem limites,
os beijos sem pudores
e os toques sem entrelinhas?

Sabe
o riso solto,
as danças de olhos fechados,
os passeios sem destino
e o pensamento que voa?

Pois é...

Meu juízo resolveu
que isso tudo
é o melhor pra mim

Maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010


Não gosto de nuvem pequenininha e esfiapada. Gosto daquelas bem grandes... porque dá efeito de sombra e luz nas beirinhas do floco. Ela fica com nuance de cor. Miolo cor de nuvem, umas beirinhas com sombra e outras iluminadas. É bem bonito.

Devaneios pela Palavra
Maio de 2010



Poema para Provocar teu Verso

Teu verso desliza suave em minha pele
e me busca vagarosamente no sono.

Sussurra bobagens no meu ouvido,
brinca de arrepio no meu pescoço,
me endurece os seios.

Tua palavra encaixa em mim.
Invade os meus sentidos,
me esvazia o pensamento.

Teu canto descobre devagar o meu suspiro,
entoa sem pudor os meus gemidos,
me crava os dentes,
contorce,
me descompõe.

E o poema
faz o caminho de volta.

Dissolve consoantes,
derrete vogais,
penetra a consciência
e se move.

Apenas ritmo.
Continuo e forte

Tatuando você
intensamente
dentro de mim.


(Flávia Côrtes - Maio de 2010)

www.poetaflaviacortes.com.br



Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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A Musa

Ah, Poeta, sei que canta o que te encanta.
Só não sei, de verdade, se teu canto
é por mim
ou pelo cantar.


Mas, sabe, poeta, já não importa,
desde que cante.


Porque se te inspiro
e me derrama de ti em verso,
que faço eu,

que não sou poeta
e te levo inteiro dentro de mim?



(Flávia Côrtes - Maio de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

Notas: Esses versos nasceram no Recanto das Letras, onde coloco uns versos e onde acontecem belas interações entre poetas de todos os estilos. 
Esses versos do Mário, particularmente, inspiraram inúmeros poetas. 
Se quiser conferir tudo, segue o link: http://www.recantodasletras.com.br/trovas/2021170

Minha Musa
(Poema de Mário Roberto Guimarães)

Catando a dor da saudade
Que deixa a alma confusa
Busquei o amor de verdade
E achei em ti, minha musa
(Mário)


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sexta-feira, 30 de abril de 2010


Eu queria mesmo saber fazer isso, sabe

Medir o que eu faço
Nunca consigo

Se eu tenho vontade de dizer, eu digo
Se eu tenho vontade de fazer, eu faço
Se eu tenho vontade de viver... ai.. ai... eu vou lá e vivo

Queria mesmo ser diferente
Às vezes, é melhor segurar a onda
De verdade

Segurar a onda pode mesmo ser uma coisa boa
Às vezes


Uma hora eu aprendo

Abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010


E, aí, você apareceu na minha vida numa tarde lilás
E veio como quem voltava de uma longa batalha.
E se instalou dentro de mim com a naturalidade e a tranqüilidade
De quem já havia estado ali antes.

E eu me vi tão absorta no teu olhar
Que não houve tempo de construir os muros.

E, então, você encheu os meus dias com encanto e música
E meus olhos fizeram teus os versos.
E eu me permiti.
Com a naturalidade e a tranqüilidade
De quem já havia estado ali antes.

E te falei dos sonhos
E te contei dos caminhos
E te mostrei os olhos

E foi como falar de novo
E foi como contar de novo
E foi como mostrar de novo

Loucos e insanos?
Românticos e ingênuos?
Imprudentes?
E se não for?

Ah, se não for...
O hoje não é menos bonito porque o amanhã não existe.

Abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

O hoje não é menos bonito porque o amanhã não existe.

Devaneios pela Palavra
Abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010


Olha, se você não encontrou nada especial para fazer hoje, aqui vai uma sugestão:

Coloca um sapato confortável e convida o Renato Russo para dizer canções nos seus ouvidos enquanto você se leva para ver dia. Leva os óculos escuros marrons. Assim, vai dar para levantar o rosto para o sol na hora que você parar para inspirar o dia e deixar a vida te encher os pulmões. Sim, precisam ser os marrons, aqueles que tingem a manhã de dourado... é um pecado colocar lentes cinzas ou pretas entre um dia lindo e a retina.

Pronto... calçados confortáveis, óculos marrons, música nos ouvidos... e os dedos quentes do sol esquentando a tua pele enquanto o vento te despenteia os cabelos e brinca com o teu vestido.

Eu chamo isso de me levar para ver dia. Faz muito bem à alma.


Abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Domingo em casa de mãe. Cheiro de bife pelo ar. Risada de criança correndo pela casa. Cinco assuntos diferentes na mesma sala... e todo mundo opinando em todos. Me passa o arroz. Cachorro latindo. Desenho animado na TV. Café forte segurando a mão do meu pai. Por algumas horas, me permito filha de novo. Muito bom.

Tarde de domingo – Agosto de 2009
(esse texto é de agosto passado... hoje, relia os textos que estão na "Caixa"... o lugar onde guardo textos pessoais demais... e a saudade daquele dia me fez ter vontade de colocar no blog)

quarta-feira, 14 de abril de 2010


Amizades são amores que não foram tomados pela paixão
Quando você mergulha nos olhos e encontra ternura... mas não vontade
Você achou um amigo

Abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010





A Hora Lilás
No fim da tarde,
antes da noite cair,
tem uma hora mágica.
A hora lilás.
Quando o sol já saiu,
mas a noite ainda não chegou
Nessa hora,
tem um momento
em que tudo pode acontecer.
É um momento mágico,
em que o céu se tinge em cor de flor,
mostrando
que nem tudo precisa ser
exatamente como a gente sempre viu
para ser belo.
(Flávia Côrtes - Abril de 2010)
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domingo, 11 de abril de 2010


Meu verso me conta?

Sim
Meu verso me conta
Cada palavra que eu já escrevi me diz
Cada linha escorrida me fala

Verdade
Quem me lê me vê

Sabe do que pensei, quis, achei
Ou senti

Descobre do que sonhei, criei, lembrei
Ou fiz

Mas, olha
Cuidado
Minha palavra me brinca
Faz esconde-esconde de mim

Se você quer mesmo saber
De tudo isso
O que eu já fiz
O que eu já quis
O que eu já vivi

Tira os olhos do papel

Olha pra mim

Me respira
Me toca
E me aprende

Quem sabe assim eu te conto
Quem sabe assim
Eu me mostro



(Flávia Côrtes - Abril de 2010)

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sábado, 10 de abril de 2010

Reflexão Atemporal

O caso é que o meu ontem só foi
E o meu amanhã quem sabe
Meu hoje
Eu vivo no agora

Não sei se esse é um jeito bom de se viver
Só vivo
E gosto

Abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Minuto e Milímetro

Olhos fechados.
Corpos quase se tocando.
O milímetro que separa a tua pele da minha
prende meu pensamento no teu.

E eu já não sei,
só sinto.

E foi nessa hora,
ouvindo uma respiração que eu não sei mais
se era tua ou a minha,
que o carinho encontrou o desejo.


(Flávia Côrtes - Abril de 2010)

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segunda-feira, 29 de março de 2010


Gosto de estar com você...


Mas cadê a urgência?
Cadê você me invadindo o pensamento?
Cadê sua voz ecoando dentro de mim?
Cadê seu cheiro em mim?

Sim, você me traz sorrisos...
Mas onde estão os suspiros?

Ah, vai... não me diz que é só comigo...
Sou mulher
A gente sabe essas coisas

Sinceramente...
Quero alguém que simplesmente precise
Falar comigo, estar comigo, me respirar
Alguém que me transborde

Não te quero um amigo
Eu já tenho amigos
Amigo é uma pessoa que ama você
E que você não tem vontade de dar para ela
Meus amigos não me comem, amor

Março de 2010