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- ► 2010 (163)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Briga de Namorados
Estou, desde ontem, irritando o meu verso.
É que eu tenho uma palavra meio inquieta, sabe?
Não pode me ver com a mente desocupada
que vem logo me encher pensamento!
Só que, ontem, eu precisava muito...
muito mesmo...
fazer um tantinho de nada.
Precisava deixar corpo esparramado na cama
umas horas.
Então, confesso:
esparramei logo corpo e pensamento
e me deixei ficar ali
olhando parede
até meio da tarde.
Logo na primeira hora, meu verso começou a provocar.
Contei para ele que não ia adiantar.
Não levantava por nada.
Estava fazendo nada e pronto.
E não houve...
barulho de criança na piscina,
ruído de mosquito no ouvido,
som de lençol roçando no corpo,
ar gelado e condicionado brincando com arrepio,
persiana imitando tecla de piano...
que me fizesse desistir disso.
E, só para provocar, ainda dormi sono sem sonho.
Meu verso me contou
que vai tirar férias de mim também um tempo
só para eu ver o que é bom.
E eu?
Dou risada.
Duvido!
(Flávia Côrtes - Fevereiro de 2010)
www.poetaflaviacortes.com.br
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.
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Poesia Falada: Confira tudo sobre o CD no link Verso em Voz
Maiores informações: contato@poetaflaviacortes.com.br
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Tem algo especial no dia começando. O sol rasga devagar a madrugada... tinge de dourado as paredes dos prédios... colore a beirada do céu em tons quentes e púrpuras. O ruído dos carros silencia para descobrir som de passarinho e o ar ganha um frescor de geladeira aberta de madrugada para pegar água descalça.
Devaneio pela palavra
Fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Memória do Corpo
A
boca conhecia o gosto antes do beijo.
O corpo sabia do calor antes do toque.
O riso combinou o olhar antes de vir.
O cheiro do homem misturado no meu cheiro.
O gosto do beijo misturado no meu gosto.
Olho reencontrando olho.
Toque reconhecendo toque.
Rasgamos a época,
fundimos o tempo,
em gosto e gozo,
refazendo a memória do corpo
esquecida no tempo.
E, do mesmo jeito que a gente se encontrou,
a gente se perdeu.
O que faço agora?
Meu corpo lembrou do teu.
O corpo sabia do calor antes do toque.
O riso combinou o olhar antes de vir.
O cheiro do homem misturado no meu cheiro.
O gosto do beijo misturado no meu gosto.
Olho reencontrando olho.
Toque reconhecendo toque.
Rasgamos a época,
fundimos o tempo,
em gosto e gozo,
refazendo a memória do corpo
esquecida no tempo.
E, do mesmo jeito que a gente se encontrou,
a gente se perdeu.
O que faço agora?
Meu corpo lembrou do teu.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Riscos
e Perigos
Eu sei dos riscos e dos perigos.
Dos meus talvez mais que dos seus.
E sei dos nossos.
Sei das vontades,
das intimidades.
Sei das portas entreabertas.
Da sua e da minha.
Sei do gosto.
Do seu,
do meu,
do nosso.
Sei da força.
Algumas vezes maior que a minha.
Sei da doçura.
Tantas vezes igual a minha.
Sei da voz
que traz lembrança de abraço.
Sei da falta
e da presença.
Perigoso jogo o nosso.
Onde sei tanto
e tão pouco.
Dos meus talvez mais que dos seus.
E sei dos nossos.
Sei das vontades,
das intimidades.
Sei das portas entreabertas.
Da sua e da minha.
Sei do gosto.
Do seu,
do meu,
do nosso.
Sei da força.
Algumas vezes maior que a minha.
Sei da doçura.
Tantas vezes igual a minha.
Sei da voz
que traz lembrança de abraço.
Sei da falta
e da presença.
Perigoso jogo o nosso.
Onde sei tanto
e tão pouco.
Janeiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Abraço Mergulhado
Tem dia, que você não sabe,
mas só precisa
de um abraço mergulhado.
Aquele que te encosta
peito,
umbigo,
e pensamento.
Aquele que encaixa
queixo,
ombro
e sentimento.
Aquele que te segura
firme,
forte,
e sereno.
Até você relaxar
corpo
e alma.
E se deixar
abraçar.
E abraçar.
mas só precisa
de um abraço mergulhado.
Aquele que te encosta
peito,
umbigo,
e pensamento.
Aquele que encaixa
queixo,
ombro
e sentimento.
Aquele que te segura
firme,
forte,
e sereno.
Até você relaxar
corpo
e alma.
E se deixar
abraçar.
E abraçar.
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Nuggets são Nuggets
Hoje um amigo me contou que aprendeu de tudo na vida, mas que havia algo que ele achava muito importante. Eu achei tão, mas tão, importante que compartilho com vocês:
“Nunca, jamais, em tempo algum, asse Nuggets. Nuggets são nuggets. Precisam ser fritos. Foram feitos para serem fritos. Se quiser assar alguma coisa, compre frango.”
E a risada que seguiu o meu “Ah.. eu até gosto de Nuggets assados...”.. me fez dar conta de que “até” não combina com “gosto”.
Bem...
Eu não sei como a vida te presenteou com amigos
Se risonhos e presentes
Se densos e presentes
Se distantes e presentes
Mas presentes
Eu não sei como a vida te presenteou com amores.
Se rápidos e intensos
Se vagarosos e suaves
Se rápidos e suaves
Se vagarosos e intensos
Se avassaladores
Mas amores
Então
Procure se lembrar
O que acontece
Se você tenta
Assar Nuggets.
Janeiro de 2010
O texto era para ser crônica... mas o verso se intrometeu sem pedir licença.
Hoje um amigo me contou que aprendeu de tudo na vida, mas que havia algo que ele achava muito importante. Eu achei tão, mas tão, importante que compartilho com vocês:
“Nunca, jamais, em tempo algum, asse Nuggets. Nuggets são nuggets. Precisam ser fritos. Foram feitos para serem fritos. Se quiser assar alguma coisa, compre frango.”
E a risada que seguiu o meu “Ah.. eu até gosto de Nuggets assados...”.. me fez dar conta de que “até” não combina com “gosto”.
Bem...
Eu não sei como a vida te presenteou com amigos
Se risonhos e presentes
Se densos e presentes
Se distantes e presentes
Mas presentes
Eu não sei como a vida te presenteou com amores.
Se rápidos e intensos
Se vagarosos e suaves
Se rápidos e suaves
Se vagarosos e intensos
Se avassaladores
Mas amores
Então
Procure se lembrar
O que acontece
Se você tenta
Assar Nuggets.
Janeiro de 2010
O texto era para ser crônica... mas o verso se intrometeu sem pedir licença.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Gosto de estar com as pessoas. Do riso solto, do assunto sem rumo, de jogar conversa fora... ou conversa dentro. Mas também gosto de estar comigo. Eu também me faço muita companhia. E não é porque estou sozinha... que o meu riso é menos solto.. ou o meu assunto tem mais rumo.
Devaneios pela Palavra
Janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Escolhas
Tá bom, você precisa.
Decidir, escolher, optar, resolver.
O dia começa, e você precisa.
Atender aos pedidos!
Do filho,
do marido,
da mãe,
do chefe,
da empregada,
do médico,
do professor,
do dentista.
O dia corre e você tem.
Tem que fazer, tem que saber, tem que poder.
A noite chega e você precisa.
Precisa ouvir, discutir. saber.
Porque o certo, o correto, o direito,
é você ser essa pessoa
eficiente, organizada, decidida,
informada, bem vestida, articulada
e antenada!
Por que
seus filhos,
seu marido,
seu trabalho,
seus pais,
seus amigos
esperam.
E eles
precisam de você.
Mas, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
pare e pense:
Quem precisa de quem?
Precisam de você?
Ou você precisa que precisem de você?
Quem precisa do que?
Seu filho?
Precisa que você saiba
ou que você sinta?
Seu marido?
Precisa que você faça
ou que você esteja?
Sua mãe?
Precisa que você ligue
ou que você escute?
Seu trabalho?
Precisa que você corra
ou que você faça?
E você?
Precisa do quê?
Precisa de quem?
Então, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
escolha ouvir a si mesma.
Decida olhar para o outro.
Escute o que não foi pedido.
A palavra que não foi dita
e grita.
Veja o que não foi mostrado.
O gesto que não foi feito
e pede.
Hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
sinta.
Desfaça,
não faça.
Desorganize
ou não organize.
Por dentro ou por fora.
Permita.
O nome do Hoje é presente.
Isso não é por acaso.
Tá bom, você precisa.
Decidir, escolher, optar, resolver.
O dia começa, e você precisa.
Atender aos pedidos!
Do filho,
do marido,
da mãe,
do chefe,
da empregada,
do médico,
do professor,
do dentista.
O dia corre e você tem.
Tem que fazer, tem que saber, tem que poder.
A noite chega e você precisa.
Precisa ouvir, discutir. saber.
Porque o certo, o correto, o direito,
é você ser essa pessoa
eficiente, organizada, decidida,
informada, bem vestida, articulada
e antenada!
Por que
seus filhos,
seu marido,
seu trabalho,
seus pais,
seus amigos
esperam.
E eles
precisam de você.
Mas, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
pare e pense:
Quem precisa de quem?
Precisam de você?
Ou você precisa que precisem de você?
Quem precisa do que?
Seu filho?
Precisa que você saiba
ou que você sinta?
Seu marido?
Precisa que você faça
ou que você esteja?
Sua mãe?
Precisa que você ligue
ou que você escute?
Seu trabalho?
Precisa que você corra
ou que você faça?
E você?
Precisa do quê?
Precisa de quem?
Então, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
escolha ouvir a si mesma.
Decida olhar para o outro.
Escute o que não foi pedido.
A palavra que não foi dita
e grita.
Veja o que não foi mostrado.
O gesto que não foi feito
e pede.
Hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
sinta.
Desfaça,
não faça.
Desorganize
ou não organize.
Por dentro ou por fora.
Permita.
O nome do Hoje é presente.
Isso não é por acaso.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Condição de Poeta
Sabe, poeta não é ofícioé condição.
Ato involuntário,
compulsivo quase.
Poeta é aquele
que desorganiza por dentro.
Ou, simplesmente, não organiza.
Quer por querer,
quer por não saber.
E, talvez por isso, escreva.
Desorganizado que é por dentro,
precisa se achar do lado de fora.
Precisa mirar-se
no espelho branco do papel.
Esparrama palavra para não se perder de si mesmo.
E, assim, segue.
Esparramando versos atrás de si,
em tentativa de não esquecer
o caminho de volta.
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2010)
Texto nascido em e-mail a um amigo, o Diego, que diz que não é poeta.
E escreve lindamente.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Carta a Anna
Olá, Anna,
te escrevo aprendiz.
Escrevo à dona do verso,
à Dona do Verbo.
O verbo que pode.
O verso que eclode.
Me diz, Anna,
de onde vem?
Tanta força,
tanto encanto.
De onde vem
tanto?
Me conta, Anna
como vem?
O que mostra,
o que comove,
o que encanta,
o que espelha,
o que traduz,
o que seduz.
Porque a poeta,
diante do teu verso,
se reconhece aprendiz
daquela que se diz louca
e se diz!
Ah, Anna...!
Anna que compartilha,
Anna que mostra,
Anna que conta!
No seu verso,
uma vida,
um dia,
um momento.
Ah, Anna,
tua aprendiz te diz:
Se louca ou lúcida?
Que importa
diante de tanto!
Ah, Anna,
tua aprendiz te conta:
Teu verso
te mostra, te salva?
A ti, mas também ao outro!
E é, assim,
espelho e encanto
que te leio
e releio
e releio.
Porque é, assim, que me diz.
E, se a mim diz,
diz de mim.
Porque é, assim, que me conta.
E se a mim conta,
conta de mim.
Então, Anna,
me ensina!
E quem sabe, assim,
aprendo também
de mim!
Que me prefiro louca,
que me permito lúdica,
que digo,
que conto,
que mostro!
Não por gosto,
não por vaidade!
Mas
por vontade,
por necessidade,
por lucidez!
E aqui, sentada do teu lado,
te ouvindo,
te aprendo
e me aprendo!
E aqui, debruçada no teu verso,
te lendo,
te vejo
e me vejo!
E é, assim, que te escrevo,
Anna.
Te escrevo aprendiz.
Que aprende
e diz!
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2010)
Encantada diante da palavra exposta e forte de Dona Anna Maria Dutra de Menezes de Carvalho, em seu livro, “O Auto de Ana, A Louca – Poemas Lúcidos”
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Ofício da Palavra
Hoje o meu domingo acordou ocupado. Arrancada bruscamente do sono para saber o que dizer.
Explico. Escolhi por ofício ser a pessoa que sabe o que dizer... o que dizer a quem pede, o que dizer a quem reclama, o que dizer antes do problema, o que dizer durante o problema, o que dizer no dia seguinte, o que dizer a quem pergunta, o que dizer para que não precisem perguntar...
Estranha escolha a minha. Escolher pensar palavra, organizar palavra, premeditar palavra.
Minha palavra escorre
Sem pensamento
Sem parênteses
Sem asteriscos
Meu verso organiza sem métrica
A ele, permito
Deixo que minhas consoantes impliquem com as vogais
Autorizo qualquer coletivo
E me divertem metáforas
Confesso.
Sou absurdamente melhor na palavra escorrida do que na palavra escrita.
Janeiro de 2010
Esse texto nasceu crônica, mas o verso se intrometeu no meio sem pedir licença... e eu deixei.
sábado, 16 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Só a moldura
Aí você não veio.
E eu
não te pedi para vir.
Quem
quer
faz
Quem quer
pede
Não fazer,
não pedir:
Espelho da vontade.
Ou da falta dela.
faz
Quem quer
pede
Não fazer,
não pedir:
Espelho da vontade.
Ou da falta dela.
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Alguma vez você já sentiu como se o dia te desse uma soca?
Assim como uma onda que você não viu
O dia quebra em cima de você
De surpresa
O dia te arrasta!
E, se você tentar colocar os pés no chão
Te arranha, te lanha, te quebra, te afoga
Em dias assim, acredite
Melhor prender a respiração
E se deixar levar
Solta o corpo
Deixa o dia passar
Janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Não dá para apagar o que se viveu
Dá para chorar
Sofrer
Sentar pelado no banheiro
Encolher dentro do chuveiro
Abafar grito no travesseiro
Até cansar
E, se não for assim
Não dá para guardar o sofrimento depois
Ele fica ali
Latejando
Lágrima para dentro
Empoça
Faz bolo no meio do pescoço
Sangra ferida no estômago
Derrama no peito
Explode veia na cabeça
Então
Chora a lágrima para fora, vai
Vive a sua tristeza
Plenamente
Antes de guardar
Janeiro de 2009
Moderadamente
Sou péssima em fazer as coisas moderadamente.
Sou péssima em fazer as coisas moderadamente.
Tá bom... dá para beber moderadamente.
Até dá para comer moderadamente.
Acho que consigo gastar moderadamente.
E posso tentar trabalhar moderadamente
de vez em quando.
Mas viver moderadamente...?!
Aprendi, não...
Flávia
Côrtes – Janeiro de 2010
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