Nuggets são Nuggets
Hoje um amigo me contou que aprendeu de tudo na vida, mas que havia algo que ele achava muito importante. Eu achei tão, mas tão, importante que compartilho com vocês:
“Nunca, jamais, em tempo algum, asse Nuggets. Nuggets são nuggets. Precisam ser fritos. Foram feitos para serem fritos. Se quiser assar alguma coisa, compre frango.”
E a risada que seguiu o meu “Ah.. eu até gosto de Nuggets assados...”.. me fez dar conta de que “até” não combina com “gosto”.
Bem...
Eu não sei como a vida te presenteou com amigos
Se risonhos e presentes
Se densos e presentes
Se distantes e presentes
Mas presentes
Eu não sei como a vida te presenteou com amores.
Se rápidos e intensos
Se vagarosos e suaves
Se rápidos e suaves
Se vagarosos e intensos
Se avassaladores
Mas amores
Então
Procure se lembrar
O que acontece
Se você tenta
Assar Nuggets.
Janeiro de 2010
O texto era para ser crônica... mas o verso se intrometeu sem pedir licença.
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- ► 2010 (163)
domingo, 7 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Gosto de estar com as pessoas. Do riso solto, do assunto sem rumo, de jogar conversa fora... ou conversa dentro. Mas também gosto de estar comigo. Eu também me faço muita companhia. E não é porque estou sozinha... que o meu riso é menos solto.. ou o meu assunto tem mais rumo.
Devaneios pela Palavra
Janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Escolhas
Tá bom, você precisa.
Decidir, escolher, optar, resolver.
O dia começa, e você precisa.
Atender aos pedidos!
Do filho,
do marido,
da mãe,
do chefe,
da empregada,
do médico,
do professor,
do dentista.
O dia corre e você tem.
Tem que fazer, tem que saber, tem que poder.
A noite chega e você precisa.
Precisa ouvir, discutir. saber.
Porque o certo, o correto, o direito,
é você ser essa pessoa
eficiente, organizada, decidida,
informada, bem vestida, articulada
e antenada!
Por que
seus filhos,
seu marido,
seu trabalho,
seus pais,
seus amigos
esperam.
E eles
precisam de você.
Mas, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
pare e pense:
Quem precisa de quem?
Precisam de você?
Ou você precisa que precisem de você?
Quem precisa do que?
Seu filho?
Precisa que você saiba
ou que você sinta?
Seu marido?
Precisa que você faça
ou que você esteja?
Sua mãe?
Precisa que você ligue
ou que você escute?
Seu trabalho?
Precisa que você corra
ou que você faça?
E você?
Precisa do quê?
Precisa de quem?
Então, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
escolha ouvir a si mesma.
Decida olhar para o outro.
Escute o que não foi pedido.
A palavra que não foi dita
e grita.
Veja o que não foi mostrado.
O gesto que não foi feito
e pede.
Hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
sinta.
Desfaça,
não faça.
Desorganize
ou não organize.
Por dentro ou por fora.
Permita.
O nome do Hoje é presente.
Isso não é por acaso.
Tá bom, você precisa.
Decidir, escolher, optar, resolver.
O dia começa, e você precisa.
Atender aos pedidos!
Do filho,
do marido,
da mãe,
do chefe,
da empregada,
do médico,
do professor,
do dentista.
O dia corre e você tem.
Tem que fazer, tem que saber, tem que poder.
A noite chega e você precisa.
Precisa ouvir, discutir. saber.
Porque o certo, o correto, o direito,
é você ser essa pessoa
eficiente, organizada, decidida,
informada, bem vestida, articulada
e antenada!
Por que
seus filhos,
seu marido,
seu trabalho,
seus pais,
seus amigos
esperam.
E eles
precisam de você.
Mas, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
pare e pense:
Quem precisa de quem?
Precisam de você?
Ou você precisa que precisem de você?
Quem precisa do que?
Seu filho?
Precisa que você saiba
ou que você sinta?
Seu marido?
Precisa que você faça
ou que você esteja?
Sua mãe?
Precisa que você ligue
ou que você escute?
Seu trabalho?
Precisa que você corra
ou que você faça?
E você?
Precisa do quê?
Precisa de quem?
Então, hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
escolha ouvir a si mesma.
Decida olhar para o outro.
Escute o que não foi pedido.
A palavra que não foi dita
e grita.
Veja o que não foi mostrado.
O gesto que não foi feito
e pede.
Hoje, só um pouquinho,
antes que o Hoje acabe,
sinta.
Desfaça,
não faça.
Desorganize
ou não organize.
Por dentro ou por fora.
Permita.
O nome do Hoje é presente.
Isso não é por acaso.
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos
quanto aos seus direitos autorais.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Condição de Poeta
Sabe, poeta não é ofícioé condição.
Ato involuntário,
compulsivo quase.
Poeta é aquele
que desorganiza por dentro.
Ou, simplesmente, não organiza.
Quer por querer,
quer por não saber.
E, talvez por isso, escreva.
Desorganizado que é por dentro,
precisa se achar do lado de fora.
Precisa mirar-se
no espelho branco do papel.
Esparrama palavra para não se perder de si mesmo.
E, assim, segue.
Esparramando versos atrás de si,
em tentativa de não esquecer
o caminho de volta.
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2010)
Texto nascido em e-mail a um amigo, o Diego, que diz que não é poeta.
E escreve lindamente.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Carta a Anna
Olá, Anna,
te escrevo aprendiz.
Escrevo à dona do verso,
à Dona do Verbo.
O verbo que pode.
O verso que eclode.
Me diz, Anna,
de onde vem?
Tanta força,
tanto encanto.
De onde vem
tanto?
Me conta, Anna
como vem?
O que mostra,
o que comove,
o que encanta,
o que espelha,
o que traduz,
o que seduz.
Porque a poeta,
diante do teu verso,
se reconhece aprendiz
daquela que se diz louca
e se diz!
Ah, Anna...!
Anna que compartilha,
Anna que mostra,
Anna que conta!
No seu verso,
uma vida,
um dia,
um momento.
Ah, Anna,
tua aprendiz te diz:
Se louca ou lúcida?
Que importa
diante de tanto!
Ah, Anna,
tua aprendiz te conta:
Teu verso
te mostra, te salva?
A ti, mas também ao outro!
E é, assim,
espelho e encanto
que te leio
e releio
e releio.
Porque é, assim, que me diz.
E, se a mim diz,
diz de mim.
Porque é, assim, que me conta.
E se a mim conta,
conta de mim.
Então, Anna,
me ensina!
E quem sabe, assim,
aprendo também
de mim!
Que me prefiro louca,
que me permito lúdica,
que digo,
que conto,
que mostro!
Não por gosto,
não por vaidade!
Mas
por vontade,
por necessidade,
por lucidez!
E aqui, sentada do teu lado,
te ouvindo,
te aprendo
e me aprendo!
E aqui, debruçada no teu verso,
te lendo,
te vejo
e me vejo!
E é, assim, que te escrevo,
Anna.
Te escrevo aprendiz.
Que aprende
e diz!
(Flávia Côrtes - Janeiro de 2010)
Encantada diante da palavra exposta e forte de Dona Anna Maria Dutra de Menezes de Carvalho, em seu livro, “O Auto de Ana, A Louca – Poemas Lúcidos”
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Ofício da Palavra
Hoje o meu domingo acordou ocupado. Arrancada bruscamente do sono para saber o que dizer.
Explico. Escolhi por ofício ser a pessoa que sabe o que dizer... o que dizer a quem pede, o que dizer a quem reclama, o que dizer antes do problema, o que dizer durante o problema, o que dizer no dia seguinte, o que dizer a quem pergunta, o que dizer para que não precisem perguntar...
Estranha escolha a minha. Escolher pensar palavra, organizar palavra, premeditar palavra.
Minha palavra escorre
Sem pensamento
Sem parênteses
Sem asteriscos
Meu verso organiza sem métrica
A ele, permito
Deixo que minhas consoantes impliquem com as vogais
Autorizo qualquer coletivo
E me divertem metáforas
Confesso.
Sou absurdamente melhor na palavra escorrida do que na palavra escrita.
Janeiro de 2010
Esse texto nasceu crônica, mas o verso se intrometeu no meio sem pedir licença... e eu deixei.
sábado, 16 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Só a moldura
Aí você não veio.
E eu
não te pedi para vir.
Quem
quer
faz
Quem quer
pede
Não fazer,
não pedir:
Espelho da vontade.
Ou da falta dela.
faz
Quem quer
pede
Não fazer,
não pedir:
Espelho da vontade.
Ou da falta dela.
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Alguma vez você já sentiu como se o dia te desse uma soca?
Assim como uma onda que você não viu
O dia quebra em cima de você
De surpresa
O dia te arrasta!
E, se você tentar colocar os pés no chão
Te arranha, te lanha, te quebra, te afoga
Em dias assim, acredite
Melhor prender a respiração
E se deixar levar
Solta o corpo
Deixa o dia passar
Janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Não dá para apagar o que se viveu
Dá para chorar
Sofrer
Sentar pelado no banheiro
Encolher dentro do chuveiro
Abafar grito no travesseiro
Até cansar
E, se não for assim
Não dá para guardar o sofrimento depois
Ele fica ali
Latejando
Lágrima para dentro
Empoça
Faz bolo no meio do pescoço
Sangra ferida no estômago
Derrama no peito
Explode veia na cabeça
Então
Chora a lágrima para fora, vai
Vive a sua tristeza
Plenamente
Antes de guardar
Janeiro de 2009
Moderadamente
Sou péssima em fazer as coisas moderadamente.
Sou péssima em fazer as coisas moderadamente.
Tá bom... dá para beber moderadamente.
Até dá para comer moderadamente.
Acho que consigo gastar moderadamente.
E posso tentar trabalhar moderadamente
de vez em quando.
Mas viver moderadamente...?!
Aprendi, não...
Flávia
Côrtes – Janeiro de 2010
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Queria mesmo que fosse mais que um vento
Um pouco por encanto
Um pouco por surpresa
Tão surpreendente
Tão inesperado
Não precisar contar
Cansa um pouco, sabe
Ficar repetindo a toda hora
O que gosta
O que sente
O que encanta
O que excita
O que irrita
O que desafia
O que instiga
O que emociona
O que seduz
Eu não quero mais ficar me contando
Quero alguém que olhe para mim e saiba
É por isso que torço pela gente
E por que você me toca do jeito que você toca
E porque você me olha do jeito que você olha
E porque tem uma voz que me enche o pensamento
Janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
Para apaixonar...
Um dia?
Não.
Um instante... um momento... um olhar.
Um instante para a gente se olhar
Um olhar para o tempo parar
Um momento para o mundo girar
Mas, e se não for?
Sim, tem pessoas que passam...
Vento ou ventania
Mas passam.
Ah, se não for...
Que importa?
Levanta o rosto no vento, vai...
Vive!
Janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Teu corpo conhece o meu corpo
No teu beijo eu me perco
No teu toque eu me encontro
Teu cheiro funde com o meu cheiro
Teu gosto mistura com o meu gosto
Você sente em mim
E me devolve
Eu sinto em você
E te devolvo
E nos movemos assim
Gosto, cheiro, toque
E nos fundimos assim
Toque, cheiro, gosto
Gozo
Dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Hoje acordei com um sentimento estranho
Um não saber
Tenho levado a minha vida seguindo o meu instinto e a minha vontade
E cuidando das minhas pessoas
Desde muito cedo
Ri todo o meu riso
E chorei todo o meu choro
Soltei meu pensamento
E tranquei nos meus silêncios
Deixei vir cada onda da minha vontade
E respeitei cada não querer
E tudo sempre foi muito claro
Vontade
Ou não querer
Não saber?
Muito novo isso
Mas tudo bem
Também me permito não saber.
Dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Temporal
Se tiver que chover,
que seja temporal!
Temporal
com raio
que gruda olho no céu.
Temporal com vento
que gruda vestido no corpo.
Corpo molhado,
debaixo de chuva,
água escorrendo.
Vento gelando
de fora para dentro.
E teu beijo esquentando
de dentro para fora.
que gruda olho no céu.
Temporal com vento
que gruda vestido no corpo.
Corpo molhado,
debaixo de chuva,
água escorrendo.
Vento gelando
de fora para dentro.
E teu beijo esquentando
de dentro para fora.
Flávia
Côrtes – Dezembro de 2009
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Passeio a um País de Maravilhas
Neste sábado, estive num lugar chamado Kreatori – Coletivo de Arte para dizer poemas como convidada da Leila Oli. Tarefa de responsabilidade esta, já que Leila só diz textos da Adélia Prado e o faz lindamente.
Neste sábado, estive num lugar chamado Kreatori – Coletivo de Arte para dizer poemas como convidada da Leila Oli. Tarefa de responsabilidade esta, já que Leila só diz textos da Adélia Prado e o faz lindamente.
Ignorei o frio no estômago, me fiz acompanhar pela minha amiga Patrícia, coloquei uns poemas na bolsa... que eu gosto de dizer de cor, mas é bom ter uma “cola” em caso de “branco”... e rumei para Laranjeiras.
A Kreatori é uma casa mágica. Fica numa rua com nome de País das Maravilhas e isso não deve ser coincidência porque você entra pelo portão de ferro e cai direto num mundo encantado.
Logo na entrada, o Fabiano e o Thiago te reencontram. Sim, a palavra é essa mesma... eles te recebem como quem não te vê há um tempo, mas estava só te esperando.
Levei dois segundos para entender porque colocaram “coletivo de arte” no nome da casa. Tem de tudo exposto... artesanato, pintura, fotografia, roupas, objetos de decoração... tudo isso espalhado em cômodos amplos de uma casa antiga e a preços incríveis. E tem música enchendo o ar, vídeos projetados numa das salas, pessoas interessantes conversando e passeando entre os cômodos...
Nos fundos da casa, um quintal recheado de detalhes saborosos na decoração. Enchem os olhos da gente as novidades. São conchas de cozinha que viraram vasinhos de plantas pendurados na parede, gaiolas de pássaros abertas... e os pássaros?... ah, esses ficam ali pelo quintal mesmo voando... tem lindas cadeiras de madeira e puffs de palha espalhados pelo espaço... um lugar para se ficar.
E foi o que fiz. Me deixei ficar por ali... ouvindo e dizendo poemas... conversando com uma gente inteligente, gentil e divertida...
Saborosa e encantada noite de sábado em Kreatori... um lugar com nome de país, terra de magia e terreno de arte.
Rio de Janeiro, dezembro de 2009
(Para quem quer ir lá conhecer: http://kreatori.wordpress.com/)
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