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sábado, 23 de maio de 2015


Cotidiano 

No som da sala, a Diva 
conta a canção 
de um amor 
rasgado e passional.

Depois da faxina, 
na varanda, brincam
a menina,
o homem
e o cão.

Na cozinha,
a mulher,
o feijão
e o Poema.

A olhar de fora, 
um sonho americano.

A viver por dentro, 
pura realidade 
brasileira e Humana
de dias feitos de cotidiano,
despertadores às seis e
contas de luz em Bandeira Vermelha.

A cena da novela não conta, 
mas ao jantar em família, 
antecede o fogão
e sucede a louça.

O comercial dá bom dia
sem mostrar a noite insone 
de pais escalados na madrugada,
Plantão Sagrado de quem vela 
um sono-criança.

A vida ao vivo recusa etiquetas
e existe todo dia
risonha ou preocupada,
desperta ou sonolenta,
terna ou irritada.

E está aí a Beleza 
dos que se escolhem
todo dia
porque se amam.

(Flávia Côrtes - maio de 2015)


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